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Novo plano de carreira da Marinha prevê até 30,5 anos para praça chegar a salário líquido médio de R$ 9,5 mil como suboficial

Documento detalha progressão das praças, estabelece o maior percurso entre fuzileiros navais e expõe o desafio de retenção reconhecido pelo comandante da Força.

Robson Augusto
Robson Augusto
Publicado 01/08/2026 às 23:18h
Novo plano de carreira da Marinha prevê até 30,5 anos para praça chegar a salário líquido médio de R$ 9,5 mil como suboficial
Almirante Olsen na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional - Agência Brasil

A Marinha do Brasil publicou a 2ª revisão do Plano de Carreira de Praças da Marinha (PCPM), documento normativo assinado em 27 de julho de 2026 que redesenha o percurso de quem ingressa na força como marinheiro ou soldado. Pelo texto, uma praça leva quase três décadas, em alguns quadros até mais, para alcançar a graduação de Suboficial, o topo do círculo de praças.

A divulgação ocorreu na mesma semana em que o comandante da força, almirante Marcos Sampaio Olsen, admitiu à CNN Brasil a dificuldade de atrair e reter militares.

Da graduação de marinheiro ao topo da carreira das praças

O PCPM organiza a hierarquia das praças de carreira, aqueles militares que prestaram concurso público par aingresso na Marinha do Brasil, em uma sequência fixa: marinheiro ou soldado, cabo, terceiro, segundo e primeiro-sargento e, por fim, suboficial. O ingresso exige ensino médio completo e aprovação em concurso, seguido de curso de formação.

Ao ser nomeada, a praça assume um compromisso inicial de três anos de serviço, prorrogável por engajamentos e reengajamentos sucessivos até a aquisição da estabilidade.

Quase três décadas até o topo

O ponto mais sensível do documento está nos chamados interstícios de planejamento, o tempo mínimo previsto em cada graduação. A Marinha fixa esses prazos de modo que a praça, em condições normais, só alcance a última graduação de seu quadro a partir do 26º ano de carreira, contado da nomeação. Na prática, o percurso completo pode superar esse piso.

No Quadro de Praças da Armada (QPA), a soma dos interstícios chega a 28 anos e 5 meses entre a graduação inicial e a de suboficial. O planejamento distribui o tempo assim: quatro anos como marinheiro, seis anos e cinco meses como cabo e seis anos em cada uma das três graduações de sargento.

Captura de tela de insterstícios de praças da Marinha do Brasil até a graduação de suboficial

Fuzileiros navais têm o caminho mais longo

Entre os fuzileiros navais, a escalada é ainda mais demorada. No Quadro de Praças de Fuzileiros Navais (QPFN), o somatório dos interstícios de planejamento alcança 30 anos e 5 meses, o maior de toda a tabela. São quatro anos como soldado, sete anos e cinco meses como cabo e prazos de seis a sete anos em cada graduação de sargento até o suboficialato.

Esses prazos, ressalva o próprio plano, podem ser reajustados anualmente pelo comandante da Marinha, conforme as necessidades do serviço e o fluxo de carreira. O cronograma funciona como um teto de planejamento, e não como garantia individual de promoção na data prevista.

O acesso ao oficialato, sem número fixo de vagas

O PCPM também descreve a ponte entre as praças e o oficialato. O documento condiciona o acesso a cursos avançados, como o Curso de Aperfeiçoamento Avançado para Praças, a requisitos como comportamento máximo, aprovação no teste físico e média de Recomendações para o Oficialato igual ou superior a 8,5.

O texto, porém, não fixa quantas vagas serão abertas. O plano estabelece que o número de vagas nos cursos do ensino naval é distribuído segundo as necessidades do serviço, critério que dá à força margem para ampliar ou reduzir as oportunidades a cada ciclo, sem compromisso prévio de quantitativo.

A divulgação do plano de carreiras e o alerta de Olsen

O momento da publicação chama atenção. Dias antes, em entrevista à CNN Brasil, o almirante Olsen reconheceu que as Forças Armadas enfrentam dificuldade para captar jovens e manter profissionais qualificados na carreira.

