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Comandante da Marinha na reserva e candidato a senador menciona falta de verba para campanha: empate nas pesquisas com candidato que recebeu mais de R$ 2 milhões é motivo de comemoração

Comandante da Marinha que disputa o Senado pelo Rio de Janeiro aparece com 2% no Datafolha. Caso ilustra um padrão de candidaturas militares, sem dinheiro de seus próprios partidos

Robson Augusto
Por Robson Augusto Atualizado em 14/09/2026 às 13:17·publicado em 14/09/2026
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Comandante da Marinha na reserva e candidato a senador menciona falta de verba para campanha: empate nas pesquisas com candidato que recebeu mais de R$ 2 milhões é motivo de comemoração
Ribeiro Afonso aponta que tem pouca verba para a campanha política, mas mesmo assim teria crescido nas pesquisas

A eleição de 2026 acumula casos de candidatos de origem militar que dizem disputar o pleito sem recursos suficientes de seus próprios partidos. Um dos episódios mais explícitos é o do major aviador Emmanuel Novaes, em Roraima. Outro, é o do comandante Ribeiro Afonso, oficial da Marinha que disputa uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro e vem usando as redes sociais para lamentar a falta de recursos para a campanha.

O caso Emmanuel Novaes em Roraima

Emmanuel Novaes é piloto de caça da Força Aérea Brasileira, com 23 anos de serviço, e candidato a deputado federal por Roraima pelo PL. Segundo reportagem da Revista Sociedade Militar, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, teria retirado a candidatura de Novaes da chapa por resolução interna, atendendo a um pedido do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

A motivação apontada inicialmente pelo Jornal Folha de São Paulo, foi a repercussão das críticas públicas de Novaes à cúpula da Aeronáutica, sobre a redução das horas de voo da FAB, que caíram de 119 mil em 2021 para 82 mil em 2026, e sobre atritos com o comando da força.

Novaes contestou a exclusão na Justiça Eleitoral e por enquanto tem se sagrado vencedor. O TRE de Roraima rejeitou por unanimidade, em 10 de setembro de 2026, os recursos do PL contra o registro de sua candidatura, mas o partido recorreu ao TSE e o caso segue em aberto.

Mesmo com a candidatura mantida, Novaes segue na disputa sem receber dinheiro do próprio partido.

Ribeiro Afonso e a reclamação sutil nas redes

No Rio de Janeiro, o cenário é diferente, mas a queixa é parecida. Cleber Ribeiro Afonso, capitão de mar e guerra da reserva e ex-fuzileiro naval, concorre a uma das duas vagas ao Senado pelo Democrata, sob o número 350.

Ele não foi expulso de partido nenhum. Mas, em publicações recentes no Instagram, sua campanha usa um tom de queixa velada para descrever a própria situação financeira: a peça publicada lista, em sequência, “sem tempo na TV”, “sem fundo partidário” e “sem as grandes mídias”, antes de emendar que a campanha segue “com a força do povo”.

A reclamação é suavizada por um verniz de superação, mas ainda assim é uma queixa. A legenda tem historicamente uma fatia pequena do fundo partidário e do fundo eleitoral, o que também afeta outros candidatos do Democrata nesta eleição, padrão comum entre partidos menores, que tendem a concentrar recursos em poucos nomes competitivos.

Sem tempo na TV, sem fundo partidário e sem as grandes mídias, mas com a força do povo só crescemos“, diz o militar e candidato a senador.

O que mostra a pesquisa Datafolha

A pesquisa Datafolha para o Senado no Rio de Janeiro, feita entre 8 e 10 de setembro de 2026 com 1.204 entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais, mostra Benedita da Silva, do PT, na liderança, com 18%. Carlos Jordy e Carlos Portinho, do PL, somam 10% cada.

O comandante Ribeiro Afonso aparece na oitava colocação, com 2%, empatado com Marcos Dias, do Podemos.

O dinheiro vem do mesmo fundo público, mas chega desigual

O Fundo Eleitoral, principal fonte de financiamento das campanhas de 2026, é dinheiro público, do orçamento da União, distribuído aos partidos por critérios como tamanho da bancada no Congresso e votação obtida em eleições anteriores. Na prática, isso concentra a maior parte da verba em poucas siglas.

Segundo a Gazeta do Povo, o PL recebeu nacionalmente R$ 881,7 milhões do fundo em 2026, e o PT, R$ 615,4 milhões. O Democrata, partido de Ribeiro Afonso, recebeu R$ 3,3 milhões para todo o país, valor que precisa ser dividido entre seus candidatos em todos os estados e a todos os cargos.

No Rio de Janeiro, dados parciais do sistema DivulgaCandContas, do TSE, acessados pela reportagem da Revista Sociedade Militar em 14 de setembro de 2026, mostram Carlos Portinho com 5.2 milhões e Carlos Jordy, com R$ 4,75 milhões em repasses do próprio partido. Benedita da Silva, do PT, aparece com cerca de R$ 5,3 milhões. Ribeiro Afonso aparece como não tendo recebido recursos do partido e usando R$ 7,6 mil, entre doações próprias e de outras pessoas.

O volume de recursos aplicado em propaganda tende, historicamente, a se traduzir em mais reconhecimento de nome e mais intenção de voto. No Datafolha de setembro, os dois nomes com maior captação já registrada, Jordy e Portinho, aparecem também entre os líderes, com 10% cada.

Ribeiro Afonso, cuja legenda recebeu zero de recursos, soma 2% nas pesquisas eleitorais e aparece emparado com o candidato Marcos Dias, do PODEMOS, que recebeu R$ 2,8 milhões em recursos de campanha, valor bem acima do que o Democrata tem disponível para todo o país.

Uma aposta em votos de fardados difícil de confirmar

A campanha de Ribeiro Afonso cita publicamente um público prioritário de 268 mil famílias de militares das Forças Armadas no Rio de Janeiro, com potencial de votos que ultrapassaria a marca de 700 mil caso parte relevante desse eleitorado vote de forma organizada.

Trata-se de estimativa feita por candidatos militares, não de dado consolidado por instituto de pesquisa ou por levantamento independente sobre o comportamento eleitoral desse grupo específico.

Uma reportagem da Revista Sociedade Militar de agosto de 2026 trouxe um número parecido para o conjunto de candidaturas de perfil militar no estado: cerca de 260 mil famílias de integrantes das Forças Armadas, somadas a outros grupos de fardados e seguranças privados, aproximando o potencial total de 1 milhão de eleitores.

Padrão que se repete em outros estados

Os casos de Novaes e Ribeiro Afonso ilustram uma dificuldade recorrente entre candidatos militares nesta eleição, com pouca penetração no ambiênte político e em partidos e estados diferentes: disputar espaço e recursos dentro de legendas que priorizam outros nomes. Em Roraima, o atrito chegou à Justiça Eleitoral. No Rio, por ora, fica registrado como queixa velada nas redes sociais.

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