O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, determinou a desincorporação do Navio-Varredor Aratu, que completou em maio exatos 55 anos desde que passou a fazer parte da Armada. Trata-se de mais um capítulo do processo de desmobilização dos meios da Marinha.
Em abril de 2024, durante reunião da CREDN (Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional), o Comandante da Marinha revelou que nos últimos 20 anos a Esquadra desmobilizou 50% dos seus meios. Até 2028, a previsão é que 40% dos que sobrarem também serão desmobilizados.
O Navio-Varredor Aratu desempenhava papel estratégico para a defesa marítima do Brasil, já que detectava e removia minas submarinas a fim de garantir a segurança das rotas marítimas, por onde passam 95% do comércio exterior do país.
Apesar de a ordem de Olsen já ter sido publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 20 de agosto, ela só entrará em vigor no próximo dia 27.
O Comandante da Marinha também determinou o desfazimento do casco do Navio-Varredor Aratu. Dessa forma, o material poderá ser reaproveitado ou vendido como sucata.
Guerra de Minas no centro das preocupações
Antes considerada obsoleta por muitos, a guerra de minas continua sendo uma capacidade estratégica para as principais Marinhas do mundo, especialmente em um cenário de disputas geopolíticas e avanço tecnológico.
Hoje produzidas por 30 países, minas navais relativamente baratas podem bloquear portos, estreitos e rotas de navegação, ameaçando o fluxo do comércio e obrigando forças navais muito mais sofisticadas a operar com cautela.
A experiência recente da guerra na Ucrânia reforçou essa preocupação, enquanto países como Estados Unidos, Japão e integrantes da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) vêm investindo em caça-minas, sonares e veículos não tripulados para detectar e neutralizar ameaças no fundo do mar.
Navio Caça-Minas mais moderno foi incorporado à Força de Minagem e Varredura
A ordem de desincorporação e desfazimento do casco do Navio-Varredor Aratu acontece pouco depois de a Marinha do Brasil ter convertido o Navio-Hidroceanográfico Amorim do Valle em Navio Caça-Minas Amorim do Valle (M210).
No evento de transferência, a Marinha argumentou que o navio à Base Naval de Aratu levava uma capacidade a mais, associada à pesquisa e à tecnologia.
Diferentemente do Navio-Varredor Aratu, o Amorim do Valle tem capacidade para operar veículos não tripulados e integrar tecnologias de ponta, reforçando a defesa nacional e ampliando a proteção das riquezas marítimas brasileiras.
“A integração ao Comando da Força de Minagem e Varredura fortalece a segurança marítima nacional e amplia a capacidade da Marinha de proteger nossas rotas estratégicas”, comentou o Comandante do 2º Distrito Naval, Vice-Almirante Gustavo Calero Garriga Pires.
Quando foi comprado da Marinha Britânica, o Amorim do Valle exercia justamente o papel de Navio-Varredor sob o nome HMS Humber. Ele foi incorporado pela Marinha do Brasil em janeiro de 1995 e foi convertido para Navio-Balizador. Em 2000 virou Navio Hidroceanográfico.
Desfazimento de Corveta
Além do Navio-Varredor Aratu, a Corveta Júlio de Noronha também recebeu ordem de desincorporação e desfazimento de casco pelo Comandante da Marinha.
A ordem de Marcos Sampaio Olsen foi publicada em 16 de junho e entrou em vigor em 19 de junho.
Da Classe Inhaúma, a Corveta desempenhou papel de navio-escolta, capaz de localizar e destruir aeronaves, navios de superfície e submarinos inimigos.
Atualmente, a Marinha está focada nos novos navios-patrulha da Classe Macaé. As embarcações têm 54,2 metros de comprimento, comportam até 51 militares e possuem raio de ação de 5 mil km.
Três delas já estão em operação: Macaé (P70), Macau (P71) e Maracanã (P72). Já a Mangaratiba (P73) foi lançada ao mar no dia 27 de abril.
Receba nossas notícias diretamente, clique abaixo e entre no nosso grupo
Mais um VETERANO indo para o fundo do mar. *BRAVO ZULU* velho NV ARATU.