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Gripen da FAB pode voltar à luta em cerca de 15 minutos, operar de bases rodoviárias e manter alerta 24 horas mesmo longe de grandes estruturas aéreas no Brasil

O Gripen da FAB pode ser reabastecido e preparado para nova missão ar-ar em cerca de 15 minutos, operar em bases rodoviárias e pistas dispersas e já permanece em alerta 24 horas a partir de Anápolis desde fevereiro de 2026.

Marcos
Por Marcos 14/09/2026 às 01:00
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Gripen da FAB pode voltar à luta em cerca de 15 minutos, operar de bases rodoviárias e manter alerta 24 horas mesmo longe de grandes estruturas aéreas no Brasil
F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira em preparação para decolagem. Foto: Saab Brasil.

O Gripen da FAB foi projetado para fazer algo que pesa tanto quanto velocidade ou alcance em uma guerra aérea: pousar, receber combustível, recompor sua configuração de combate e voltar ao ar em pouco tempo. A ficha atual da Saab para a família Gripen E/F indica um combat turnaround de 15 a 25 minutos e, em uma missão ar-ar, cerca de 15 minutos para preparar novamente o caça com equipe e equipamentos de solo limitados.

Essa rapidez está ligada a outra característica menos visível do F-39E brasileiro. O caça foi concebido para operar longe de grandes bases, usando pistas dispersas e até bases rodoviárias. Para a Força Aérea Brasileira, a combinação ganha peso porque o Gripen E já cumpre missão de Alerta de Defesa Aeroespacial a partir de Anápolis, com prontidão durante 24 horas para decolagem quando acionado.

O resultado é um sistema pensado para reduzir o tempo em solo e dificultar que toda a força dependa de poucos aeroportos militares. A lógica nasceu na Suécia durante a Guerra Fria e chegou ao programa brasileiro acompanhada de uma solução logística desenvolvida em conjunto pela Saab e pela FAB.

Cerca de 15 minutos podem colocar o Gripen da FAB de volta em uma missão ar-ar

A fabricante informa que o Gripen E pode ser reabastecido e preparado para uma nova saída ar-ar em aproximadamente 15 minutos. O trabalho foi desenhado para exigir poucos recursos no solo, ponto importante quando a aeronave está fora de sua base principal ou precisa gerar várias saídas em sequência.

O número atual convive com uma demonstração anterior do conceito logístico brasileiro. Em material publicado em 2020, durante o desenvolvimento da estrutura de apoio do programa, a Saab descreveu uma operação de cerca de 10 minutos com um técnico e cinco militares para combustível, preparação da aeronave e inspeções. A ficha atual da série E/F trabalha com a faixa mais ampla de 15 a 25 minutos para o ciclo de combate.

O caça também foi desenhado para carregar diferentes combinações de armamentos sem perder essa filosofia de operação rápida. Segundo a Saab, o Gripen E possui 10 pontos duros e pode levar, em configuração máxima divulgada pela empresa, até sete mísseis Meteor de combate além do alcance visual e dois IRIS-T de curto alcance.

Bases rodoviárias nasceram para impedir que um ataque deixasse todos os caças presos no chão

A capacidade de usar trechos de estrada e pistas menores vem da doutrina sueca de dispersão. O conceito Bas 90 espalhava aeronaves e equipes por diferentes pontos para reduzir a vulnerabilidade de uma força aérea que poderia ter suas bases principais atacadas logo no início de um conflito.

O Gripen herdou essa exigência. A Saab afirma que a versão E pode operar em bases rodoviárias, pistas dispersas e áreas com infraestrutura limitada, além de enfrentar condições climáticas extremas. O objetivo é permitir que combustível, manutenção e preparação para a próxima missão acompanhem a aeronave mesmo quando ela deixa uma instalação convencional.

No programa brasileiro, a estrutura de suporte foi desenvolvida com participação da FAB. Durante essa fase, um representante do então Grupo Fox destacou que a possibilidade de trabalhar com pistas curtas ampliaria os pontos do território onde o novo caça poderia ser empregado.

F-39E Gripen da FAB decolando na Base Aérea de Anápolis
F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira durante decolagem. Foto: Saab Brasil.

Desde fevereiro de 2026, F-39E permanece em alerta 24 horas a partir de Anápolis

A rapidez de resposta deixou de ser apenas uma característica de catálogo no Brasil. Em 24 de fevereiro de 2026, o Gripen E começou a cumprir pela primeira vez a missão de Alerta de Defesa Aeroespacial da FAB a partir da Base Aérea de Anápolis, em Goiás.

Nessa função, aeronaves e equipes permanecem em prontidão 24 horas por dia para decolar quando houver acionamento. Antes de chegar a esse estágio, o programa passou por campanhas de desenvolvimento e certificação que incluíram reabastecimento em voo, integração e testes do míssil Meteor e atividades com armamento ar-solo.

A entrada no alerta também aproxima o F-39E de uma das tarefas centrais para as quais a FAB adquiriu a nova frota: vigiar o espaço aéreo e responder rapidamente a uma ocorrência. O contrato brasileiro contempla 36 aeronaves Gripen E/F, combinando a versão monoposto E e a versão biposto F.

Testes em Anápolis somaram 62 pousos e oito abastecimentos com o motor ligado

O Brasil também colocou o caça em uma rotina intensa de testes para verificar como a aeronave e sua logística reagiriam às condições locais. Em fevereiro de 2025, o Gripen 4100 voou em Anápolis com temperatura de 32 °C, aeroporto a cerca de 1.100 metros de altitude, dois tanques externos de 1.100 litros e armamento ar-ar.

A campanha reuniu 14 missões de aproximadamente 35 minutos e 62 pousos. As equipes fizeram ainda oito abastecimentos em terra com o motor ligado, procedimento usado para reduzir o tempo entre etapas do ensaio e aumentar a eficiência da operação.

Os testes envolveram profissionais da Saab e da Embraer e incluíram aproximações para pista curta com elevado peso de pouso. Esse tipo de ensaio conecta diretamente o desempenho do avião à proposta de operar com rapidez em locais onde comprimento de pista, calor, altitude e apoio no solo podem limitar outras aeronaves.

Gripen em decolagem visto pela traseira
Gripen em decolagem visto pela traseira. Foto: Saab Brasil.

Velocidade no solo virou parte da capacidade de combate do novo caça brasileiro

Um caça pode ter sensores avançados e mísseis de longo alcance, mas cada minuto parado para combustível, inspeção ou preparação reduz o número de missões que a frota consegue gerar. No Gripen, a logística foi incorporada ao projeto desde o início justamente para encurtar esse intervalo e permitir dispersão.

Para a FAB, isso cria duas camadas de resposta. Em Anápolis, o F-39E já permanece de alerta para decolagem imediata. Em um ambiente de maior pressão, o desenho do sistema permite deslocar aeronaves para pistas menores e manter ciclos rápidos de retorno ao voo com equipes reduzidas e equipamentos limitados.

A capacidade só ganha valor se treinamento, combustível, peças, armamentos e pessoal conseguirem acompanhar os caças. Por isso, a solução logística construída para o Brasil é tão importante quanto os números de velocidade do avião: ela determina por quanto tempo a aeronave consegue continuar saindo para novas missões quando a operação se afasta de uma base completa.

Com o Gripen E já integrado ao alerta brasileiro e o programa avançando, o próximo teste dessa filosofia será ampliar a maturidade operacional da frota e transformar rapidez de preparação, dispersão e disponibilidade em rotina. Você acredita que a capacidade de operar em pistas dispersas pode ser tão importante quanto o desempenho do caça no ar? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.

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