Carlos Bolsonaro diz que um dos maiores erros do governo de Jair Bolsonaro foi a aproximação com os militares. Segundo ele, Flávio Bolsonaro, em eventual vitória, “não repetirá o modelo”.
“Colocar as Forças Armadas perto foi um dos maiores erros do governo Bolsonaro. Na época, não havia uma estrutura política e muitos militares acabaram ocupando cargos importantes.
Tenho certeza de que Flávio Bolsonaro não repetirá essa militarização e priorizará pessoas técnicas.”
Na era Flávio, aproximação de Bolsonaro com militares entra em xeque
Carlos deu a declaração em 26 de junho, durante sua visita a Timbó (SC). A fala passou a circular neste fim de semana nas redes sociais.
Campanha de 2018 e raízes militares do bolsonarismo
Até agora era praticamente impossível dissociar os militares da candidatura presidencial de 2018 e do posterior governo de Jair Bolsonaro.
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Toda a trajetória do ex-presidente está umbilicalmente conectada aos militares.
Desde o lema de sua campanha “Brasil acima de tudo (…)”, que nada mais é do que o lema da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército Brasileiro, todo o fio condutor veio e voltou para a caserna.
Como o Exército impulsionou a ascensão de Bolsonaro
Em 2014, o próprio Exército (que antes o banira) forneceu ambiente e público de prova para o lançamento de sua pré-campanha eleitoral na AMAN.
Mas, com o passar dos anos, o caminho que se abriu a Bolsonaro não foi pavimentado exclusivamente de modo tão discreto.
Em 2018, a mais alta autoridade da Força terrestre, pela primeira vez, depois da redemocratização, manifestou abertamente sua opinião política.
Automaticamente isso beneficiou sobremaneira o capitão candidato.
Tweet de Villas‑Bôas e a legitimação do capitão candidato
Em abril de 2018, às vésperas do julgamento no STF que definiria se Lula permaneceria preso, o então comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas-Bôas, manifestou sua opinião política no Twitter, travestida de “nota de repúdio”.
“Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.”
Um dia após assumir a presidência da República, Bolsonaro, dirigindo-se ao general Villas Bôas, disse: “O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui.”
Ato contínuo, mais de 6 mil militares passaram a ocupar cargos civis no governo Jair Bolsonaro, sendo que alguns pertencentes ao topo da hierarquia foram alçados aos postos mais relevantes da República.
Ruptura entre bolsonarismo e Forças Armadas após 8 de janeiro
A declaração de Carluxo – que é visto pelos seguidores da família como “o cérebro” dos Bolsonaros – vem a reboque de uma possível aversão que os militares teriam granjeado entre os bolsonaristas.
Em comentários na rede social X-Twitter, apoiadores do futuro candidato a presidente, Flávio Bolsonaro, ecoam essa impressão.

Segundo muitos deles, os militares não fizeram por merecer a confiança que o ex-presidente Bolsonaro depositou na classe.
Com mais de 300 mil visualizações, a fala de Carlos Bolsonaro se presta a ser a linha divisória que pretende romper de vez o idílio entre o maior nome da direita brasileira e os militares, seus apoiadores de primeira hora.
O maior erro do falso Messias foi se aliar aos oficiais generais, os mesmos que sempre o trataram como um leproso. Ele abandonou a sua base mais fiel, graduados e pensionistas, para tentar se perpetuar no poder. Após encherem o bolso com o vil metal, apoiados na Lei do Mal, eles o abandonaram. No final, a falta dos votos da base fizeram a diferença.