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Chefe da Força Aérea questiona quem autorizaria e controlaria militares dos EUA em base do Equador e, dois dias depois, presidente encerra suas funções no comando

Comandante da Força Aérea do Equador pediu esclarecimentos formais sobre presença militar dos EUA na Base de Taura e deixou o comando apenas 48 horas depois, em uma sequência que levantou dúvidas no país.

Marcos
Por Marcos 29/09/2026 às 12:13
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Chefe da Força Aérea questiona quem autorizaria e controlaria militares dos EUA em base do Equador e, dois dias depois, presidente encerra suas funções no comando
Comandante da Força Aérea do Equador pediu esclarecimentos formais sobre presença militar dos EUA na Base de Taura e deixou o comando apenas 48 horas depois, em uma sequência que levantou dúvidas no país.

Dois aviões militares americanos pousam em uma das bases aéreas mais importantes do Equador. No dia seguinte, o próprio comandante da Força Aérea coloca no papel uma série de perguntas sobre quem autorizaria, controlaria e fiscalizaria a presença dos Estados Unidos naquela instalação. Apenas 48 horas depois, ele já não estava mais no comando. A sequência ocorreu em setembro e abriu uma pergunta inevitável no país: o que aconteceu dentro da cúpula militar equatoriana?

O personagem no centro do episódio é o tenente-general Mauricio Xavier Salazar Machuca, que comandava a Força Aérea Equatoriana.

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Em 8 de setembro de 2026, Salazar enviou formalmente ao Comando Conjunto das Forças Armadas um documento relacionado às operações temporárias que militares americanos pretendiam realizar a partir da Base Aérea de Taura, na província de Guayas.

O conteúdo não representava uma ordem para expulsar os americanos nem uma ruptura com Washington.

Mas mostrava que o chefe da Força Aérea queria respostas antes de permitir que a cooperação avançasse dentro de uma instalação estratégica do país.

Salazar pediu que fossem definidos os mecanismos jurídicos e operacionais para as atividades americanas, além de responsabilidades, níveis de decisão, procedimentos de planejamento, execução, segurança, supervisão e controle.

E deixou outro ponto particularmente sensível registrado por escrito: a Força Aérea Equatoriana deveria manter o controle operacional e administrativo de Taura.

Americanos chegaram a Taura um dia antes das perguntas do comandante

Mauricio Salazar, então comandante-geral da Força Aérea Equatoriana, durante cerimônia militar diante de tropas e de uma aeronave da instituição. Dois dias após enviar questionamentos formais sobre o uso da Base Aérea de Taura por forças dos EUA, ele deixou o comando. Fonte: Força Aérea Equatoriana / divulgação.
Mauricio Salazar, então comandante-geral da Força Aérea Equatoriana, durante cerimônia militar diante de tropas e de uma aeronave da instituição. Dois dias após enviar questionamentos formais sobre o uso da Base Aérea de Taura por forças dos EUA, ele deixou o comando. Fonte: Força Aérea Equatoriana / divulgação.

A cronologia torna o episódio ainda mais incomum.

Em 7 de setembro, dois MV-22B Osprey do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos pousaram justamente na Base Aérea de Taura.

As aeronaves americanas estavam apoiando operações militares equatorianas contra mineração ilegal na Amazônia e podiam transportar tropas, equipamentos e cargas até áreas de difícil acesso.

No dia seguinte à chegada dos Osprey, Salazar colocou suas preocupações no papel.

O comandante queria saber como seria operacionalizada uma cooperação que poderia envolver não apenas voos temporários de apoio, mas também pessoal americano utilizando e adaptando partes da infraestrutura da base.

A questão não era pequena.

O artigo 5º da Constituição do Equador estabelece restrições à instalação de bases militares estrangeiras e à entrega de instalações militares nacionais para forças armadas de outros países.

Era exatamente nesse terreno delicado que a carta do comandante se movimentava.

Salazar não estava dizendo simplesmente “não” aos Estados Unidos.

Ele estava perguntando, formalmente, quem mandaria, quem autorizaria e quem controlaria o que os americanos fariam dentro de Taura.

Fez as perguntas em 8 de setembro; em 10 de setembro já estava fora do comando

Dois dias depois aconteceu o fato que transformou uma discussão administrativa em uma história muito maior.

