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Única mulher no corredor da morte sobrevive a duas injeções letais e tem execução suspensa no Tennessse, nos EUA, enquanto o apoio à pena atinge o menor patamar em 50 anos no país

Vinte e nove detentos já foram executados nos Estados Unidos em 2026, após aguardarem por até 39 anos no corredor da morte

Fernando B.
Por Fernando B. Atualizado em 01/10/2026 às 18:46·publicado em 01/10/2026
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Única mulher no corredor da morte sobrevive a duas injeções letais e tem execução suspensa no Tennessse, nos EUA, enquanto o apoio à pena atinge o menor patamar em 50 anos no país
Em 2026, um total de 29 detentos foram executados em seis estados dos Estados Unidos. Foto: Departamento de Correção

O governador do Estado do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão das execuções previstas no estado americano até o fim do ano e pediu uma revisão dos procedimentos após uma mulher que estava no “corredor da morte” sobreviver à aplicação de duas injeções letais no fim de setembro. A americanca Christa Pike seria a primeira mulher a receber a pena de morte no estado após mais de 200 anos.

Pike, de 50 anos, foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, e sentenciada à morte. A sua tentativa de execução foi descrita por jornalistas como “caótica”, após um apelo da defesa à Suprema Corte para suspender o procedimento ser rejeitado no último momento.

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Segundo relatou a NBC, os advogados disseram que Pike “não perdeu a consciência e ainda apresentava batimentos cardíacos”, e as cortinas da câmara de execução “foram fechadas duas vezes” para as testemunhas presentes. A execução aconteceria na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville.

No estado, as execuções de prisioneiros condenados à morte podem ter a presença da mídia, de familiares de pessoas afetadas pelo crime e de familiares do condenado.

Em comunicado público, o Departamento de Correções do Tennessee afirmou que “seguiu todas as etapas do protocolo de execução legal e estabelecido pelo Estado, aprovado pela Procuradoria-Geral”. Segundo a autoridade, o agente químico de injeção letal previsto no protocolo tem se mostrado consistentemente eficaz, e o protocolo não prevê procedimentos adicionais além daqueles realizados na noite da execução.

Após a execução da prisioneira falhar, Christa Pike foi transferida para uma unidade médica externa, e segundo atualizações, permanecia em estado crítico.

Governador do Tennesse foi a público

O governador do Tennessee, o republicano Bill Lee, foi a público após o incidente e disse que estava “profundamente desapontado” pelo ocorrido. Ele disse que cumprir uma sentença judicial está entre as responsabilidades mais importantes do Estado, e que o povo do Tenenessee deteminou que a pena de morte é a “punição apropriada para os crimes mais hediondos”.

Lee afirmou que população espera que essas sentenças sejam cumpridas adequadamente, de maneira legal, constitucional e efetiva. Ele disse que a falha na execução de Christa Pike será investigada, e o protocolo do Departamento de Correção do estado também passará por uma revisão completa.

O episódio provocou reações internacionais. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que as autoridades americanas não façam uma nova tentativa de executar a detenta, e disse que o caso de Pike expõe “múltiplas razões pelas quais a pena de morte deveria ser abolida”.

Cadeira elétrica ainda é utilizada

O caso de Christa Pike é o segundo caso de falha na execução de um prisioneiro no estado do Tennesse neste ano. Em maio, a execução de outro detento foi cancelada depois que profissionais responsáveis não conseguiram encontrar uma veia após mais de uma hora de procedimento.

O estado é um dos poucos dos Estados Unidos que ainda utilizam a cadeira elétrica como método de execução, instaurado em 1913 no lugar do enforcamento. A partir de 2000, a injeção letal foi estabelecida como principal método, mas a legislação estadual permite que pessoas condenadas à morte antes de 1999 escolham a cadeira elétrica como alternativa.

Desde 2018, cinco detentos optaram pela alternativa da cadeira elétrica no Tennesse.

No caso da injeção letal, o protocolo de três drogas normalmente começa com um anestésico ou sedativo, seguido por uma segunda droga para paralisar o prisioneiro e uma terceira droga — geralmente cloreto de potássio — para parar o coração do prisioneiro. A primeira droga usada varia de acordo com o estado.

Até 39 anos no corredor da morte

Segundo o Centro de Informações sobre Pena de Morte, um total de 29 detentos já foram executados em seis estados dos Estados Unidos em 2026. Eles tinham idades entre 40 e 80 anos. O intervalo entre a sentença de morte e a execução da pena desses prisioneiros chegou a 39 anos.

Foi o caso de Dennis Sochor, de 74 anos, o prisioneiro mais velho a ser executado no estado da Flórida. Ele chegou ao corredor da morte na década de 1980 e foi condenado pelo assassinato e sequestro de Patricia Gifford, de 18 anos, após uma festa de Ano Novo em Fort Lauderdale.

A Flórida é o estado americano que mais aplicou a pena de morte em 2026, com 16 execuções. Em seguida vem o Texas, com seis, Oklahoma, com três execuções, Alabama, com duas, e Tennesse e Arizona, com uma execução cada. Eesses estados formam a base mais conservadora dos Estados Unidos, com índices altos de prevalência de apoio ao Partido Republicano.

Na maioria dos casos, a sentença de morte é declarada por assassinato, mas estupro e estupro seguido de morte também estão entre os crimes aos quais a pena de morte mais é aplicada no país.

Pena de morte tem menor apoio da história

Apesar das controvérsias ao longo dos anos, a maioria dos americanos ainda apoia a pena de morte, embora a margem de apoio tenha caído e chegado, em 2026, a níveis historicamente baixos. O apoio à pena capital alcançou os níveis mais baixos documentados desde 1972, ano em que a Suprema Corte americana suspendeu temporariamente as execuções no país.

Uma maioria estreita de 52% dos participantes da pesquisa anual da Gallup sobre Valores e Crenças afirmou ainda considerar a pena de morte moralmente aceitável, uma queda em relação ao mínimo histórico anterior de 54%, registrado na pesquisa da organização em 2020.

A porcentagem de americanos que consideram a pena de morte moralmente inaceitável subiu para 39%. O apoio caiu drasticamente nas últimas duas décadas, saindo de um pico de 71% dos entrevistados em 2006.

Em comparação, em 1990, 80% dos americanos eram a favor da pena de morte. O país atingiu o auge no número de execuções de prisioneiros em 1999, com 98 mortes, e o número veio caindo nos anos seguintes.

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