O comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis L. Donovan, desembarcou na Colômbia para uma rodada de encontros com a nova cúpula das Forças Armadas do país em um momento de forte mudança na estratégia militar de Bogotá contra cartéis, guerrilhas e organizações classificadas por Washington como terroristas.
A visita começou na quarta-feira (26) e tem como principal objetivo ampliar a coordenação entre os dois países em operações contra o chamado “narcoterrorismo”, termo empregado pelo governo norte-americano para enquadrar parte das organizações criminosas que atuam na região.
Segundo o próprio Comando Sul, Donovan chegou para discutir esforços conjuntos contra narcoterroristas e o fortalecimento da parceria de segurança entre Estados Unidos e Colômbia.
A aproximação ocorre poucas semanas depois de o novo governo colombiano de Abelardo de la Espriella abandonar a política de negociação adotada pela administração anterior e autorizar uma cooperação militar mais direta com Washington.
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Comandante americano vai a regiões estratégicas
A agenda de Donovan não ficará restrita às reuniões institucionais em Bogotá.
Nesta quinta-feira (27), o comandante do SOUTHCOM deve seguir para Tumaco, no departamento de Nariño, uma das regiões historicamente mais sensíveis às rotas do narcotráfico no Pacífico colombiano.
Também está prevista uma passagem por Tolemaida, onde estão algumas das principais estruturas de treinamento e operação das Forças Militares colombianas.
De acordo com a Caracol Radio, a viagem busca permitir que o general norte-americano conheça capacidades e necessidades das tropas encarregadas de combater organizações criminosas e narcotraficantes.
O movimento acontece imediatamente após a formação de uma nova cúpula militar pelo governo De la Espriella.
Colômbia entra em coalizão liderada pelos EUA
A aproximação militar ganhou velocidade depois que Bogotá ingressou na Americas Counter-Cartel Coalition, a A3C, coalizão criada sob liderança dos Estados Unidos para ampliar a cooperação regional contra cartéis e outras redes criminosas transnacionais.
A Colômbia tornou-se o 19º integrante da iniciativa, também associada ao chamado Shield of the Americas.
Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Defesa norte-americano, a coalizão prepara um plano de campanha conjunto para coordenar ações entre os países participantes contra redes criminosas em diferentes partes do continente.
Para Washington, a entrada colombiana tem peso especial.
A Colômbia possui décadas de experiência em operações contra narcotráfico, guerrilhas e grupos armados e mantém uma das estruturas militares mais robustas da América Latina.
EUA falam abertamente em operações militares conjuntas
O tom adotado pelo governo Donald Trump vai além de cooperação policial e compartilhamento de inteligência.
No início de agosto, o secretário de Defesa norte-americano Pete Hegseth afirmou que o novo governo colombiano havia autorizado operações militares conjuntas para combater organizações consideradas narcoterroristas.
Questionado especificamente sobre a possibilidade de ações contra integrantes do ELN e dissidentes das antigas Farc, Hegseth respondeu afirmativamente.
Segundo ele, organizações formalmente designadas como terroristas poderão ser consideradas “alvos legítimos” pelos Estados Unidos quando as ações ocorrerem em parceria com governos da região.
Em outra declaração, o secretário afirmou que Washington pretende aplicar no Hemisfério Ocidental técnicas aperfeiçoadas durante décadas de operações contra redes como Estado Islâmico e Al-Qaeda.
A mudança representa uma militarização significativa da estratégia norte-americana contra o narcotráfico.
MQ-9 Reaper entram na nova parceria
Outro elemento que amplia o alcance da cooperação é a previsão de incorporação de drones MQ-9A Reaper às capacidades colombianas.
Segundo informações divulgadas pela imprensa colombiana, Bogotá acertou com Washington o recebimento, por empréstimo, de três MQ-9A, destinados principalmente a missões de inteligência, vigilância e reconhecimento contra redes de narcotráfico e organizações armadas.
A Colômbia também avalia adquirir uma quarta aeronave com recursos próprios.
O Reaper é uma plataforma de grande autonomia, projetada para permanecer longos períodos no ar e acompanhar alvos em áreas extensas.
Esse tipo de capacidade é particularmente relevante em um país com regiões de selva, montanhas, corredores marítimos e extensas áreas utilizadas por organizações criminosas.
Washington aumenta pressão contra cartéis
A chegada de Donovan ocorre poucos dias depois de o próprio Comando Sul realizar um novo ataque cinético contra uma embarcação no Pacífico Oriental que, segundo os Estados Unidos, estava envolvida em narcotráfico.
A operação de 23 de agosto matou duas pessoas classificadas pelo comando como narcoterroristas.
Sob Donovan, o SOUTHCOM vem defendendo uma estratégia de pressão direta sobre as estruturas dos cartéis, buscando atingir não apenas carregamentos de drogas, mas também logística, liderança e redes operacionais.
A Colômbia passa agora a ocupar posição central nessa estratégia.
Com a chegada do chefe do Comando Sul, a entrada na coalizão regional, a possibilidade de operações militares conjuntas e a incorporação de plataformas de vigilância de longo alcance, a relação entre Washington e Bogotá entra em uma fase significativamente mais militarizada no combate às organizações criminosas.