Enquanto países da Europa e da Ásia aceleram programas de rearmamento e o gasto militar mundial atinge níveis recordes, o Brasil permanece destinando aproximadamente 1,1% do Produto Interno Bruto à área militar.
A proporção equivale a apenas 44% do patamar global de 2,5% do PIB, criando uma diferença de 1,4 ponto percentual justamente em um momento em que guerras, tensões geopolíticas e grandes programas de modernização estão levando governos a aumentar seus orçamentos de Defesa.
Dados divulgados em 2026 pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) mostram que o gasto militar mundial alcançou US$ 2,887 trilhões em 2025, o maior valor já registrado pela instituição. Foi também o 11º ano consecutivo de crescimento.
No Brasil, houve uma reação importante: as despesas militares avançaram 13% em termos reais, chegando a US$ 23,9 bilhões.
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Mesmo assim, o esforço relativo permaneceu em 1,1% do PIB e colocou o país na 21ª posição mundial em valores absolutos.
Brasil gasta menos da metade do patamar global em relação ao PIB
A diferença aparece com clareza quando o tamanho das economias é retirado da comparação.
Em 2025, os gastos militares corresponderam a 2,5% de todo o PIB mundial.
No Brasil, foram 1,1%.
Isso significa que, proporcionalmente à economia, o esforço brasileiro corresponde a menos da metade da carga militar registrada globalmente.
A comparação não significa que todos os países destinem 2,5% de suas economias à Defesa. Existem enormes diferenças de acordo com ameaças, alianças e prioridades nacionais.
A Rússia, envolvida na guerra contra a Ucrânia, chegou a 7,5% do PIB. A Polônia destinou 4,5%. A Coreia do Sul ficou em 2,6%, enquanto a Alemanha alcançou 2,3%.
Até países historicamente mais cautelosos ampliaram seus índices. O Japão chegou a 1,4% do PIB em 2025, seu maior patamar desde 1958.
Mundo já gasta quase US$ 3 trilhões com forças militares
A distância brasileira ganha outra dimensão diante da velocidade do movimento internacional.
Os gastos militares mundiais cresceram 2,9% em termos reais em 2025, chegando aos US$ 2,887 trilhões.
Nos dez anos entre 2016 e 2025, a expansão acumulada chegou a 41%.
A Europa foi uma das regiões que mais aceleraram.
As despesas militares europeias avançaram 14% em apenas um ano, alcançando US$ 864 bilhões, pressionadas principalmente pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelas dúvidas sobre as garantias de segurança norte-americanas.
Na Ásia e Oceania, o crescimento foi de 8,1%, para US$ 681 bilhões.
Segundo o SIPRI, o movimento representa uma aceleração da expansão militar em diferentes partes da região, especialmente diante das tensões envolvendo China, Taiwan, Coreia do Norte e disputas no Indo-Pacífico.
Brasil aumentou gasto em 13%, mas ainda está distante
O quadro brasileiro não é de queda absoluta.
Pelo contrário: o aumento de 13% registrado em 2025 foi mais de quatro vezes superior ao crescimento mundial de 2,9%.
O Brasil manteve ainda a posição de maior gastador militar da América do Sul, respondendo por US$ 23,9 bilhões.
Segundo o SIPRI, a alta foi provocada principalmente por maiores investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e pela elevação das despesas com pessoal militar.
Essa distinção é importante.
“Gasto militar” não significa simplesmente dinheiro utilizado para comprar armas, caças, navios ou blindados.
A metodologia inclui despesas com pessoal e outras estruturas necessárias para manter as Forças Armadas.
Portanto, os 1,1% do PIB não representam exclusivamente recursos disponíveis para reequipamento.
Gripen, submarino nuclear e fragatas disputam recursos
O baixo esforço relativo acontece ao mesmo tempo em que o Brasil tenta manter alguns dos programas militares mais complexos de sua história.
A Força Aérea segue incorporando os caças F-39 Gripen e mantém a operação do KC-390 Millennium.
A Marinha precisa financiar simultaneamente as fragatas Classe Tamandaré, o PROSUB e o desenvolvimento do Álvaro Alberto, primeiro submarino brasileiro projetado para utilizar propulsão nuclear.
No Exército, continuam programas como SISFRON, Guarani, Astros e projetos ligados à defesa antiaérea, drones, comunicações e guerra eletrônica.
Todos exigem previsibilidade financeira durante anos ou décadas.
É justamente esse problema que passou a ocupar espaço crescente nas declarações da cúpula política e militar.
Nos últimos meses, o presidente Lula afirmou que a Defesa “não pode ser uma coisa para quando sobrar dinheiro”, enquanto comandantes militares vêm defendendo investimentos continuados na modernização e na Base Industrial de Defesa.
O contraste brasileiro em meio ao rearmamento global
O cenário produz uma situação peculiar.
Em valores absolutos, o Brasil continua sendo o país que mais gasta com suas Forças Armadas na América do Sul e aumentou significativamente as despesas em 2025.
Quando o esforço é comparado ao tamanho da economia, entretanto, o país permanece em 1,1% do PIB, enquanto a carga militar mundial chegou a 2,5%.
Ao mesmo tempo, 23 dos 32 integrantes da OTAN já destinavam pelo menos 2% de seus respectivos PIBs às despesas militares em 2025, segundo a metodologia do SIPRI.