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Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu o sul do Japão nesta terça, derrubou prédios, arrancou muralhas de um castelo histórico e levou o país a acionar 3.600 militares das Forças de Autodefesa, enquanto renasce o medo do temido megaterremoto

O tremor de intensidade máxima em Kumamoto deixou dezenas de feridos e milhares sem energia, e o governo japonês despachou tropas das Forças de Autodefesa para o resgate.

Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu o sul do Japão nesta terça, derrubou prédios, arrancou muralhas de um castelo histórico e levou o país a acionar 3.600 militares das Forças de Autodefesa, enquanto renasce o medo do temido megaterremoto

Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu o sul do Japão na tarde desta terça-feira, 28 de julho, com epicentro na província de Kumamoto, na ilha de Kyushu. O tremor foi forte o bastante para derrubar prédios e rachar estradas.

Poucas horas depois, o governo japonês tomou uma decisão que revela a gravidade do estrago: acionou 3.600 militares das Forças de Autodefesa para as operações de resgate.

O tremor atingiu o nível máximo da escala japonesa

O abalo registrou grau 7 na escala Shindo, a classificação máxima de intensidade sísmica usada no Japão. Diferente da magnitude, que mede a energia liberada, a escala Shindo mede o quanto o chão treme em cada ponto.

O epicentro foi raso, a poucos quilômetros de profundidade, o que amplia o poder destrutivo na superfície. Foi seguido por uma série de tremores secundários que mantiveram a população em pânico.

Prédios desabaram e um shopping cedeu

Os danos apareceram rápido. Ao menos 12 edifícios desabaram, e o segundo andar de um shopping da rede Aeon, na cidade de Kashima, cedeu, deixando pessoas presas nos escombros.

Cerca de 48 mil residências ficaram sem energia elétrica em Kumamoto, e ao menos 50 pessoas foram hospitalizadas. Estradas e pontes também sofreram avarias, dificultando a chegada do socorro.

As muralhas do Castelo de Kumamoto voltaram a cair

Um dos símbolos da tragédia foi o Castelo de Kumamoto, um dos pontos turísticos mais famosos do país. Parte de suas muralhas de pedra desabou com o tremor.

A cena repetiu o que aconteceu em 2016, quando outra sequência de terremotos na mesma região danificou o castelo e matou dezenas de pessoas. A reconstrução levou anos.

O Japão acionou 3.600 militares para o resgate

A pedido do governador de Kumamoto, o governo central despachou 3.600 integrantes das Forças de Autodefesa do Japão para as áreas afetadas. É a estrutura militar do país entrando em ação como força de socorro.

No Japão, as Forças de Autodefesa acumulam a missão de defesa com a de resposta a desastres naturais. Terremotos, tufões e tsunamis fazem do país um dos que mais usam os militares em operações de salvamento.

Um alerta de tsunami foi disparado e depois retirado

Logo após o tremor, a Agência Meteorológica do Japão emitiu um alerta de tsunami, prevendo ondas de até um metro no litoral de Kyushu. A primeira-ministra Sanae Takaichi foi a público pedir cautela.

O aviso valeu para várias províncias, entre elas Fukuoka, Saga, Nagasaki e Kumamoto, e foi retirado horas depois, quando o risco de ondas maiores passou. Ainda assim, a costa seguiu em observação.

O medo do megaterremoto voltou à tona

O Japão fica sobre o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma das zonas sísmicas mais ativas do planeta. Autoridades pediram que a população se prepare para novos tremores fortes ao longo da semana, além do risco de deslizamentos.

O episódio reacende o temor do megaterremoto, o grande abalo que cientistas japoneses projetam para as próximas décadas na região da fossa de Nankai, capaz de gerar ondas gigantes e destruição em massa.

O tremor chega em meio ao rearmamento japonês

A mobilização militar acontece num momento em que o Japão revê sua tradição pacifista e reforça o próprio poder de fogo. O país tem ampliado gastos de defesa e até virou alvo de acusações da China por seu programa nuclear civil.

No terremoto desta terça, porém, o papel das Forças de Autodefesa foi outro: o de salvar vidas. A região de Kumamoto seguirá em alerta pelos próximos dias, à espera de que a terra pare de tremer.

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Jefferson Silva

Jefferson Silva

Atuo na Sociedade Militar trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Tecnologia militar, Industria de Defesa e Inteligência Artificial.