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Forças Armadas

Brasileiros abandonados na guerra dos 6 dias. 427 bravos deixados a própria sorte em meio a uma guerra que não era sua

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Batalhão SUEZ, o que ninguém sabe sobre esse contingente de 427 bravos que foi abandonado a própria sorte em meio a uma guerra que definitivamente não era sua

“No seu retorno ao Brasil os 317 militares temporários (cabos e soldados) foram sumariamente despejados das fileiras do Exército, sem qualquer avaliação física ou psicológica, contrariando os Estatutos Militares quando trata de Retorno de Missões, tratamento este, diferente do que receberam Oficias e Sargentos, os quais foram resguardados por serem militares de carreira.”

Os dezenove contingentes enviados ao Oriente Médio a partir do ano de 1957 cumpriram suas missões, normalmente. O mesmo não ocorreu com os 427 militares do 20º Contingente, à partir do terceiro mês da sua missão, tanto para os militares de carreira (Oficias e Sargentos), quanto para os 317 cabos e soldados.

No dia 14 de maio de 1967, o presidente do Egito, intencionado em atacar Israel, pediu a retirada imediata de seu território da Força de Emergência das Nações Unidas, da qual fazia parte os 427 brasileiros e, no dia 19 de maio o Secretário Geral da ONU tornou extinta a 1ª Força de Emergência das Nações Unidas.  Cabia a cada governo a responsabilidade de evacuar, imediatamente seus efetivos militares da área.

O governo brasileiro, em falha inaceitável, preferindo acreditar na promessa feita pelos Estados Unidos de que não haveria rupturas no processo de paz, quedou-se silente ao desconsiderar o “Ato de Extinção da Força de Emergência” já oficializado pelo Secretário Geral da ONU e não procedendo na retirada imediata da tropa, expondo esses brasileiros ao sacrifício inútil de suas vidas.

Nem mesmo a intervenção dos embaixadores brasileiros no Líbano e no Cairo, solicitada pelo Comandante da tropa brasileira, clamando pela evacuação de seus soldados, fez com que ocorresse o resgate imediato dos referidos militares.  Quase vinte dias depois, no dia 5 de junho de 1967 eclodiu a Guerra dos Seis Dias entre Israel e os países da coalizão árabe Egito, Jordânia, Síria e Iraque. O ataque de Israel foi surpreendente e avassalador, encontrando pelo caminho a tropa brasileira, um contingente militar num campo de guerra, que não tinha mais seu status de Força de Paz.  No primeiro dia de guerra as posições brasileiras foram atacadas, primeiro pelo bombardeio aéreo, depois pela artilharia, depois pela cavalaria blindada e por último pela infantaria israelense.  

No fim do primeiro dia ocorrem baixas por morte e alguns feridos, os soldados brasileiros da 7ª Companhia, alguns da 8ª Companhia e alguns da Companhia de Comando de Serviço são aprisionados pela infantaria de Israel, sendo obrigados a permanecerem sentados por toda a noite, ao relento de zero graus. Os soldados brasileiros estavam desse modo participando “efetivamente” da Guerra dos Seis Dias, um evento sangrento e cruel.

Finalmente no dia 13 de junho os brasileiros são resgatados no Porto israelense de Ashdod pelo Navio de Transporte Soares Dutra da Marinha de Guerra do Brasil. Estranhamente esse navio não foi diretamente para o Oriente Médio resgatar o 20º Contingente. Ao invés disso, esse navio que havia saído do Brasil há mais de duas semanas, estava à caminho de Trieste/ Itália onde iria descarregar 45 Mil sacas de Café do Brasil. Quando adentrava o Mar Adriático; recebeu ordens para desviar sua rota e seguir para o Porto israelense de Ashdod, onde aguardava o 20º Contingente.

No seu retorno ao Brasil os 317 militares temporários (cabos e soldados) foram sumariamente despejados das fileiras do Exército, sem qualquer avaliação física ou psicológica, contrariando os Estatutos Militares quando trata de Retorno de Missões, tratamento este, diferente do que receberam Oficias e Sargentos, os quais foram resguardados por serem militares de carreira.

Um livro relembra a história desse último Contingente na Missão de Paz no Egito (UNEF).

O pavor de estar dentro de uma Guerra muito intensa entre os dias 05 e 10 de junho de 1967, cuja consequência foi a mais significante resposta do povo árabe à Institucionalização do Estado de Israel, apesar do estado sionista ter saído como grande vencedor deste conflito.

O Livro de 396 páginas, escrito por Norberto Soares Paiva, um dos militares que fez parte do batalhão, aborda principalmente a história de militares brasileiros diante do envolvimento na guerra. 

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