O AH-2 Sabre colocou pela primeira vez um helicóptero genuinamente de ataque na FAB, mas a diferença entre a cadeia logística russa e o padrão usado pela Aeronáutica transformou manutenção e suprimento em um problema que acompanhou a frota até sua retirada precoce.
Quando a Força Aérea Brasileira incorporou o AH-2 Sabre, versão nacional do russo Mil Mi-35M, em 2010, estava preenchendo uma lacuna que existia em sua aviação de asas rotativas. Pela primeira vez, o país colocava em serviço na FAB uma aeronave concebida desde a origem para combinar ataque, blindagem, poder de fogo e transporte de tropas.
Doze helicópteros foram destinados ao 2º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação, o Esquadrão Poti, instalado em Porto Velho, em Rondônia. A localização não era casual: o vetor deveria atuar justamente onde distância, fronteiras extensas e dificuldade de acesso terrestre transformam a Amazônia em um dos ambientes operacionais mais complexos do país.
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Em 2020, quando completou uma década da incorporação oficial, a própria FAB celebrava o Sabre como um salto operacional. As 12 aeronaves já acumulavam mais de 8 mil horas de voo, e a Aeronáutica destacava que o modelo havia preenchido a antiga ausência de um helicóptero genuinamente de ataque.
Pouco mais de dois anos depois, toda a frota estava fora de serviço.
Mi-35M chegou à Amazônia com canhão de 23 mm, foguetes e mísseis
Desenvolvido a partir da família soviética Mi-24, o Mi-35M mantinha uma combinação pouco comum: podia atacar alvos no solo e, ao mesmo tempo, transportar militares em seu compartimento interno.
Na configuração operada pela FAB, o AH-2 utilizava canhão de 23 mm instalado em uma torreta móvel, podia receber foguetes não guiados de 80 mm e mísseis ar-superfície Ataka. O sistema eletro-óptico GOES-342 permitia localizar e identificar alvos por imagem convencional ou termal, inclusive em operações noturnas e de baixa visibilidade.
A função planejada ia além de simplesmente possuir uma aeronave fortemente armada.
Documentação histórica produzida no âmbito da própria Aeronáutica registra que a intenção era empregar os Mi-35 ao lado dos A-29 Super Tucano no patrulhamento do espaço aéreo, especialmente na vulnerável faixa de fronteira oeste. O projeto incluía ainda armamentos e suprimentos destinados aos primeiros anos de operação.
O Esquadrão Poti passou a treinar missões de ataque, escolta, apoio aéreo aproximado, varredura, defesa aérea e supressão de defesas inimigas. Os Sabres também participaram de operações relacionadas à proteção do espaço aéreo brasileiro e chegaram a integrar o esquema de defesa durante a Copa do Mundo de 2014.
O problema não estava necessariamente no que o helicóptero conseguia fazer quando estava voando. Estava em manter um equipamento russo tão específico disponível para continuar voando.
A própria FAB registrou que o suporte logístico do AH-2 era difícil
Um documento do Comando da Aeronáutica sobre o projeto AH-2 é particularmente revelador porque o problema aparece registrado anos antes da retirada das aeronaves.
O texto informa que o Contrato nº 004/CABE/2008, firmado com a Rosoboronexport, compreendia 12 Mi-35M, simulador e treinamento para tripulações e pessoal de manutenção. Também estavam em negociação capacidades nacionais para revisões de motores, caixas de transmissão, células e rotores.
Mesmo com helicópteros relativamente novos, porém, a conclusão da própria Aeronáutica era clara: “o suporte logístico do projeto tem se revelado difícil”, principalmente porque os conceitos e os prazos russos para fornecimento e manutenção eram diferentes daqueles normalmente empregados pela FAB.
Esse é um detalhe importante para compreender o encerramento da frota.
Não se tratava simplesmente de um helicóptero que envelheceu depois de décadas de serviço. A cadeia logística já apresentava dificuldades enquanto as aeronaves ainda eram relativamente novas.
