A Marinha do Brasil levou para a Baixada Santista a Operação ADEREX 2026, exercício periódico de adestramento da Esquadra que reúne navios de guerra, submarino e meios de apoio para treinar cenários que podem ocorrer em uma guerra real, segundo informações divulgadas pela Capitania dos Portos de São Paulo e pela imprensa local.
A frota destacada para Santos inclui o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, as fragatas Defensora, União e Tamandaré, o navio-patrulha oceânico Apa e o submarino Tikuna, conforme lista divulgada pela própria Marinha.
Treinamento de guerra
A Operação de Adestramento de Esquadra, conhecida como ADEREX, tem uma função direta: preparar navios, aeronaves e tropas para reagirem em situações de combate.
Não se trata de uma demonstração simbólica.
A ideia é colocar meios da Marinha no mar, testar procedimentos, medir a resposta das tripulações e identificar falhas que só aparecem em ambiente operacional.
Segundo a Capitania dos Portos de São Paulo, a ADEREX é o principal exercício militar periódico da Marinha voltado a elevar e manter o grau de prontidão operativa de navios, aeronaves e tropas de Fuzileiros Navais.
Na prática, os militares treinam cenários como ameaça a navios, defesa de áreas marítimas, proteção de portos, atuação contra submarinos, guerra de superfície e resposta coordenada entre diferentes meios.
O objetivo é reduzir improvisos quando a situação real exigir reação rápida.
Por que Santos
A escolha do Porto de Santos não é casual.
Santos é o maior complexo portuário da América Latina e um dos principais pontos de entrada e saída de cargas do Brasil.
Em 2025, o porto movimentou 186,4 milhões de toneladas, recorde histórico que consolidou o complexo como principal hub logístico brasileiro, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
Isso transforma a região em uma infraestrutura de valor militar e econômico.
Em caso de guerra, sabotagem, bloqueio marítimo, ataque híbrido ou ameaça assimétrica, um porto desse tamanho não seria apenas um terminal de cargas.
Seria uma peça vital para manter comércio, abastecimento, energia, mobilização militar e resposta do Estado.
Infraestrutura crítica
O comando local da Marinha destacou, segundo o G1, que Santos funciona como ponto importante tanto para apoio quanto para proteção futura.
A preocupação também se estende a instalações ligadas ao setor energético, como plataformas de petróleo e estruturas da Transpetro no litoral paulista.
Essa leitura se conecta à missão mais ampla da Marinha na chamada Amazônia Azul, área marítima brasileira onde circulam riquezas, rotas comerciais, cabos, pesca, petróleo e gás.
Navio Atlântico
O destaque visual da operação é o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, considerado pela Marinha o maior navio de guerra da América Latina.
A embarcação tem 203 metros de comprimento, deslocamento carregado de 21.500 toneladas e velocidade máxima de 18 nós, cerca de 33 km/h, conforme dados divulgados pela Capitania dos Portos.
O Atlântico é a capitânia da Esquadra.
Ele foi projetado para controle de áreas marítimas, projeção de poder sobre terra pelo mar e pelo ar, além de missões humanitárias, evacuação de pessoal, apoio a desastres naturais e operações de paz.
Durante a passagem por Santos, o navio também foi incluído em programação de visitação pública gratuita, permitindo que moradores conhecessem uma das embarcações mais importantes da Marinha brasileira.
Fragata Tamandaré
Outro símbolo da operação é a Fragata Tamandaré, primeira unidade da nova classe de escoltas da Marinha.
A Marinha incorporou a F200 à Esquadra em abril de 2026, durante cerimônia na Base Naval do Rio de Janeiro.
A embarcação faz parte do Programa Fragatas Classe Tamandaré, um dos principais projetos de modernização naval do país.
Segundo a Marinha, a Tamandaré é a primeira de um lote inicial de quatro navios, com outras três fragatas em construção em Itajaí.
Durante a incorporação, também foi assinado um memorando de entendimento para viabilizar um novo lote com mais quatro fragatas da classe.
Poder naval
A Tamandaré aumenta a capacidade brasileira em guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície.
Segundo a Marinha, a fragata pode detectar e neutralizar ameaças aéreas, de superfície e submarinas, usando sistema de gerenciamento de combate integrado a sensores e armamentos embarcados.
Ela reúne mísseis antinavio, mísseis antiaéreos de lançamento vertical, torpedos, canhão principal de 76 milímetros, canhão de 30 milímetros e metralhadoras pesadas para defesa de curto alcance.
Submarino no exercício
A presença do submarino Tikuna também reforça o caráter militar da ADEREX.
Submarinos são meios discretos, usados para vigilância, dissuasão e treinamento antissubmarino.
Em um exercício desse tipo, eles ajudam as fragatas e demais navios a treinarem busca, detecção, reação e coordenação contra ameaças submersas.
Esse tipo de atividade é essencial porque a guerra naval moderna não acontece apenas na superfície.
Ela envolve ar, mar, fundo do oceano, comunicações, sensores, guerra eletrônica e capacidade de operar em conjunto.
Por isso, a ADEREX costuma funcionar como um laboratório real para testar tripulações e equipamentos.