Debate na Assembleia Legislativa de Minas Gerais abordou saúde mental de veteranos, dificuldades para procurar tratamento e preparação para uma fase que envolve mudanças na rotina, nos vínculos e na vida financeira.
O acompanhamento da saúde mental de veteranos da segurança pública foi cobrado em audiência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em 10 de setembro de 2026. O debate colocou em discussão o cuidado com quem deixa o serviço ativo.
Solicitada pelo deputado Charles Santos (Republicanos), a reunião tratou de acolhimento, prevenção, tratamento e reinserção social. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais, órgão do Legislativo estadual, publicou a cobertura no mesmo dia, quando se marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
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A preparação para a reserva apareceu como uma questão de saúde e de continuidade dos vínculos com a corporação, além do planejamento financeiro. A discussão envolveu profissionais de saúde e representantes de entidades de veteranos.
O desgaste da carreira pode acompanhar o militar na reserva
A capitã Alina Gomide Vasconcelos, psicóloga do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, afirmou que sintomas relacionados ao adoecimento mental podem persistir após a aposentadoria e se agravar durante a transição.
“Esses sintomas não desaparecem com a aposentadoria”, declarou a oficial, segundo a ALMG. Na avaliação apresentada por ela, o trabalho também pode exercer uma função de proteção à saúde mental.
A perspectiva amplia a discussão sobre a saída do serviço ativo. Preparar a nova fase exige considerar o espaço que a profissão ocupa na vida do militar e como ele poderá manter relações e atividades depois da mudança.
O receio da reação dos colegas dificulta a procura por ajuda
Luciana Chamone Garcia, presidente da Comissão de Saúde Mental da OAB-MG, relatou preocupações de profissionais com o porte de arma e com a reação dos colegas diante de um afastamento para tratamento.

A barreira descrita por ela envolve a maneira como o cuidado é recebido dentro do ambiente profissional. Para quem teme julgamento, admitir uma dificuldade pode se tornar mais uma preocupação.
O médico Gustavo Saggioro Oliveira defendeu busca ativa e acompanhamento ao longo da carreira. A proposta desloca a atenção para antes da reserva: identificar necessidades enquanto o profissional ainda mantém contato cotidiano com a instituição.
Bombeiros apresentam preparação e acolhimento de veteranos
Alina apresentou iniciativas de preparação para a reserva com educação financeira e cuidados com a saúde, além de orientação sobre benefícios. Também informou que um espaço de convivência estava em implementação.
Os eixos apresentados permitem olhar para diferentes necessidades da transição. Planejar despesas, compreender direitos e preservar o contato com outras pessoas são tarefas distintas, que pedem formas próprias de apoio.
O espaço de convivência acrescenta a dimensão dos vínculos. A possibilidade de encontrar colegas e outras gerações da corporação oferece um caminho para manter a participação do veterano na comunidade profissional.
Cobrança por políticas precisa avançar para o atendimento
Charles Santos apresentou o Projeto de Lei 5.287/26 e anunciou pedidos de políticas estaduais.
A discussão deixou duas frentes: preparar a passagem à inatividade e acompanhar quem já está nessa fase. Para o veterano, a questão concreta é como encontrar acolhimento e manter acesso ao cuidado.
As iniciativas relatadas e as propostas parlamentares colocaram essa responsabilidade em debate. Seu resultado dependerá da transformação dessas frentes em atendimento acessível e contínuo.
Na sua experiência, qual apoio faz mais falta na passagem à reserva: preparação antecipada, acompanhamento psicológico ou oportunidades de convivência? Conte nos comentários, preservando sua privacidade.