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Durante 31 anos, P-16 da FAB operaram no porta-aviões Minas Gerais, fizeram 14.072 pousos diurnos, 2.674 à noite e 2.944 catapultagens em missões antissubmarino

Entre 1965 e 1996, os P-16 Tracker da FAB operaram no porta-aviões Minas Gerais em 1.382 dias de mar, com 14.072 pousos diurnos, 2.674 noturnos e 2.944 catapultagens até o último pouso do FAB 7034 em 1996.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 23/09/2026 às 12:40
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Durante 31 anos, P-16 da FAB operaram no porta-aviões Minas Gerais, fizeram 14.072 pousos diurnos, 2.674 à noite e 2.944 catapultagens em missões antissubmarino
P-16 Tracker da FAB realiza pouso enganchado no porta-aviões Minas Gerais durante a UNITAS XXV, em 1984. Crédito: JOCS Kirby Harrison, USN / Wikimedia Commons.

Durante mais de três décadas, os P-16 Tracker da FAB no porta-aviões Minas Gerais fizeram algo que hoje parece distante da rotina militar brasileira: decolavam do convés por catapulta, voltavam ao navio e prendiam o gancho de pouso em cabos de parada para encerrar missões sobre o mar. O saldo oficial chegou a 14.072 pousos diurnos e 2.674 noturnos.

A operação começou em 22 de junho de 1965, quando um P-16 da Força Aérea Brasileira pousou pela primeira vez no Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais. O piloto era o então Major Antônio Claret Jordão, acompanhado pelo Capitão Iale Renan Accioly Martins de Freitas. No dia seguinte, a equipe já realizou 36 pousos e decolagens para acelerar a qualificação do Grupo de Aviação Embarcada.

Quando o ciclo terminou, em 1996, os P-16 haviam acumulado 1.382 dias de mar. A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha registra ainda 2.944 catapultagens, 556 arremetidas e 93.892 horas e 45 minutos de voo ao longo das operações embarcadas.

Primeiro pouso em 1965 colocou o P-16 da FAB no convés do Minas Gerais

O Minas Gerais havia sido incorporado à Marinha em 1960 e recebeu profundas modificações para operar aeronaves. O navio ganhou catapulta a vapor, aparelho de parada, convés de voo em ângulo, espelho ótico de pouso, elevadores e sistemas próprios para apoiar a aviação embarcada.

Em janeiro de 1965, uma decisão presidencial definiu que os aviões de asa fixa embarcados seriam operados pela FAB, enquanto os helicópteros permaneceriam com a Marinha. Cinco meses depois, o P-16 Tracker iniciou a fase que marcaria a imagem do Minas Gerais por décadas.

O objetivo principal era patrulhar o mar e localizar submarinos. A aeronave precisava operar longe de uma pista convencional, pousar em um convés em movimento e voltar rapidamente ao combate antissubmarino.

O porta-aviões tinha 214,10 metros de comprimento, deslocamento carregado de 19.211 toneladas e estrutura preparada para receber até 16 aviões bimotores do tipo S2F. A pista em ângulo e os equipamentos de parada eram essenciais para manter operações repetidas com os Trackers em um espaço muito menor que qualquer base terrestre.

Dois P-16 Tracker da Força Aérea Brasileira aparecem no porta-aviões Minas Gerais, um no convés e outro junto ao elevador do hangar.
Trackers da FAB a bordo do porta-aviões Minas Gerais durante a UNITAS XXV, em 1984; a cena mostra uma aeronave no convés e outra na área do elevador/hangar com as asas dobradas. Crédito: JOCS Kirby Harrison, USN / Wikimedia Commons.

Asas dobravam, gancho agarrava cabos e o Tracker levava torpedos contra submarinos

O P-16 tinha características feitas para o ambiente de porta-aviões. As asas podiam ser dobradas para reduzir o espaço ocupado no hangar, enquanto o gancho de pouso na parte traseira se prendia aos cabos estendidos sobre o convés para frear o avião em poucos metros.

O Tracker também carregava sensores voltados à busca de submarinos e podia levar armamento antissubmarino. O Museu Aeroespacial da FAB informa que o P-16E tinha quatro tripulantes, dois motores Wright R-1820 de 1.525 hp cada, velocidade máxima de 426 km/h e alcance de cerca de 2.095 quilômetros.

A versão P-16E media 13,26 metros de comprimento e tinha 22,13 metros de envergadura. O armamento previsto incluía bombas de profundidade, torpedos e cargas externas sob as asas, conjunto pensado para localizar e atacar ameaças submersas durante a Guerra Fria.

FAB operou 21 Trackers entre P-16A e P-16E ao longo da era embarcada

Ao longo do programa, a Força Aérea Brasileira operou 21 aeronaves Tracker: 13 P-16A e oito P-16E. Os aviões usavam a Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e o Minas Gerais como plataformas principais de operação.

O primeiro lote começou a chegar no início dos anos 1960. Anos depois, a FAB recebeu os P-16E, versão mais recente e com melhorias de missão. O Museu Aeroespacial preserva exemplares das duas variantes, incluindo o P-16A FAB 7016 e o P-16E FAB 7037.

Os números acumulados no convés mostram a intensidade da rotina. Além dos 16.746 pousos diurnos e noturnos somados, a Marinha registrou quase três mil lançamentos por catapulta. Cada operação exigia coordenação entre tripulação do navio, pessoal de convés, controladores e aviadores da FAB.

P-16 Tracker FAB 7034 preservado em museu, com pintura da Força Aérea Brasileira e asas dobradas.
P-16 Tracker FAB 7034 preservado em exposição. A matrícula 7034 realizou o último pouso de um P-16 da FAB no porta-aviões Minas Gerais, em 14 de agosto de 1996. Crédito: MARCO AURELIO ESPARZ… / Wikimedia Commons.

FAB 7034 fez o último pouso em 1996 e encerrou 31 anos de operações no convés

Em 14 de agosto de 1996, o P-16E matrícula FAB 7034 realizou o último pouso de um Tracker da FAB a bordo do Minas Gerais. A marca fechou 31 anos de operações embarcadas da Força Aérea com o modelo.

O último voo de um P-16 do Grupo de Aviação Embarcada aconteceu em 30 de dezembro daquele ano, a partir da Base Aérea de Santa Cruz. Depois disso, o Minas Gerais passou a operar apenas helicópteros por um período.

Com a retirada dos Trackers, as tarefas de patrulha marítima e guerra antissubmarino migraram para aeronaves baseadas em terra. O Nomar da Marinha cita os P-95 Bandeirante Patrulha e, posteriormente, os P-3AM Orion entre os aviões empregados nessas funções.

Minas Gerais voltou a lançar aviões de asa fixa antes de deixar o serviço em 2001

O fim dos P-16 não significou o fim imediato das operações de aviões no navio. Depois da compra de 23 caças Skyhawk pela Marinha, o Minas Gerais passou por revisão de catapulta, aparelho de parada e sistemas de pouso.

Em janeiro de 2001, os novos AF-1 Skyhawk da Marinha realizaram pousos e decolagens a bordo. Meses depois, em 9 de outubro, o Minas Gerais deixou o serviço ativo após 40 anos na Marinha do Brasil.

O navio encerrou sua carreira com 17.022 pousos enganchados e 3.115 catapultagens contabilizados em toda a sua vida operacional. Uma parcela enorme dessas marcas veio dos P-16 da FAB, que durante 31 anos transformaram o convés do Minas Gerais em uma pista curta no meio do oceano.

Você gostaria de ver o Brasil novamente operando aviões de asa fixa a partir de um porta-aviões? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha a história da aviação militar brasileira.

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