Em 10 de setembro, o presidente equatoriano Daniel Noboa assinou o Decreto Executivo nº 496 e encerrou as funções de Mauricio Salazar como comandante-geral da Força Aérea.

No lugar dele entrou o brigadeiro-general Mauro Enrique Pablo Julián Bedoya Avilés.

O decreto agradeceu a Salazar pelos serviços prestados ao país, mas não apresentou uma explicação específica para a retirada do oficial da principal função da Força Aérea.

A sequência, portanto, ficou registrada desta maneira:

7 de setembro: aeronaves militares dos EUA chegam a Taura.

8 de setembro: o comandante da Força Aérea exige por escrito definições sobre a operação americana na base.

10 de setembro: o presidente encerra suas funções e coloca outro general no comando.

É a proximidade entre esses acontecimentos que levou a imprensa equatoriana a levantar questionamentos sobre a abrupta saída do oficial.

Não existe, porém, até agora, documento público demonstrando que Salazar tenha sido afastado por ter feito as perguntas sobre os Estados Unidos.

Essa distinção é fundamental.

Mas ela não elimina a coincidência extraordinariamente curta entre o ofício e a troca no topo da Força Aérea.

Documento revela que troca de comando já vinha sendo preparada

Existe ainda um detalhe que impede qualquer conclusão simples sobre o caso.

O próprio Decreto nº 496 registra que o Ministério da Defesa havia encaminhado ao Executivo, em 11 de agosto de 2026, uma lista de generais da Força Aérea para que o presidente escolhesse o novo comandante.

Isso aconteceu quase um mês antes da carta de Salazar sobre Taura.

Portanto, existem duas informações verdadeiras ao mesmo tempo.

A primeira é que o governo já possuía desde agosto os nomes necessários para realizar uma mudança no comando.

A segunda é que a troca efetivamente aconteceu apenas dois dias depois de Salazar colocar por escrito uma série de condições e questionamentos sobre o emprego de militares americanos em Taura.

Não há prova pública suficiente para ligar uma coisa à outra.

Mas a sequência permanece politicamente e militarmente relevante.

Comandante queria garantir que Taura continuasse nas mãos do Equador

O ponto mais delicado do ofício talvez esteja justamente na preocupação com o comando da instalação.

Segundo o documento revelado pela imprensa equatoriana, qualquer modificação feita para receber pessoal ou meios americanos deveria ser temporária, previamente autorizada e sem retirar da FAE o controle operacional e administrativo da base.

Em outras palavras, Salazar queria estabelecer limites antes que a cooperação avançasse.

Taura não é apenas uma pista onde aviões estrangeiros ocasionalmente pousam.

É uma instalação da própria estrutura de defesa aérea do Equador.

Permitir que forças estrangeiras utilizem infraestrutura desse tipo inevitavelmente coloca sobre a mesa questões de soberania, comando, responsabilidade jurídica e autoridade militar.

E foi justamente sobre essas questões que o então comandante decidiu produzir um registro formal.

Dois dias depois, deixou de ser comandante.

Não há prova de represália, mas as datas colocam o episódio sob escrutínio

É tentador transformar essa história em uma relação simples de causa e efeito:

questionou os americanos e foi demitido.

Até agora, os documentos disponíveis não permitem fazer essa afirmação como fato.

O processo formal para substituir o comandante já havia começado antes da carta, e o Decreto nº 496 não associa a troca de comando ao questionamento sobre Taura.

Por outro lado, também seria impossível ignorar a sequência.

Um chefe de Força coloca por escrito preocupações sobre operações estrangeiras dentro de uma base estratégica.

Quarenta e oito horas depois, o governo encerra suas funções.

Nenhuma explicação específica sobre o motivo aparece no decreto.

Essa combinação é suficiente para transformar uma alteração de comando que poderia passar quase despercebida em um episódio cercado de perguntas sobre soberania, cooperação militar com Washington e o que realmente estava sendo negociado para a Base Aérea de Taura.

O que os documentos comprovam é a cronologia.

O que eles ainda não respondem é se a proximidade entre a carta de Mauricio Salazar e sua saída foi apenas coincidência ,ou se havia muito mais acontecendo nos bastidores da Força Aérea equatoriana.

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