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Marinha dos EUA encomenda 30 navios não tripulados por cerca de US$ 1,2 bilhão após testes de 26 horas com apenas um comando e mais de 360 milhas de navegação autônoma

A Marinha dos EUA vai receber 30 navios não tripulados após testes de autonomia no mar. O lote tem custo médio de US$ 40 milhões por unidade, e os primeiros MUSVs podem ser entregues ainda no ano fiscal de 2027.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 01/10/2026 às 19:06
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Marinha dos EUA encomenda 30 navios não tripulados por cerca de US$ 1,2 bilhão após testes de 26 horas com apenas um comando e mais de 360 milhas de navegação autônoma
Sea Hunter e Sea Hawk, embarcações não tripuladas de médio porte da Marinha dos EUA, navegam durante o exercício UxS IBP 21. Crédito: U.S. Navy / Petty Officer 2nd Class Thomas Gooley.

A Marinha dos Estados Unidos decidiu acelerar a entrada de 30 navios não tripulados de médio porte em sua frota depois de concluir uma rodada de testes no mar. Saronic, HII e Galliano Marine Service receberam acordos para construir dez embarcações cada, com custo médio informado de US$ 40 milhões por unidade. Pela conta do valor médio, o lote chega a cerca de US$ 1,2 bilhão.

Os novos Medium Unmanned Surface Vessels, conhecidos pela sigla MUSV, entram em produção imediatamente e as primeiras entregas podem começar no quarto trimestre do ano fiscal de 2027. Os cascos foram pensados para receber sensores, armas e cargas de missão sem exigir uma tripulação permanente a bordo.

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A escolha veio após testes que cobraram autonomia no oceano, navegação com pouca intervenção humana e capacidade de permanecer em missão por mais de um dia. A Marinha dos EUA confirmou que Galliano Marine Services, HII e Saronic Technologies dividirão a primeira produção em partes iguais.

Trinta navios-drone saem do teste e entram em produção ao mesmo tempo

A primeira fase começou como uma disputa de protótipos e terminou com três fabricantes escolhidos para produção. Segundo a USNI News, os estaleiros ficam na Louisiana e a construção deve avançar em Loreauville, Houma e Franklin.

Saronic, HII e Galliano recebem dez unidades cada, enquanto Leidos, PacMar Technologies e Sea Machines, que também cumpriram os requisitos da fase de testes, entram no Maritime Marketplace do Departamento de Defesa e permanecem aptas a disputar encomendas posteriores.

Trinta unidades a um custo médio de US$ 40 milhões colocam a primeira rodada de produção perto de US$ 1,2 bilhão. A Marinha passa de protótipos experimentais para dezenas de cascos, com entregas previstas antes do fim do ano fiscal de 2027.

Teste exigiu mais de 360 milhas com apenas um comando em cerca de 26 horas

Antes da seleção, os concorrentes precisaram provar que seus sistemas conseguiam navegar por longos períodos com intervenção humana mínima. A avaliação incluiu uma missão de aproximadamente 26 horas e mais de 360 milhas náuticas, durante a qual apenas uma entrada do posto de comando e controle era permitida.

A Marinha também avaliou se os navios conseguiam perceber o ambiente ao redor, seguir regras internacionais para evitar colisões e sustentar missões prolongadas. Durante esse percurso, o sistema autônomo precisava interpretar o tráfego marítimo e manter a navegação sem receber uma sequência constante de comandos.

Dois operadores da Marinha dos EUA trabalham em estações de computador usadas no preparo dos navios não tripulados Sea Hunter e Sea Hawk.
Operadores preparam o lançamento dos navios não tripulados Sea Hunter e Sea Hawk durante o UxS IBP 21. Crédito: U.S. Navy / Petty Officer 2nd Class Thomas Gooley.

Na fase inicial, a referência de desempenho pedia uma embarcação capaz de alcançar 2.500 milhas náuticas a 25 nós em estado de mar 4 e transportar até 25 toneladas métricas distribuídas em pelo menos dois contêineres de 40 pés. Esses contêineres permitem trocar cargas e adaptar a mesma plataforma a missões diferentes.

