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Em meio às tensões globais, Brasil acelera corrida por drones de guerra: Exército estuda modelos de longo alcance armados com mísseis, Marinha avança com veículos autônomos e FAB busca sistema 100% nacional

Exército, Marinha e Força Aérea ampliam investimentos em drones e sistemas não tripulados, enquanto o Ministério da Defesa busca integrar projetos, reduzir dependência externa e acelerar o desenvolvimento de tecnologias nacionais para operações no ar, em terra e no mar.

Em meio às tensões globais, Brasil acelera corrida por drones de guerra: Exército estuda modelos de longo alcance armados com mísseis, Marinha avança com veículos autônomos e FAB busca sistema 100% nacional
Drone Nauru 1000C, de fabricação nacional e operado pelo Exército Brasileiro. Foto de arquivo: Gabriel Orosco.
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Drones que identificam alvos, embarcações capazes de navegar sem tripulação e veículos terrestres controlados a distância deixaram de ocupar apenas demonstrações tecnológicas e passaram a influenciar diretamente o planejamento militar de diferentes países.

No Brasil, Ministério da Defesa, Exército, Marinha e Força Aérea estudam como ampliar e integrar o emprego desses sistemas, ao mesmo tempo em que procuram reduzir a dependência estrangeira em tecnologias consideradas críticas para operações futuras.

Segundo a Agência Marinha de Notícias, especialistas das três Forças reuniram-se nos dias 13 e 14 de agosto, na Escola Superior de Defesa, em Brasília, para apresentar capacidades já existentes, projetos em desenvolvimento e alternativas para aumentar a cooperação entre Exército, Marinha e Aeronáutica.

O movimento ocorre enquanto conflitos recentes demonstram que plataformas não tripuladas podem atuar no ar, em terra, na superfície do mar e debaixo d’água, realizando desde reconhecimento e vigilância até transporte, guerra eletrônica e missões de ataque.

Marinha desenvolve veículos sem tripulação para a Amazônia Azul

No ambiente marítimo, uma das prioridades brasileiras é ampliar a capacidade de monitoramento da chamada Amazônia Azul, extensa área de interesse estratégico que concentra rotas comerciais, recursos naturais, infraestrutura energética e diferentes atividades econômicas.

A Marinha utiliza o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, o SisGAAz, para integrar informações provenientes de sensores e diferentes fontes e ampliar a consciência situacional sobre as águas de interesse do País.

Os sistemas autônomos aparecem como uma das tecnologias capazes de complementar essa estrutura.

A própria Marinha desenvolve desde 2021 veículos de superfície não tripulados e já possui plataformas experimentais destinadas a missões como vigilância, reconhecimento, inteligência, proteção de infraestrutura e contramedidas de minagem.

Um dos projetos mais importantes nessa área é o PRISMA, Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos, desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV).

O sistema permite transformar embarcações convencionais em veículos controlados remotamente ou com diferentes graus de autonomia.

Durante a DroneShow Robotics 2026, a Marinha demonstrou a tecnologia controlando, a partir de São Paulo, uma embarcação localizada no Rio de Janeiro. Segundo a Força, o sistema pode ser empregado em vigilância, reconhecimento, inteligência, busca e salvamento, guerra de minas e proteção de infraestruturas críticas.

De acordo com a Agência Marinha de Notícias, tecnologias dessa natureza também são analisadas como forma de preencher lacunas de cobertura do SisGAAz e ampliar a presença da Marinha sem exigir que todo sensor ou veículo tenha uma tripulação embarcada.

Exército estuda drones armados e robôs terrestres

Em terra, o Exército Brasileiro também acelerou seus estudos sobre sistemas não tripulados.

A Força já emprega diferentes categorias de drones para reconhecimento e vigilância, incluindo equipamentos da XMobots, e vem estudando plataformas com maior autonomia, alcance e capacidade de transportar armamentos.

O Nauru 1000C, por exemplo, já aparece em estudos doutrinários do próprio Exército relacionados ao emprego de sistemas aéreos remotamente pilotados em apoio às tropas blindadas.

O interesse vai além dos veículos aéreos.

Segundo a Agência Marinha de Notícias, o Exército mantém iniciativas envolvendo veículos terrestres não tripulados e acompanha soluções apresentadas por empresas brasileiras e estrangeiras, incluindo Taurus e companhias ligadas à indústria turca e ao grupo EDGE.

