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Enquanto mundo bate recorde de US$ 2,9 trilhões em Defesa, Brasil gasta só 1,1% do PIB, menos da metade do patamar global, mesmo com projetos bilionários para financiar

Enquanto o mundo acelera o rearmamento e eleva gastos militares a níveis recordes, Brasil mantém esforço de Defesa em 1,1% do PIB, abaixo do patamar global, enquanto tenta financiar caças, fragatas, submarino nuclear e outros programas estratégicos das Forças Armadas.

Enquanto mundo bate recorde de US$ 2,9 trilhões em Defesa, Brasil gasta só 1,1% do PIB, menos da metade do patamar global, mesmo com projetos bilionários para financiar
Brasil gasta 1,1% do PIB com Defesa, menos da metade do patamar global, enquanto tenta financiar Gripen, fragatas e submarino nuclear. - Imagem: Reprodução

Enquanto países da Europa e da Ásia aceleram programas de rearmamento e o gasto militar mundial atinge níveis recordes, o Brasil permanece destinando aproximadamente 1,1% do Produto Interno Bruto à área militar.

A proporção equivale a apenas 44% do patamar global de 2,5% do PIB, criando uma diferença de 1,4 ponto percentual justamente em um momento em que guerras, tensões geopolíticas e grandes programas de modernização estão levando governos a aumentar seus orçamentos de Defesa.

Dados divulgados em 2026 pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) mostram que o gasto militar mundial alcançou US$ 2,887 trilhões em 2025, o maior valor já registrado pela instituição. Foi também o 11º ano consecutivo de crescimento.

No Brasil, houve uma reação importante: as despesas militares avançaram 13% em termos reais, chegando a US$ 23,9 bilhões.

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Mesmo assim, o esforço relativo permaneceu em 1,1% do PIB e colocou o país na 21ª posição mundial em valores absolutos.

Brasil gasta menos da metade do patamar global em relação ao PIB

A diferença aparece com clareza quando o tamanho das economias é retirado da comparação.

Em 2025, os gastos militares corresponderam a 2,5% de todo o PIB mundial.

No Brasil, foram 1,1%.

Isso significa que, proporcionalmente à economia, o esforço brasileiro corresponde a menos da metade da carga militar registrada globalmente.

A comparação não significa que todos os países destinem 2,5% de suas economias à Defesa. Existem enormes diferenças de acordo com ameaças, alianças e prioridades nacionais.

A Rússia, envolvida na guerra contra a Ucrânia, chegou a 7,5% do PIB. A Polônia destinou 4,5%. A Coreia do Sul ficou em 2,6%, enquanto a Alemanha alcançou 2,3%.

Até países historicamente mais cautelosos ampliaram seus índices. O Japão chegou a 1,4% do PIB em 2025, seu maior patamar desde 1958.

Mundo já gasta quase US$ 3 trilhões com forças militares

A distância brasileira ganha outra dimensão diante da velocidade do movimento internacional.

Os gastos militares mundiais cresceram 2,9% em termos reais em 2025, chegando aos US$ 2,887 trilhões.

Nos dez anos entre 2016 e 2025, a expansão acumulada chegou a 41%.

A Europa foi uma das regiões que mais aceleraram.

As despesas militares europeias avançaram 14% em apenas um ano, alcançando US$ 864 bilhões, pressionadas principalmente pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelas dúvidas sobre as garantias de segurança norte-americanas.

Na Ásia e Oceania, o crescimento foi de 8,1%, para US$ 681 bilhões.

Segundo o SIPRI, o movimento representa uma aceleração da expansão militar em diferentes partes da região, especialmente diante das tensões envolvendo China, Taiwan, Coreia do Norte e disputas no Indo-Pacífico.

Brasil aumentou gasto em 13%, mas ainda está distante

O quadro brasileiro não é de queda absoluta.

Pelo contrário: o aumento de 13% registrado em 2025 foi mais de quatro vezes superior ao crescimento mundial de 2,9%.

O Brasil manteve ainda a posição de maior gastador militar da América do Sul, respondendo por US$ 23,9 bilhões.

Segundo o SIPRI, a alta foi provocada principalmente por maiores investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e pela elevação das despesas com pessoal militar.

Essa distinção é importante.

“Gasto militar” não significa simplesmente dinheiro utilizado para comprar armas, caças, navios ou blindados.

A metodologia inclui despesas com pessoal e outras estruturas necessárias para manter as Forças Armadas.

Portanto, os 1,1% do PIB não representam exclusivamente recursos disponíveis para reequipamento.

Gripen, submarino nuclear e fragatas disputam recursos

O baixo esforço relativo acontece ao mesmo tempo em que o Brasil tenta manter alguns dos programas militares mais complexos de sua história.

A Força Aérea segue incorporando os caças F-39 Gripen e mantém a operação do KC-390 Millennium.

A Marinha precisa financiar simultaneamente as fragatas Classe Tamandaré, o PROSUB e o desenvolvimento do Álvaro Alberto, primeiro submarino brasileiro projetado para utilizar propulsão nuclear.

No Exército, continuam programas como SISFRON, Guarani, Astros e projetos ligados à defesa antiaérea, drones, comunicações e guerra eletrônica.

Todos exigem previsibilidade financeira durante anos ou décadas.

É justamente esse problema que passou a ocupar espaço crescente nas declarações da cúpula política e militar.

Nos últimos meses, o presidente Lula afirmou que a Defesa “não pode ser uma coisa para quando sobrar dinheiro”, enquanto comandantes militares vêm defendendo investimentos continuados na modernização e na Base Industrial de Defesa.

O contraste brasileiro em meio ao rearmamento global

O cenário produz uma situação peculiar.

Em valores absolutos, o Brasil continua sendo o país que mais gasta com suas Forças Armadas na América do Sul e aumentou significativamente as despesas em 2025.

Quando o esforço é comparado ao tamanho da economia, entretanto, o país permanece em 1,1% do PIB, enquanto a carga militar mundial chegou a 2,5%.

Ao mesmo tempo, 23 dos 32 integrantes da OTAN já destinavam pelo menos 2% de seus respectivos PIBs às despesas militares em 2025, segundo a metodologia do SIPRI.

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Alisson Ficher

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 13 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com.