Djalma Polli Coelho comandou estudos para a localização da nova capital entre 1946 e 1948; sua comissão recomendou um Distrito Federal de 77.254 km², proposta que não foi adotada.
O general Djalma Polli Coelho presidiu a comissão que propôs um Distrito Federal de 77.254 km² para abrigar a nova capital do Brasil. Apresentada em 1948, a recomendação territorial não foi adotada com essa dimensão.
O episódio é apresentado pelo Blog do Exército Brasileiro, espaço de publicação de artigos da instituição, em texto de 5 de agosto de 2026. Na época dos estudos, o engenheiro militar também dirigia o Serviço Geográfico do Exército.
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Sua participação ocorreu em uma fase anterior à escolha definitiva do local de construção e ao concurso do Plano Piloto. O trabalho examinava o território necessário à instalação da sede do governo e suas condições naturais.
A missão do general começou com a Constituição de 1946
A transferência da capital para o Planalto Central constava das disposições transitórias da Constituição de 1946. O texto previa uma comissão de técnicos para estudar a localização e o encaminhamento dos resultados ao Congresso Nacional.
Naquele ano, o presidente Eurico Gaspar Dutra nomeou a Comissão Técnica para o Estudo da Localização da Nova Capital da União. Polli Coelho assumiu sua presidência, e o grupo ficou conhecido como Missão Poli Coelho.

A tarefa retomava uma investigação iniciada décadas antes. A Missão Cruls havia estudado a região e demarcado um quadrilátero destinado à futura capital. A nova comissão avaliou essa referência e recomendou sua ampliação.
O território imaginado para o Distrito Federal
O relatório entregue em 1948 confirmou a qualidade da região indicada pela comissão anterior, mas apresentou uma proposta territorial mais extensa. A dimensão recomendada abrangia o futuro Distrito Federal, território que receberia a capital.
Segundo o Blog do Exército Brasileiro, Polli Coelho também sugeriu a transferência de cerca de 200 mil pessoas, incluindo funcionários dos Três Poderes e trabalhadores de diferentes atividades. Sua perspectiva considerava crescimento ao longo de 50 anos e a existência de cidades-satélites.
O planejamento, portanto, tratava tanto da instalação do governo quanto das necessidades de população e abastecimento que acompanhariam a mudança.
Água, energia e materiais entraram na avaliação
A comissão examinou características físicas que poderiam sustentar a futura capital. Entre os aspectos destacados estavam a localização em um divisor de bacias hidrográficas e as quedas d’água, consideradas possibilidades para geração de energia.
O artigo do Exército registra ainda a identificação de calcário para fabricação de cimento, madeira de construção e formações rochosas. Esses recursos integravam a avaliação sobre as condições de implantação da cidade.
Eram elementos de uma análise territorial: construir uma capital exigia estudar o ambiente que forneceria água, energia e materiais, além do espaço para ocupação.
A escolha posterior passou por cinco possíveis locais
O processo continuou depois da entrega do relatório. Em 1953, os estudos definitivos avançaram sobre uma área de 52 mil km², dimensão correspondente a outra etapa da investigação.
Uma nova comissão contratou levantamentos aerofotogramétricos, com participação da empresa Cruzeiro do Sul Aerofotogrametria e da norte-americana Donald J. Belcher and Associates. Fotografias aéreas ajudaram a analisar as condições do terreno.
Foram selecionadas cinco áreas para avaliação. A escolha recaiu sobre o Sítio Castanho, considerando suas condições naturais e a ligação rodoviária com Formosa e Cristalina, em Goiás.
Estudar a região não era escolher o projeto urbano
Cada etapa respondia a uma pergunta diferente. A comissão presidida pelo general Polli Coelho estudava a localização e a dimensão territorial. A seleção posterior do sítio definiu onde a cidade seria implantada. O Plano Piloto estabeleceu sua organização urbana.
Essa sequência ajuda a situar a contribuição do engenheiro militar na história de Brasília: seu trabalho pertence ao levantamento e ao planejamento do território que antecederam a construção.
A proposta de 1948 permaneceu como parte desse percurso. Já a capital construída resultou das decisões posteriores sobre localização, delimitação territorial e desenho urbano.
Ao lembrar a construção de Brasília, quais trabalhos de militares, técnicos e pesquisadores merecem mais espaço ao lado dos arquitetos? Conte nos comentários.