A movimentação coincide com uma discussão mais ampla dentro da Força Terrestre.

Em maio, o Quartel-General do Exército recebeu o 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, reunindo fabricantes, especialistas e integrantes do Alto-Comando para acompanhar tecnologias aéreas e terrestres, inclusive plataformas capazes de receber armamentos.

O Exército também reconhece oficialmente que sistemas não tripulados, inteligência artificial, guerra eletrônica e comunicações resistentes a interferências estão transformando o campo de batalha e deverão ganhar espaço no processo de modernização da Força.

FAB procura caminho para um drone nacional

A Força Aérea Brasileira possui uma experiência de mais de uma década com aeronaves remotamente pilotadas de maior porte.

O Hermes RQ-900, de origem israelense, é operado pela FAB desde 2014 e permanece entre as aeronaves de inteligência, vigilância e reconhecimento da instituição.

A aeronave pode executar missões prolongadas de vigilância. Em publicação oficial de março de 2026, a FAB informou que o RQ-900 consegue permanecer aproximadamente 30 horas em voo contínuo, permitindo acompanhar grandes regiões por longos períodos.

Agora, porém, a Aeronáutica busca desenvolver uma capacidade nacional.

Em maio, a FAB abriu uma consulta à indústria brasileira para identificar empresas capazes de desenvolver Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas no País.

O levantamento faz parte do Projeto RQ-XBR, conduzido com participação da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate, a COPAC. A consulta foi direcionada a empresas brasileiras com capacidade de desenvolver uma futura plataforma nacional.

Durante o encontro promovido pelo Ministério da Defesa, o Major-Brigadeiro do Ar Frederico Casarino destacou justamente a intenção de ampliar a autonomia brasileira nesse segmento.

Segundo ele, a FAB considera estrategicamente relevante que o País seja capaz de desenvolver seus próprios sistemas remotamente pilotados, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.

Dependência estrangeira preocupa militares

O desafio brasileiro não está apenas em comprar drones.

Para integrantes das Forças Armadas, uma questão central está em dominar sensores, enlaces de comunicação, inteligência artificial, navegação, sistemas de controle, armamentos e outros componentes necessários para manter uma plataforma operacional durante anos.

O General de Brigada Gelson de Souza, do Estado-Maior do Exército, afirmou no encontro que tecnologias militares críticas normalmente enfrentam restrições de transferência entre países.

Por esse motivo, o Exército procura associar determinadas aquisições internacionais à transferência de tecnologia e ao desenvolvimento de capacidade industrial dentro do Brasil.

A preocupação ganhou peso após conflitos recentes demonstrarem como embargos, sanções e interrupções nas cadeias internacionais de fornecimento podem comprometer a disponibilidade de equipamentos militares.

A própria Marinha vem defendendo que uma Base Industrial de Defesa capaz de fabricar, integrar, manter e modernizar sensores, munições e sistemas não tripulados é elemento necessário para aumentar a autonomia estratégica brasileira.

Defesa tenta aproximar projetos das três Forças

Um dos problemas identificados pelo Ministério da Defesa é que Exército, Marinha e Aeronáutica desenvolveram necessidades e projetos próprios ao longo dos últimos anos.

O encontro em Brasília procurou discutir justamente possibilidades de padronização, compartilhamento de conhecimento, formação conjunta e ganho de escala.

O Chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, Almirante de Esquadra Paulo César Bittencourt Ferreira, apontou a velocidade da transformação tecnológica como uma preocupação para o planejamento militar.

Atualmente, Bittencourt Ferreira ocupa oficialmente a Chefia de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, estrutura responsável pela coordenação de diferentes atividades operacionais envolvendo as três Forças.

Segundo o almirante, inteligência artificial e novos sistemas robóticos tornam necessária uma maior integração de especialistas, recursos e objetivos para impedir que equipamentos adquiridos hoje se tornem rapidamente ultrapassados.

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1 Comentário
Elzo
Elzo
20/08/2026 12:42

Enxames com drones baratos, seguidos de drones de alto poder e precisão é uma ótima estratégia, tira o foco das defesas, e isso pode ser usado até com drones marítimos que podem ficar em standby e serem acionados furtivamente.

Alisson Ficher

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 13 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com.