Uma publicação histórica posterior do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica foi ainda mais explícita: descreveu uma linha de suprimentos precária, componentes exclusivos, baixa disponibilidade dos helicópteros e manutenções de nível Parque consideradas extremamente caras. O documento relaciona esse cenário à decisão do COMAER de retirar o AH-2 de serviço.
Para um programa militar, esse é o ponto em que a discussão deixa de ser apenas sobre desempenho da aeronave. Uma plataforma pode ter blindagem, sensores e armamentos sofisticados, mas sua capacidade militar real depende de peças, revisões, oficinas e disponibilidade para cumprir missão.
FAB decidiu retirar os Sabres antes da invasão russa da Ucrânia
Há um detalhe cronológico que evita uma interpretação comum sobre o fim dos helicópteros brasileiros.
A decisão de retirar os AH-2 não foi provocada pelas sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia.
A desativação já havia sido determinada antes. Em fevereiro de 2022, foi divulgado que o processo começaria em 1º de março, prosseguindo gradualmente até o fim daquele ano. A invasão russa da Ucrânia começou apenas em 24 de fevereiro de 2022.
As sanções posteriores e as dificuldades internacionais de aquisição de material russo poderiam tornar a sustentação da frota ainda mais complicada, mas o problema brasileiro de logística, peças e manutenção já existia antes da guerra.
Essa diferença de datas muda a leitura histórica do episódio: o AH-2 não foi uma vítima direta da ruptura logística causada pelo conflito de 2022. Quando a guerra começou, o Brasil já havia decidido encerrar sua operação.
Doze helicópteros foram entregues em quatro lotes, mas a frota completa só ficou pronta em 2014
Outro aspecto incomum da história é o tempo necessário para completar a frota.
Embora a aquisição tenha ocorrido em 2008 e a incorporação oficial dos primeiros helicópteros tenha sido realizada em Porto Velho em abril de 2010, os 12 Sabres chegaram em quatro lotes de três aeronaves. O último grupo foi recebido apenas no final de 2014.
Isso significa que, para os últimos exemplares, a carreira operacional brasileira foi ainda mais curta do que os aproximadamente 12 anos normalmente associados à história do Sabre no país.
Quando o encerramento foi determinado, em 2022, algumas células tinham passado menos de uma década compondo a frota completa.
A comparação chama atenção porque aeronaves militares de asas rotativas frequentemente permanecem em serviço durante décadas, desde que atualizações, manutenção e sustentação logística continuem viáveis. No caso brasileiro, foi justamente essa sustentação que se tornou o ponto crítico.
Quanto o Brasil realmente gastou com os AH-2 Sabre?
Aqui existe uma divergência importante nas fontes históricas.
Algumas referências internacionais registram a encomenda inicial dos 12 Mi-35M em aproximadamente US$ 150 milhões.
Reportagens brasileiras da época e posteriores mencionam valores em torno de US$ 250 milhões para a aquisição.
Já a documentação oficial relativa ao Contrato nº 004/CABE/2008, que abrangia não apenas as células das aeronaves, mas itens vinculados ao programa, apresenta dimensão financeira muito maior. Um termo aditivo publicado oficialmente registra valor contratual total de aproximadamente US$ 363,4 milhões.
Por isso, tratar qualquer desses números como se representasse exatamente a mesma coisa pode induzir o leitor ao erro. O valor de cerca de US$ 150 milhões aparece associado à encomenda das aeronaves em determinadas fontes; o contrato brasileiro mais amplo envolveu também outros itens e alcançou montante superior.
Em 2022 terminou uma capacidade que a própria FAB dizia ter preenchido uma lacuna
A retirada do Mi-35M produziu uma situação peculiar.
Em 2020, a FAB dizia que o Sabre havia preenchido uma lacuna operacional ao entregar ao Esquadrão Poti uma aeronave genuinamente de ataque. Dois anos depois, essa mesma frota era retirada de serviço.
