Uma delegação militar brasileira comandada pelo almirante de esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire visitou uma fabricante de mísseis no Paquistão e conheceu três sistemas de foguetes e mísseis, incluindo armamentos projetados para atacar navios e alvos terrestres. Entre eles está o P282 SMASH, míssil balístico naval testado com alcance de 350 quilômetros e associado a projetos de versões ainda mais longas, estimadas em até 500 quilômetros.
A passagem pela Global Industrial & Defence Solutions (GIDS), em Rawalpindi, ocorreu em 13 de outubro de 2026. A empresa confirmou a recepção da comitiva brasileira, enquanto uma reportagem da Infodefensa publicada em 21 de outubro revelou quais armamentos foram apresentados: o lançador de foguetes Fatah-I, o míssil de cruzeiro Harbah e o P282 SMASH.
Os militares brasileiros conheceram as tecnologias durante uma agenda de cooperação em defesa com autoridades paquistanesas. Os encontros divulgados pelos dois países apontaram para intercâmbio e aproximação institucional, sem anúncio de aquisição de armamentos.
Chefe do Estado-Maior brasileiro entra na GIDS e conhece o arsenal do Paquistão
Freire, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, liderou a delegação recebida pelo diretor-executivo da GIDS, Asad Kamal. A empresa atua na comercialização de produtos militares e apresentou seus projetos nacionais nas áreas terrestre, naval e aérea.
Em comunicado divulgado em sua página institucional no LinkedIn, a GIDS informou que a conversa incluiu seu portfólio, capacidades industriais e possíveis caminhos para cooperação bilateral. A instalação visitada fica em Rawalpindi, importante centro militar paquistanês, onde a comitiva também participou de reuniões de alto nível.
O encontro levou à mesa brasileira tecnologias com propostas diferentes: foguetes guiados para apoio terrestre, um míssil de cruzeiro voltado também à guerra naval e um armamento balístico lançado de navios.

Fatah-I lança oito foguetes guiados e alcança até 140 quilômetros
O primeiro sistema apresentado foi o Fatah-I, lançador múltiplo de foguetes guiados instalado sobre uma viatura militar. É a solução paquistanesa mais próxima, em conceito, da família Astros operada pelo Exército Brasileiro.
Segundo as especificações divulgadas pela GIDS, seus foguetes alcançam entre 60 e 140 quilômetros, levam ogiva de aproximadamente 150 quilos e utilizam navegação inercial assistida por satélite. A empresa anuncia erro circular provável de até 15 metros para os projéteis guiados.
O catálogo industrial também indica uma configuração com oito foguetes por lançador. O equipamento foi desenvolvido para atingir posições militares, estruturas e outros alvos terrestres a distâncias que ultrapassam o alcance de boa parte da artilharia convencional.
A semelhança visual com o Astros brasileiro está na plataforma móvel e no lançamento de múltiplas munições. Os tipos de foguete, o desempenho e a maturidade de cada componente precisam ser examinados separadamente.
Harbah leva ameaça naval a 280 quilômetros e usa sensores de orientação
O segundo armamento foi o Harbah, míssil de cruzeiro subsônico desenvolvido para atacar embarcações e alvos em terra. A versão Harbah NG, apresentada pela fabricante em seu catálogo, tem alcance declarado de até 280 quilômetros.
A GIDS informa velocidade de aproximadamente Mach 0,6 a 0,8, massa de 1.350 quilos e guiamento com navegação inercial e sistemas por satélite. Conforme a configuração, utiliza sensores de radar ou infravermelho para a aproximação final do alvo.
Ao contrário dos foguetes lançados em salvas, um míssil de cruzeiro percorre uma trajetória orientada e pode voar em baixa altitude para alcançar um objetivo específico. O Harbah foi apresentado como solução com aplicações tanto de defesa costeira quanto de ataque naval.
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P282 SMASH já foi testado a 350 km; versões de 500 km seguem como estimativa
O armamento de maior alcance comprovado entre os apresentados é o P282 SMASH, projeto de míssil balístico antinavio e de ataque terrestre associado à indústria de defesa paquistanesa. A Marinha do Paquistão anunciou em 4 de novembro de 2024 um lançamento bem-sucedido de míssil balístico embarcado com alcance de 350 quilômetros.
O sistema passou por outro teste divulgado em novembro de 2025. Diferentemente de um míssil de cruzeiro, sua trajetória balística envolve uma fase de subida impulsionada e uma descida orientada em direção ao alvo. Seu desenvolvimento busca ampliar a capacidade de atingir navios e instalações terrestres a partir do mar.
A reportagem da Infodefensa atribui ao projeto uma faixa de 290 a 350 quilômetros e menciona variantes de alcance estimado entre 450 e 500 quilômetros. O valor mais alto refere-se a possibilidades de versões avançadas, enquanto o teste publicamente documentado em 2024 informa 350 quilômetros.
Para atingir embarcações em movimento a longas distâncias, esse tipo de armamento depende ainda de informações de localização e acompanhamento do alvo. Alcance e capacidade de guiamento são características diferentes, ambas decisivas para a atuação naval.
Astros brasileiro anuncia até 300 km, enquanto míssil MTC passa por certificação
A visita ao Paquistão ocorreu num momento em que o Brasil mantém sua própria indústria de foguetes e mísseis. A Avibras Aeroco informa que o sistema Astros reúne munições de diferentes calibres e tem alcance declarado de 9 a 300 quilômetros, conforme a arma empregada.

A mesma fabricante registra que a nova geração do míssil tático de cruzeiro MTC, concebido para alcançar até 300 quilômetros, encontra-se em processo de certificação. Já o míssil balístico AV-SS-100 aparece como projeto em desenvolvimento.
O Fatah-I, de até 140 quilômetros, pertence à categoria de foguetes guiados; o Harbah e o SMASH apresentam missões navais específicas. As cifras publicadas por cada fabricante descrevem produtos e estágios distintos, sem estabelecer uma classificação geral de superioridade tecnológica entre países.
Freire encontra comando militar e ministro da Defesa; compra segue fora dos anúncios
Antes e durante a visita industrial, o almirante brasileiro participou de reuniões com o marechal de campo Syed Asim Munir, comandante do Exército e chefe das Forças de Defesa do Paquistão, além de encontros com os comandantes da Marinha e da Força Aérea daquele país.
Em 13 de outubro, Freire também se reuniu com o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif. O comunicado oficial do governo registrou conversas sobre segurança regional e possíveis iniciativas para ampliar a cooperação bilateral.
Na agenda naval foram discutidos intercâmbio profissional, visitas e treinamento. A aproximação amplia os contatos institucionais entre as forças dos dois países, enquanto a apresentação do Fatah-I, do Harbah e do P282 SMASH torna públicas tecnologias concretas examinadas pela delegação brasileira.
Os comunicados da GIDS e do governo paquistanês confirmaram as visitas e o interesse em ampliar o intercâmbio bilateral. Não houve anúncio de contrato de compra, transferência de tecnologia ou incorporação desses mísseis às Forças Armadas brasileiras. Você considera que o Brasil deveria ampliar essa cooperação ou priorizar seus programas nacionais? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.