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FAB assinou contrato de R$ 842 milhões para modernizar 53 caças AMX, reduziu programa para 43 e depois para 14 por restrição orçamentária, entregou apenas 11 e encerrou acordo 21 anos depois com valor final de R$ 557 milhões

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 22/09/2026 às 20:19
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FAB assinou contrato de R$ 842 milhões para modernizar 53 caças AMX, reduziu programa para 43 e depois para 14 por restrição orçamentária, entregou apenas 11 e encerrou acordo 21 anos depois com valor final de R$ 557 milhões
Aeronaves A-1 (AMX) da Força Aérea Brasileira durante voo em formação. Foto: FAB / Divulgação

Quando a Força Aérea Brasileira assinou com a Embraer, em dezembro de 2003, o contrato para modernizar sua frota de AMX, o plano alcançava 53 aeronaves e tinha valor original de R$ 842,3 milhões. O programa atravessou duas décadas, foi reduzido mais de uma vez e terminou com apenas 11 caças efetivamente modernizados.

O AMX, chamado de A-1 pela FAB, nasceu de um programa conjunto entre Brasil e Itália e começou a operar no país no fim da década de 1980. Era um avião voltado principalmente a ataque ao solo, reconhecimento e missões de longo alcance a baixa altitude.

Mais de uma década depois de sua entrada em serviço, os sistemas eletrônicos começavam a envelhecer. A solução escolhida foi uma modernização profunda para permitir que parte da frota continuasse operacional por muitos anos.

O contrato com a Embraer foi assinado em 29 de dezembro de 2003. Documentos da própria Aeronáutica registram que o objeto inicial abrangia 53 aeronaves A-1 e que o valor era de R$ 842.333.380,10.

Primeiro corte reduziu programa de 53 para 43 caças

O primeiro grande corte veio cinco anos depois.

Em dezembro de 2008, um termo aditivo alterou requisitos técnicos, logísticos e industriais do programa e formalizou a decisão do Estado-Maior da Aeronáutica de reduzir o número previsto de aeronaves de 53 para 43.

Com a mudança, o valor do contrato caiu naquele momento para aproximadamente R$ 740,7 milhões, e o prazo de execução também foi ampliado.

A modernização criou o A-1M, com nova aviônica, cabine digital, telas multifuncionais e melhorias nos sistemas de navegação, comunicação e autoproteção.

A proposta não era apenas manter o avião voando. O objetivo era atualizar seus sistemas e prolongar por muitos anos a capacidade operacional de uma aeronave que já acumulava décadas de serviço.

A primeira unidade modernizada foi entregue em 2013, quase dez anos depois da assinatura do contrato. A Embraer chegou a afirmar naquele período que o objetivo era manter a frota de 43 AMX em serviço por mais 20 anos.

Restrição orçamentária derrubou escopo para 14 aeronaves

O dinheiro começou a pesar mais fortemente nos anos seguintes.

Em 2016, a dificuldade já aparecia fora dos documentos internos da FAB. A Airway informou que o programa acumulava atrasos por falta de recursos e que R$ 101 milhões originalmente destinados à modernização naquele ano haviam sido deslocados para combustível e manutenção de aeronaves em operação. Meses depois, a Comissão Mista de Orçamento aprovou proposta de crédito que previa outros R$ 86,4 milhões para o AMX e material bélico.

A própria Embraer também passou a registrar o problema em documentos apresentados ao mercado norte-americano.

Em relatório entregue à SEC, a fabricante afirmou que restrições orçamentárias do governo brasileiro haviam levado à renegociação do contrato. No fim de 2016, o escopo que ainda previa 43 AMX modernizados foi reduzido para apenas 14 aeronaves.

As entregas continuaram, mas em ritmo bem menor. Três A-1M foram entregues entre 2013 e 2014, uma quarta unidade chegou em 2017, e novas aeronaves foram incorporadas nos anos seguintes. A Embraer registrou, por exemplo, duas entregas em 2019 e três em 2020.

Nem as 14 previstas nessa etapa chegaram ao fim do processo.

Em 2020, o Alto Comando retirou outras três aeronaves do contrato. O relatório da FAB cita, entre as razões, a perda de motores ocorrida em 2019, situação que chegou a deixar a frota parada por dois meses enquanto o problema era analisado.

O escopo definitivo ficou em 11 aeronaves.

Onze AMX foram modernizados

A Tecnodefesa já registrava a redução do programa e o recebimento de 11 aeronaves modernizadas. A última unidade prevista no escopo final, o FAB 5510, foi recebida em 2021, encerrando a etapa de entrega dos A-1M.

Enquanto o número de aeronaves diminuía, o contrato continuava aberto.

O acordo assinado em 2003 recebeu oito termos aditivos ao longo dos anos. Um deles formalizou a redução para 11 aeronaves; outros estenderam os prazos necessários para encerrar as obrigações restantes do programa.

A vigência terminou em 29 de dezembro de 2024, praticamente 21 anos depois da assinatura.

O valor contratual final registrado pela FAB foi de R$ 557.006.485,88, ante os R$ 842,3 milhões previstos no contrato original.

Esse valor não representa tudo o que foi desembolsado ao longo de duas décadas. O relatório da própria Aeronáutica mostra cerca de R$ 753,4 milhões em pagamentos acumulados, considerando principal e reajustes.

Contrato terminou, mas AMX continuou em atividade

O encerramento do programa industrial não retirou imediatamente o A-1M de serviço.

Em 2024, a Embraer concluiu as atividades de desmobilização ligadas à modernização. A FAB registrou que os aviões entregues continuavam operando a partir da Base Aérea de Santa Maria, equipados com cockpit digital, controles HOTAS e aviônicos compartilhados com outros programas da Força.

Em maio de 2026, a própria Aeronáutica ainda descrevia o AMX como uma plataforma voltada a missões ar-superfície e destacava os sistemas incorporados durante a modernização, entre eles recursos de navegação, comunicação, autoproteção e telas multifuncionais.

A linha usada para transformar o antigo A-1 em A-1M já havia sido desmontada, mas os caças que passaram pelo programa ainda permaneciam na vida operacional da FAB.

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