“Hoje, a força se ressente da captação e de permanência de pessoal. Isso demonstra uma baixa atratividade da carreira militar. Se é o aspecto geracional mercado, mas o fato é que eh hoje as forças têm dificuldade de recrutar pessoal para as forças e segundo nós temos observado, evasão de pessoal, oficiais, praças, particularmente nos postos iniciais da carreira. Hoje, se tomarmos as carreiras de estado, um oficial num posto inicial, ele percebe 50% de uma carreira de estado dessas”, disseo Almirante de Esquadra.

O comandante também apontou o contraponto que ainda sustenta a atratividade da farda: estabilidade, formação profissional, espírito de corpo e o sentido de servir ao país. É nesse cenário, de carreira longa e concorrência do setor privado, que o novo plano define os prazos de progressão das praças.

Soldo, adicionais e o que pesa na balança

A remuneração ajuda a explicar o debate. Hoje as “portas” principais para ingresso nas carreiras de praças da Marinha do Brasil são os concursos para Aprendiz de Soldado Fuzileiro Naval e Aprendiz Marinheiro, ambos os concursos oferecem após o fim da formação, um salário líquido na faixa de R$ 2,5 mil reais, considerado pouco atrativo em comparação com outras carreiras de nível médio, como guarda metropolitana e polícia militar.

Após galgar os próximos 5 degraus da carreira das praças, o militar chega a suboficial, que recebe hoje um salário bruto médio na casa dos R$ 13 mil e algo próximo de R$ 9,3 mil líquidos, a depender dos cursos realizados e local onde serve. É um patamar alcançado apenas depois de quase três décadas de serviço.

Ao detalhar prazos, cursos e condições de acesso sem prometer atalhos, o PCPM-2026 formaliza uma carreira construída para ser longa e seletiva. E devolve à mesa o desafio que o Almirante Olsen expôs em público: segurar na ativa quem leva 30 anos para chegar ao topo, com cerca de 50 anos de idade e família constituida, recebendo um salário líquido equivalente a cerca de seis salários mínimos.

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Oliveira
Oliveira
02/08/2026 10:19

O salário já é uma m€rd@ e agora com esse plano de carreira , vai só aumentar a evasão. É melhor se ASG.

Falcão
Falcão
02/08/2026 10:02

É melhor ser militar das polícias estaduais, ou PF, PRF, até guardinha civil municipal. Na PF já entram recebendo 10.000,00 mais adicionais 13.000,00
O salário é a motivação principal, estão fora da realidade dos jovens de hoje, só aqueles bem necessitados irão entrar, sem vocação e entusiasmo em ser militar.
O último que sair apague a luz, acabou.

Alexandre Daniel Santos Rochstar defasado a anos.
Alexandre Daniel Santos Rochstar defasado a anos.
02/08/2026 09:33

Tem mesmo acelerar nas promoções e também dá um bom salario do RC até o último posto indo para reserva com uma condições diguina de uma velhice.

Fabio Moreira
Fabio Moreira
02/08/2026 07:16

Só muda para pior. Marinha sendo Marinha

Mauro Ramos
Mauro Ramos
02/08/2026 00:07

O último a sair, fecha a porta e tranque os portões. Forças Armadas com esses salários não atraem mais ninguém.
E viva a Lei 13.954! Ela evidenciou o aumento do abismo salarial entre oficiais e praças!
As eleições estão aí. Precisamos ter representatividade no Congresso Nacional.
Em tempo…
1988 SD-FN = 6 Salários mínimos
2026 SO-FN = 6 SALÁRIOS MÍNIMOS

Mauro Ramos
Mauro Ramos
02/08/2026 00:06

O último a sair, fecha a porta e tranque os portões. Forças Armadas com esses salários não atraem mais ninguém.
E viva a Lei 13.954! Ela evidenciou aumento do abismo salarial entre oficiais e praças!
As eleições estão aí. Precisamos ter representatividade no Congresso Nacional.
Em tempo…
1988 SD-FN = 6 Salários mínimos
2026 SO-FN = 6 SALÁRIOS MÍNIMOS

Robson Augusto

Robson Augusto

Editor da Revista Sociedade Militar - Militar da reserva remunerada, jornalista e cientista social. Especialista em inteligência e marketing. Escreve sobre militares, geopolítica, tecnologia militar, forças armadas, polícia militar, segurança pública em geral e artes marciais, como Jiu-jitsu e MMA. Análises sobre geopolítica e política brasileira. Autor do livro Militares pela Cidadania