Marauder da Saronic chega a 180 pés e pode carregar até 150 toneladas

Entre os três projetos escolhidos está o Marauder, da Saronic. A empresa informa que a embarcação mede 180 pés, cerca de 55 metros, atinge mais de 25 nós em velocidade máxima e pode levar até 150 toneladas métricas em configurações modulares. Com carga-base de 25 toneladas, o alcance divulgado chega a 5.400 milhas náuticas.

A carga máxima divulgada pela Saronic é seis vezes maior que o requisito de 25 toneladas usado na primeira fase. O casco aceita quatro contêineres ISO de 40 pés, oito de 20 pés ou outras configurações modulares, abrindo espaço para diferentes sensores e equipamentos.

A Saronic já havia colocado o Marauder em testes no mar e agora aparece entre as empresas que receberão encomenda de dez MUSVs. A fabricante concentra a produção em Franklin, Louisiana, onde ampliou sua estrutura para construir embarcações autônomas em série.

ROMULUS completou missão de 420 milhas durante 28 horas

A HII entra no lote com dez unidades da família ROMULUS. Em seu anúncio do contrato, a empresa informou que o sistema de autonomia Odyssey foi testado durante uma avaliação de 13 dias acompanhada pela Marinha e completou uma missão de 420 milhas náuticas em 28 horas.

O software foi desenvolvido para perceber o entorno, navegar, administrar sistemas de bordo e cargas úteis, coordenar operações com outras plataformas e executar missões com intervenção humana limitada. A produção terá apoio de empresas da Costa do Golfo, incluindo Breaux Brothers Enterprises e Halimar Shipyard, na Louisiana.

A HII também ampliou sua infraestrutura para sistemas não tripulados. A empresa anunciou expansão de 10 mil pés quadrados em um campus de produção que já possuía 40 mil pés quadrados, buscando aumentar a capacidade de fabricar e integrar veículos autônomos de superfície e submarinos.

Marinha quer trocar cargas e armas sem redesenhar o navio

A Marinha quer usar os MUSVs como bases modulares capazes de receber rapidamente sensores, armas e outras cargas de missão à medida que novas necessidades surgirem. A campanha de capacidades conteinerizadas prevê que módulos diferentes possam ser integrados ao mesmo tipo de plataforma.

Essa arquitetura distribui sensores e cargas por mais cascos e permite enviar embarcações sem tripulação a missões nas quais a exposição humana seria maior. Os MUSVs continuam ligados a redes de comando, manutenção e logística e precisam operar ao lado de unidades tripuladas, mas podem executar longos trechos de navegação com pouca intervenção.

Sea Hunter, embarcação não tripulada da Marinha dos EUA, navega diante da costa de Pearl Harbor durante o RIMPAC 2026.
Sea Hunter deixa Pearl Harbor para a fase marítima do RIMPAC 2026, no Havaí. Crédito: U.S. Navy / Petty Officer 1st Class Kyle Carlstrom.

O programa já avançou para uma segunda fase. A Marinha abriu em 23 de setembro uma nova chamada para ampliar o Maritime Marketplace, aceitar outros tipos de embarcações e testar configurações diferentes. Segundo a USNI News, avaliações da fase dois podem começar em 16 de novembro de 2026 e seguir de forma contínua pelos próximos cinco anos.

Primeiras entregas são esperadas antes do fim do ano fiscal de 2027

Com 30 unidades encomendadas, três grupos de produção e novos concorrentes entrando no mercado, a Marinha americana começa a transformar a experiência dos protótipos em uma frota maior. O cronograma prevê os primeiros navios antes do fim do ano fiscal de 2027, enquanto a fase dois amplia o número de fornecedores e formatos disponíveis.

Os fabricantes agora precisam repetir em dezenas de cascos a autonomia demonstrada por 26 e 28 horas nos testes, integrar cargas modulares e cumprir o calendário de entrega. O desempenho dessas primeiras 30 unidades mostrará quanto da navegação autônoma testada no mar pode ser sustentada em operação regular de frota.

O que você pensa sobre uma frota com dezenas de navios autônomos operando ao lado de embarcações tripuladas? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.

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