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Efeito direita na Colômbia: no primeiro mês após a saída de Petro, novo governo coloca Exército em ofensiva, destrói 148 laboratórios, apreende quase 8 toneladas de cocaína e retira 59 mil munições de circulação

No primeiro mês do governo De La Espriella, o Exército colombiano destruiu 148 laboratórios, apreendeu quase 8 toneladas de cocaína e reforçou a guinada de direita na política de segurança do país.

Marcos
Por Marcos 29/09/2026 às 10:48
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Efeito direita na Colômbia: no primeiro mês após a saída de Petro, novo governo coloca Exército em ofensiva, destrói 148 laboratórios, apreende quase 8 toneladas de cocaína e retira 59 mil munições de circulação
No primeiro mês do governo De La Espriella, o Exército colombiano destruiu 148 laboratórios, apreendeu quase 8 toneladas de cocaína e reforçou a guinada de direita na política de segurança do país.

A Colômbia trocou um governo de esquerda por uma administração de direita e, em apenas 30 dias, os números apresentados pelo Exército colombiano passaram a acompanhar uma mudança igualmente explícita no discurso de segurança do país.

Entre 7 de agosto e 7 de setembro de 2026, primeiros 30 dias do governo de Abelardo De La Espriella, o Exército informou ter destruído 148 laboratórios ligados à cadeia de produção da cocaína, apreendido 7.972 quilos de cocaína, 1.868 quilos de pasta base e 8.397 quilos de maconha.

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As tropas também apreenderam 59.070 cartuchos de munição e 320 armas de fogo, além de mais de 27 mil galões de insumos líquidos e aproximadamente 77,4 toneladas de produtos sólidos encontrados em operações contra estruturas criminosas.

Foram ainda registradas 273 capturas, enquanto equipes especializadas destruíram 846 quilos de explosivos e neutralizaram 759 artefatos explosivos improvisados.

É o balanço de apenas um mês.

E ele surge justamente depois de uma mudança política profunda: a saída de Gustavo Petro e a chegada de um governo de direita que colocou o enfrentamento direto às organizações armadas, a recuperação territorial e o ataque às fontes de financiamento do crime entre as prioridades declaradas do Estado.

Da esquerda de Petro à direita de De La Espriella

A imagem simboliza a virada política na Colômbia: após quatro anos de governo de esquerda sob Gustavo Petro, Abelardo De La Espriella venceu o segundo turno presidencial de 2026 com cerca de 49,6% dos votos, superando por margem inferior a um ponto percentual o candidato de esquerda Iván Cepeda e levando a direita de volta ao Palácio de Nariño.
A imagem simboliza a virada política na Colômbia: após quatro anos de governo de esquerda sob Gustavo Petro, Abelardo De La Espriella venceu o segundo turno presidencial de 2026 com cerca de 49,6% dos votos, superando por margem inferior a um ponto percentual o candidato de esquerda Iván Cepeda e levando a direita de volta ao Palácio de Nariño. Fonte: Divulgação

O contraste político apareceu rapidamente.

Petro assumiu a Presidência em 2022 defendendo uma revisão da política tradicional de combate às drogas e afirmando que a chamada guerra contra as drogas havia fracassado. Sua administração colocou conceitos como “Paz Total” e “Segurança Humana” no centro da estratégia oficial para lidar com violência, grupos armados e narcotráfico.

Quatro anos depois, De La Espriella chegou ao poder com outra prioridade declarada.

Em setembro de 2026, o novo presidente afirmou que não havia chegado ao governo para negociar com assassinos, extorsionários ou recrutadores de menores, mas para enfrentá-los utilizando a força legítima do Estado.

A diferença estava não apenas na retórica, mas na forma como cada governo passou a apresentar sua política de segurança.

Enquanto Petro ficou associado a uma estratégia de negociação e revisão da política antidrogas, De La Espriella passou a destacar apreensões, erradicação, destruição de laboratórios, capturas e recuperação territorial.

É nesse contraste que começa a aparecer aquilo que pode ser chamado de “efeito direita” na segurança colombiana: uma guinada política em direção a uma atuação mais centrada na pressão militar e policial sobre estruturas do narcotráfico e grupos armados.

Colômbia chegou a 253 mil hectares de coca durante os anos Petro

Cultivos de coca se espalham por áreas rurais da Colômbia, país que chegou a 253 mil hectares plantados em 2023, segundo a UNODC, evidenciando a escala territorial alcançada pela produção durante os anos Petro
Cultivos de coca se espalham por áreas rurais da Colômbia, país que chegou a 253 mil hectares plantados em 2023, segundo a UNODC, evidenciando a escala territorial alcançada pela produção durante os anos Petro. Fonte: Divulgação

Os números acumulados nos anos anteriores ajudam a explicar por que o narcotráfico passou a ocupar espaço tão importante no início da nova administração.

Segundo a UNODC, a área cultivada com coca na Colômbia passou de 230 mil hectares em 2022 para 253 mil hectares em 2023, crescimento de 10%.

O avanço da capacidade produtiva foi ainda mais forte.

A produção potencial de cloridrato de cocaína saltou de 1.738 toneladas em 2022 para 2.664 toneladas em 2023, uma alta de 53% em apenas um ano.

Ao mesmo tempo, a erradicação manual caiu de 68.974 hectares em 2022 para 20.325 hectares em 2023.