Estudo acadêmico recente publicado na estrutura de ensino da própria Aeronáutica voltou ao assunto ao analisar capacidades ofensivas da aviação de asas rotativas. O trabalho observa que a retirada do AH-2 representou perda relevante para missões que exigem emprego de armamento e afirma que essa lacuna ainda não havia sido integralmente suprida.
O ciclo brasileiro do Mi-35M acabou, assim, muito antes de sua aparência robusta sugerir: comprado para levar poder de fogo às extensas fronteiras amazônicas, tornou-se o primeiro helicóptero dessa categoria na FAB, acumulou milhares de horas de voo e terminou imobilizado por uma combinação em que a logística pesou tanto quanto o desempenho de combate.
Hoje, o Sabre é sobretudo um capítulo da história da aviação militar brasileira — e um exemplo de como, em compras de defesa, adquirir a plataforma é apenas o começo; conseguir sustentá-la por décadas pode ser a parte mais difícil do programa.
2022 !!!!
Quem gov o país?
Abandonar essas máquinas é um crime, talvez por serem russas tenha ávido algum impedimento.
Agora foram atrás de helicópteros americanos usados sem permissão de transferência tecnológica.
Duvido que não existam peças.
Essas “máquinas” foram feitas para voar na Sibéria, onde as temperaturas variam de 6°C a -4°C e estão voando na Amazônia onde as temperaturas podem chegar a 40°C. A conta não fecha.
Estás máquinas operaram no Afeganistão, Síria e África. Brasil e paraíso comparado ao clima destes outros lugares
O presidente de 2019 a 2022, que comprou os helicópteros sabendo claramente que a Russia is invadir a Ucrânia, e governou até 2022. 2022 foram as eleições para 2023 a 2026
Helicópteros comprados no governo dos saqueadores do país, justamente de onde, Rússia, comunista como ele. O resultado não tinha como ser diferente.
E foi comprado em que governo ? Do larapio,sempre com negócios no suspeitos sem pensar no depois . Nos documentos 150 milhões , mas o valor real superfaturado , sem pensar no pós.
Realmente, Lula cobrou U$1,00 por vacina, criou o orçamento secreto que desvia centenas de bilhões, esquema do MEC, pastores roubando ouro, tratolão, entrega de refinarias e etc. De 2019-22
Rapaz se fosse a china ja tinha feito engenharia reversa, o brasil tinha que levar um desse pro ita e pedir os engenheiros pra fazer engenharia reversa e manter as máquinas funcionando.
Tinha não TEM QUE FAZER !! Somos muito capazes e temos grande engenheiros.
Parabéns, um país sem indústria totalmente dependente de importações vai muito longe. Só não invadiram o Brasil ainda porque aqui tudo é entregue sem nem precisar ameaçar.
O Brasil poderia ele mesmo produzir as peças de suprimentos. A gente tem que ser mais independente
Desenvolver peças para 12 helicópteros??? Sabe o custo disso??? Acho que você pensa que fabricar peças de helicópteros e que nem fazer pãozinho na padaria. Tenha dó.
Vai brasa, vai brasa.
É lamentável que este fato tenha tornado se realidade pois o Brasil precisa de maior força militar em uma de grande insegurança Mundial.
Até hoje me pergunto : Quem se beneficiou com essa operação? Quando as primeiras informações chegaram, sobre a aquisição, disse para mim mesmo que não via com bons olhos ,por conta das dificuldades que outros países estavam passando com manutenção e peças.Então, por que com o Brasil seria diferente??? E não foi !Todo mundo sabia! A FAB principalmente.
Quando pensamos em industria bélica temos que desenvolver nossa tecnologia e autonomia e não depender de ninguém, temos todos os recursos para isso, porém, não temos governança.
É a ideologia petista que mais uma vez consome dinheiro público sem pensar em consequências!
Temos pessoas competências para desenvolvimento de novas tecnologias e sermos auto suficientes mas não tem investimento nescessário e e ainda tem a corrupção que é o grande problema.