O ex-porta-aviões italiano Giuseppe Garibaldi encerrou uma travessia de 25 dias e 6.870 milhas náuticas ao atracar no porto de Tanjung Priok, em Jacarta, em 18 de setembro de 2026. A Marinha da Indonésia prevê incorporá-lo como KRI Sriwijaya, colocando um navio de 180,2 metros no centro de uma nova capacidade naval do país.
A chegada fecha uma viagem iniciada em Taranto, na Itália, em 24 de agosto. O navio cruzou o Canal de Suez, o Mar Vermelho e o Oceano Índico, fez escalas logísticas no Egito, na Arábia Saudita e no Sri Lanka e entrou em águas indonésias escoltado pelas fragatas KRI Brawijaya-320 e KRI Prabu Siliwangi-321.
O nome também mudou no caminho. Antes da chegada, a designação anunciada era KRI Gajah Mada. A Marinha indonésia passou a apresentar o antigo navio italiano como KRI Sriwijaya, nome que acompanhará a fase de incorporação e adaptação ao novo operador.
KRI Sriwijaya chega a Jacarta depois de cruzar três grandes rotas marítimas

A travessia levou o navio por alguns dos corredores marítimos mais movimentados do mundo. Depois de deixar o Mediterrâneo, o Garibaldi atravessou Suez, seguiu pelo Mar Vermelho e alcançou o Oceano Índico antes de entrar no arquipélago indonésio.
Já em águas do país, a recepção ganhou formato militar. Duas fragatas da Marinha da Indonésia acompanharam o navio até Jacarta, enquanto autoridades de Defesa e das Forças Armadas participaram da cerimônia de chegada no píer 107 de Tanjung Priok.
Navio de 180,2 metros desloca 13.850 toneladas e pode chegar a 30 nós
Os números ajudam a dimensionar o novo meio. A Marinha da Indonésia informa 180,2 metros de comprimento, 33,4 metros de largura, calado de 6,7 metros e deslocamento de 13.850 toneladas.
A propulsão usa um arranjo COGAG com quatro turbinas a gás LM2500, somando potência declarada de 81 mil hp. A velocidade máxima informada chega a 30 nós, enquanto a autonomia alcança cerca de 7 mil milhas náuticas navegando a 20 nós.
Esse conjunto permite que o navio opere por longos períodos e se desloque entre as milhares de ilhas da Indonésia, país que depende fortemente de meios navais para ligar regiões separadas por grandes distâncias marítimas.
Convés poderá receber até 18 helicópteros, drones e equipes de comando

A configuração prevista concentra o uso do convés em aeronaves de asas rotativas e sistemas não tripulados. A TNI AL cita capacidade para mais de 10 e até 18 helicópteros médios ou pesados, além de drones e uma lotação total que pode chegar a cerca de 830 pessoas.
Durante a inspeção feita após a chegada, o ministro da Defesa, Sjafrie Sjamsoeddin, percorreu o convés de voo, a ponte, o centro de informações de combate e o hangar. O Ministério da Defesa informou que o convés permite operações simultâneas com quatro helicópteros, ampliando a capacidade de transporte aéreo a partir do mar.
Primeiro porta-aviões da Indonésia terá forte papel em desastres e missões humanitárias
A nova função não ficará restrita a operações militares convencionais. Autoridades indonésias apontam o navio como plataforma para resposta a desastres, ajuda humanitária, transporte de suprimentos e comando móvel, missões que ganham peso em um arquipélago sujeito a terremotos, enchentes, incêndios e eventos extremos.
Helicópteros e drones poderão ser empregados para levar equipes, alimentos, água, medicamentos e equipamentos a áreas isoladas. O grande convés e o hangar oferecem espaço para concentrar meios aéreos e pessoal sem depender de aeroportos próximos à região atingida.
Doação italiana abre nova fase para um navio com 41 anos de serviço
O Giuseppe Garibaldi foi transferido pela Itália à Indonésia depois de quatro décadas de serviço. A Associated Press descreve o navio como uma embarcação de 41 anos e registra que sua chegada abriu discussão interna sobre custos de operação, modernização e prioridade de investimentos navais.
Analistas citados pela agência questionam quanto será necessário gastar para manter um casco desse porte ativo e defendem que submarinos e fragatas também exigem recursos em uma marinha que passa por renovação. O governo indonésio, por sua vez, tem apresentado o navio como uma plataforma de múltiplo emprego, capaz de reunir defesa, comando, aviação naval e resposta a emergências.
Próxima etapa será incorporar o navio e adaptar seus sistemas ao novo operador
A chegada a Tanjung Priok encerrou a viagem desde a Itália, mas abriu a fase mais trabalhosa para a Marinha da Indonésia. O país ainda precisa concluir a incorporação formal, ajustar sistemas, treinar tripulações e preparar o emprego operacional do KRI Sriwijaya nas missões planejadas.
Quando essa etapa for concluída, a Indonésia terá pela primeira vez um navio classificado por sua Marinha como porta-aviões leve, com foco declarado em helicópteros, drones, comando e apoio a emergências. O desempenho dessa adaptação mostrará se um casco de 41 anos conseguirá manter disponibilidade suficiente para uma frota espalhada por um dos maiores arquipélagos do planeta.
E você, acha que um porta-aviões voltado principalmente para helicópteros, drones e resposta a desastres faz sentido para a Indonésia? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.