Isso representa uma redução de aproximadamente 70,5%.

Os dados não permitem atribuir automaticamente cada aumento a uma única decisão presidencial.

Mas mostram o cenário consolidado durante aquele período: enorme área cultivada, aumento expressivo da produção potencial e forte redução da erradicação manual.

Foi essa Colômbia que De La Espriella recebeu ao chegar ao poder.

Novo governo transforma narcotráfico em prioridade de segurança

A mudança de orientação ficou evidente já nas primeiras semanas.

Quando o governo completou um mês, a Presidência informou que toda a Força Pública — Forças Militares e Polícia Nacional — havia apreendido aproximadamente 50 toneladas de narcóticos, realizado quase 15 mil capturas, erradicado mais de 1.300 hectares de coca e retirado cerca de 1.500 armas de circulação.

Esse levantamento é mais amplo que o balanço do Exército e, por isso, não deve ser misturado diretamente com os 148 laboratórios.

Mas os dois apontam para o mesmo fenômeno: uma concentração intensa de operações contra drogas, armas e estruturas criminosas durante o primeiro mês do novo governo.

A mudança fica ainda mais clara quando se observa a forma como a administração passou a falar sobre segurança.

De La Espriella colocou recuperação territorial, destruição de economias ilegais e pressão sobre estruturas armadas entre as prioridades centrais do Estado.

No lugar de uma política apresentada principalmente em termos de diálogo e negociação, o novo governo passou a enfatizar operações, apreensões e uso da Força Pública como instrumentos de recuperação do controle territorial.

148 laboratórios mostram o tamanho da infraestrutura criminosa

Militares colombianos inspecionam uma estrutura clandestina usada no processamento de coca, cercada por tambores, recipientes e equipamentos empregados na produção. O cenário ajuda a dimensionar a infraestrutura encontrada nas operações que destruíram 148 laboratórios em apenas 30 dias. Foto: Exército Nacional da Colômbia.
Militares colombianos inspecionam uma estrutura clandestina usada no processamento de coca, cercada por tambores, recipientes e equipamentos empregados na produção. O cenário ajuda a dimensionar a infraestrutura encontrada nas operações que destruíram 148 laboratórios em apenas 30 dias. Foto: Exército Nacional da Colômbia.

O número de laboratórios destruídos ajuda a revelar a dimensão industrial do narcotráfico colombiano.

Dos 148 laboratórios eliminados pelo Exército em 30 dias, 133 eram destinados à produção de pasta base de coca e outros 15 estavam ligados à fabricação de cloridrato de cocaína.

A apreensão de aproximadamente 77,4 toneladas de insumos sólidos e mais de 27 mil galões de produtos líquidos mostra que não se trata apenas de pequenas plantações isoladas, mas de uma cadeia com grande capacidade logística.

Há ainda outro elemento importante: a conexão entre narcotráfico e poder armado.

No mesmo período, o Exército informou ter apreendido 320 armas de fogo e mais de 59 mil cartuchos, além de centenas de quilos de explosivos.

Em regiões onde organizações armadas disputam território e controlam economias ilegais, drogas, armas e financiamento fazem parte do mesmo problema.

É por isso que a ofensiva do novo governo aparece vinculada não apenas à apreensão de cocaína, mas também à tentativa de enfraquecer a capacidade militar e financeira das estruturas criminosas.

Destruir laboratórios é apenas o primeiro passo

Os 148 laboratórios impressionam, mas também ajudam a dimensionar o tamanho do desafio.

Em 2023, a Colômbia registrou a destruição de 5.242 laboratórios ilegais ligados à cadeia da cocaína.

Isso mostra que o narcotráfico possui enorme capacidade de reconstrução.

Destruir uma instalação não significa necessariamente eliminar a rede responsável por ela.

O verdadeiro teste para o novo governo será impedir que laboratórios sejam refeitos, que áreas erradicadas voltem a ser cultivadas e que grupos criminosos simplesmente desloquem suas operações para regiões vizinhas.

É aí que os próximos meses ganharão importância.

A intensidade das primeiras operações chama atenção, mas o resultado de longo prazo dependerá da capacidade de reduzir permanentemente a infraestrutura, o financiamento e o controle territorial dessas organizações.

O “efeito direita” aparece na mudança de prioridade

Os números ajudam a resumir os dois momentos políticos.

Durante os anos anteriores, a Colômbia chegou a 253 mil hectares de coca, viu a produção potencial de cocaína crescer 53% em um único ano e registrou uma queda de aproximadamente 70,5% na erradicação manual entre 2022 e 2023.

Em agosto de 2026, um governo de direita assumiu prometendo colocar segurança, autoridade e recuperação territorial em posição central.

Um mês depois, o Exército apresentou seu balanço: 148 laboratórios destruídos e quase oito toneladas de cocaína apreendidas.

O dado mais importante, porém, não é apenas a quantidade de laboratórios.

É a mudança de prioridade.

A Colômbia saiu de um governo de esquerda que defendia uma revisão da estratégia tradicional antidrogas e passou para uma administração de direita que colocou novamente a pressão militar e policial sobre estruturas criminosas no centro da política de segurança.

É nesse ponto que o chamado “efeito direita” se torna mais visível.

Os próximos meses mostrarão se essa mudança de orientação será suficiente para reduzir de maneira duradoura a estrutura econômica, territorial e armada do narcotráfico colombiano.

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