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General Tomás Paiva celebra queda de mais de 70% nas candidaturas de militares das Forças Armadas, de 61 para 17, e vê quartéis mais distantes da política em 2026

Apenas 17 integrantes das três Forças solicitaram licença para disputar as eleições deste ano; redução é recebida pelos comandos como sinal de afastamento da política partidária após o 8 de Janeiro

General Tomás Paiva celebra queda de mais de 70% nas candidaturas de militares das Forças Armadas, de 61 para 17, e vê quartéis mais distantes da política em 2026
Número de militares das Forças Armadas que solicitaram licença para disputar as eleições caiu de 61 em 2022 para 17 em 2026. Fonte: Imagem criada pela Revista Sociedade Militar – uso editorial.
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A participação de militares das Forças Armadas nas eleições de 2026 caiu de maneira expressiva em comparação com o último pleito nacional. Apenas 17 militares solicitaram aos comandos do Exército, da Marinha e da Força Aérea licença para concorrer, contra 61 registrados em 2022 — uma redução superior a 70%.

Nos bastidores, o movimento foi recebido com satisfação pelo alto comando. Segundo apuração da Coluna do Estadão, o comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, celebrou a baixa adesão eleitoral dentro da caserna.

Mais do que uma simples redução estatística, o número é interpretado internamente como parte de um processo de afastamento entre os quartéis e a política partidária, especialmente depois da crise institucional que cercou os atos de 8 de janeiro de 2023.

De 61 militares candidatos em 2022 para apenas 17 em 2026

A diferença entre as duas eleições ajuda a dimensionar a mudança.

Em 2022, 61 integrantes das Forças Armadas solicitaram licença para participar das eleições. O Exército liderava naquele momento, com 30 pedidos. O cenário político também era diferente: o então presidente Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, disputava a reeleição.

Quatro anos depois, o contingente caiu para 17 considerando as três Forças.

Isso representa uma redução de aproximadamente 72% no número de militares que procuraram formalmente os comandos para entrar na disputa eleitoral.

O dado não significa que militares tenham desaparecido da política brasileira — integrantes da reserva, por exemplo, continuam podendo construir carreiras partidárias. O que chama a atenção dos comandantes é a redução da participação daqueles que precisam solicitar licença às Forças para concorrer.

Tomás Paiva vê redução como sinal de afastamento da política dos quartéis

De acordo com a Coluna do Estadão, Tomás Paiva comemorou o número registrado em 2026.

A leitura dentro do comando é de que a menor adesão eleitoral funciona como um dos sinais de que as Forças Armadas conseguiram avançar no processo de afastamento da política partidária após o período de forte exposição institucional que culminou no 8 de Janeiro.

Esse detalhe importa porque a relação entre militares da ativa e atividade político-partidária tornou-se um dos temas mais sensíveis dentro das próprias Forças nos últimos anos.

Tomás Paiva assumiu o Comando do Exército em 21 de janeiro de 2023, poucos dias depois dos ataques às sedes dos Três Poderes, substituindo o general Júlio César de Arruda.

Antes disso, comandava o Comando Militar do Sudeste.

Naquele período, uma de suas primeiras manifestações públicas ganhou peso justamente pelo contexto. O general defendeu o respeito ao resultado das eleições e ressaltou o papel das instituições na preservação da democracia.

“O Exército brasileiro não pode ter lado”

A postura adotada pelo comandante desde 2023 ajuda a explicar por que a queda das candidaturas é vista com satisfação no comando.

Em entrevista ao Estadão, Tomás Paiva já havia defendido que o Exército deve permanecer distante de uma identificação político-partidária.

“O Exército é de todos, da direita e da esquerda. O Exército brasileiro não pode ter lado.”

Na mesma manifestação, o general afirmou que mesmo aqueles que se posicionam contra a instituição devem receber dela a mesma proteção.

A ideia é separar duas dimensões que, durante períodos de maior polarização, frequentemente aparecem misturadas no debate público: militares podem ter posições individuais, mas a instituição Exército não deve assumir coloração partidária.

A queda de 61 para 17 pedidos de licença não resolve, sozinha, essa relação histórica entre caserna e política. Mas oferece um indicador concreto de mudança justamente em um momento em que os comandos procuram reforçar uma identidade institucional menos associada às disputas eleitorais.

José Múcio chama cenário de “verdadeira pacificação”

A avaliação positiva não ficou restrita ao comandante do Exército.

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, também recebeu favoravelmente a baixa participação eleitoral dos integrantes das três Forças.

Segundo a apuração publicada pela Coluna do Estadão, Múcio classificou a adesão dos militares à disputa de 2026 como “mínima” e disse a aliados que o cenário representa uma “verdadeira pacificação”.

Múcio foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Ministério da Defesa e teve entre seus principais desafios a reconstrução da relação entre o governo e as Forças Armadas após os acontecimentos de janeiro de 2023.

Três anos depois, o número de candidaturas passa a funcionar como mais um termômetro dessa relação.

O dado mais objetivo está nos pedidos apresentados aos comandos: eram 61 em 2022 e agora são 17. Para a cúpula militar, a diferença vai além das 44 candidaturas a menos. Ela reforça a tentativa de estabelecer uma fronteira mais clara entre a atividade profissional dentro das Forças Armadas e a disputa político-partidária.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com