Blindados avançando pelo terreno, tropas em posição e sistemas preparados para detectar ameaças aéreas formaram um cenário muito diferente daquele normalmente associado a urnas, mesários e locais de votação.
A demonstração militar, porém, ganhou ligação direta com o planejamento de segurança para outubro.
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O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares, acompanhou nesta quarta-feira, 29 de julho, um exercício do Exército enquanto o estado aguarda a definição sobre o eventual emprego de tropas federais nas Eleições Gerais de 2026.
A atividade foi realizada no Campo de Instrução de Gericinó, na Zona Oeste da capital, e promovida pelo Comando Militar do Leste, segundo o G1.
Exercício reuniu milhares de militares
O Exercício Membeca mobilizou aproximadamente 4,5 mil militares provenientes de organizações do Exército localizadas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Durante a atividade, as tropas apresentaram meios de combate, blindados, estruturas de comando e controle e equipamentos voltados à defesa contra drones.
O presidente do TRE-RJ foi recebido pelo comandante militar do Leste, general de Exército Pedro Celso Montenegro.
Segundo Claudio de Mello Tavares, a demonstração evidenciou o preparo das Forças Armadas para responder a diferentes situações e reforçou a possibilidade de o Comando Militar do Leste colaborar novamente com a segurança do processo eleitoral fluminense.
A presença do desembargador ocorreu enquanto a Justiça Eleitoral organiza uma estrutura especial contra ameaças, coação de eleitores e interferência de grupos criminosos no pleito.
O Membeca, entretanto, não foi criado exclusivamente como treinamento para as eleições.
Os preparativos divulgados pelo Comando Militar do Leste descrevem a atividade como o maior exercício de defesa externa do ano de instrução na área do CML, voltado à integração de tropas, estados-maiores, inteligência, logística, comunicações e meios de combate.
A relação com as eleições está na avaliação das capacidades militares que poderão ser empregadas caso o apoio federal seja confirmado e nas articulações já existentes entre o Exército e o TRE-RJ.
Pedido foi aprovado pelo TRE-RJ
O plenário do TRE-RJ aprovou por unanimidade, em 9 de julho, o envio ao Tribunal Superior Eleitoral de um pedido de tropas federais para as eleições de outubro.
A solicitação recebeu manifestação favorável do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto.
Ao justificar a medida, Claudio de Mello Tavares destacou a existência de eleitores que moram e votam em territórios controlados por organizações criminosas armadas, principalmente na Região Metropolitana.
O objetivo é proteger o transporte das urnas, os locais de votação e o livre exercício do voto em áreas consideradas mais vulneráveis.
A aprovação pelo tribunal regional não significa, isoladamente, que o Exército já esteja confirmado em todos os locais solicitados.
A definição das localidades, do efetivo, do período e das tarefas depende do processamento do pedido pela Justiça Eleitoral e da coordenação com o Ministério da Defesa.
Um decreto federal publicado em 21 de julho já autorizou, de maneira geral, o emprego das Forças Armadas para garantir a votação e a apuração e prestar apoio logístico nas eleições de 2026.
O próprio texto determina que os locais e os períodos de atuação serão definidos de acordo com as requisições do TSE.
Atuação não envolve contagem política dos votos
O emprego militar nas eleições é denominado Garantia da Votação e da Apuração, ou GVA.
Essa atuação não concede às Forças Armadas poder para fiscalizar candidaturas, interferir nas decisões da Justiça Eleitoral ou realizar uma apuração política paralela.
Os militares ficam subordinados às finalidades estabelecidas pela Justiça Eleitoral, como garantir segurança, preservar a normalidade da votação e apoiar a logística em localidades de difícil acesso ou sob risco.
O TSE informou que tribunais de sete estados, incluindo o Rio de Janeiro, já haviam solicitado apoio logístico militar para o primeiro turno de 2026.
Segundo a Corte, o objetivo da presença das tropas é preservar a normalidade dos trabalhos e assegurar que os eleitores possam votar livremente, dentro das orientações da Justiça Eleitoral.
No Rio, a presença federal em eleições não é inédita.
O estado utiliza esse tipo de apoio regularmente desde 2012, e o TRE-RJ voltou a receber reforço militar em 2024, quando também transferiu locais de votação situados em áreas sob influência do crime organizado.
Crime organizado está no centro da preocupação
O TRE-RJ instituiu em março o Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral.
A estrutura reúne órgãos de inteligência e segurança para enfrentar a infiltração de organizações criminosas e milícias no processo eleitoral fluminense.
Entre suas funções estão o compartilhamento de informações, a identificação de áreas de risco e o apoio a medidas destinadas a impedir coação, violência ou controle criminoso sobre eleitores e candidatos.
Em julho, o tribunal também instalou o Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional, conhecido como Gaesi.
O grupo reúne representantes das forças municipais, estaduais e federais para prevenir e reprimir crimes capazes de afetar o andamento das eleições.
O TRE-RJ ainda realizou reuniões específicas com a Polícia Federal e com a Polícia Militar.
Entre as medidas discutidas estão reforço do policiamento, intercâmbio de inteligência, transferência de locais de votação e comunicação imediata de indícios de violência, fraude ou coação.
Blindados e sistemas antidrone têm outro contexto
A presença de blindados e sistemas de defesa antidrone no exercício não significa que todos esses equipamentos serão empregados nos locais de votação.
A escolha dos meios deverá depender da avaliação de risco e do planejamento definido entre TSE, Ministério da Defesa, TRE-RJ e Comando Militar do Leste.
Equipamentos apresentados no Membeca fazem parte da demonstração mais ampla das capacidades do Exército para defesa externa e operações complexas.
A eventual missão eleitoral tende a ser ajustada às necessidades de segurança e logística, sem transformar o pleito em uma operação militar convencional.
As eleições gerais estão marcadas para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
O Rio de Janeiro possui aproximadamente 12,85 milhões de pessoas aptas a votar, formando o terceiro maior eleitorado estadual do país.