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Argentina coloca primeiro nanosatélite de Defesa em órbita de até 600 km com ajuda do Exército e da SpaceX e passa a testar comunicações, energia e controle no espaço

Desenvolvido pelo CITEDEF com participação do Exército Argentino, o ETNS viajou em um Falcon 9 da SpaceX, entrou em órbita entre 500 e 600 km e vai testar comunicações, energia, navegação e controle por cerca de dois anos.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 05/10/2026 às 17:59
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Argentina coloca primeiro nanosatélite de Defesa em órbita de até 600 km com ajuda do Exército e da SpaceX e passa a testar comunicações, energia e controle no espaço
Desenvolvido pelo CITEDEF com participação do Exército Argentino, o ETNS viajou em um Falcon 9 da SpaceX, entrou em órbita entre 500 e 600 km e vai testar comunicações, energia, navegação e controle por cerca de dois anos.

A Argentina colocou em órbita um pequeno equipamento que marca a entrada direta de seu Ministério da Defesa e do Exército em uma nova etapa tecnológica. O Evaluador Tecnológico Nano Sat (ETNS), desenvolvido pelo CITEDEF com participação do Exército Argentino, viajou a bordo de um Falcon 9 da SpaceX e já opera a centenas de quilômetros da superfície terrestre.

O lançamento ocorreu em 1º de outubro de 2026, dentro da missão Transporter-18, a partir do Complexo de Lançamento Espacial 4E da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. O equipamento foi colocado em órbita terrestre baixa, entre 500 e 600 quilômetros de altitude, onde deve completar uma volta ao redor da Terra em aproximadamente 90 minutos.

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O ETNS foi criado para levar ao espaço tecnologias que até agora vinham sendo avaliadas em terra. A missão reúne sistemas de eletrônica, energia, comunicações, navegação, controle de atitude, software, processamento de dados e estruturas espaciais e deverá produzir informações para novos projetos ligados à Defesa argentina.

Falcon 9 levou o nanosatélite militar argentino para uma órbita de até 600 km

O transporte até o espaço foi feito por um Falcon 9 da SpaceX, dentro de uma missão compartilhada que levou dezenas de cargas ao espaço. Depois da separação do veículo lançador, o ETNS iniciou a etapa de validação orbital para a qual foi construído.

A altitude prevista, entre 500 e 600 km, mantém o equipamento em órbita terrestre baixa. Nessa faixa, o nanosatélite cruza rapidamente diferentes regiões do planeta e completa cada volta em cerca de uma hora e meia. Os responsáveis pelo projeto calculam que a comunicação direta com a estação terrestre ocorre em janelas curtas, de aproximadamente 13 minutos por passagem, duas ou três vezes ao dia.

As antenas e estações em solo fazem parte da missão desde a origem. Elas recebem telemetria, acompanham o estado dos sistemas e permitem testar a capacidade de estabelecer enlaces entre um veículo espacial e a infraestrutura terrestre.

Projeto começou em 2016 e ganhou novo impulso com participação do Exército

Equipe técnica do CITEDEF ao lado do nanosatélite ETNS durante o desenvolvimento do projeto.
Equipe técnica do CITEDEF com o nanosatélite ETNS, desenvolvido com participação do Exército Argentino. Crédito: Ministerio de Defensa de Argentina / CITEDEF.

O desenvolvimento do ETNS começou a tomar forma em 2016, dentro de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Defesa argentino. O trabalho foi conduzido pelo Instituto de Investigações Científicas e Técnicas para a Defesa, o CITEDEF, organismo responsável por projetos tecnológicos aplicados às Forças Armadas.

O programa atravessou uma interrupção durante a pandemia e retomou força posteriormente. Engenheiros envolvidos no desenvolvimento relataram que o Exército Argentino passou a participar de maneira direta por meio da Direção-Geral de Comunicações, Informática e Ciberdefesa e financiou a etapa final da iniciativa e o lançamento.

Em 2025, o projeto já havia sido apresentado publicamente no Congresso Argentino de Tecnologia Espacial com a denominação “ETNS CubeSat CITEDEF – Ejército Argentino”. O lançamento transformou anos de ensaios, integração e testes em uma missão espacial real.

CubeSat vai testar energia, comunicações, navegação e controle de atitude no espaço

O ETNS pertence à família dos CubeSats, pequenos satélites construídos a partir de módulos padronizados. Os desenvolvedores trabalharam com componentes compactos e comerciais para reduzir custos e concentrar a missão na validação dos sistemas.

Entre as tecnologias embarcadas estão geração e gerenciamento de energia, comunicação com o solo, navegação, software de missão, processamento de dados e controle de atitude. Esse último sistema é responsável por detectar o movimento do nanosatélite e estabilizar sua orientação, permitindo que as antenas mantenham a geometria necessária para os enlaces com a Terra.

Os painéis solares também foram preparados para maximizar o aproveitamento da radiação. Segundo os engenheiros entrevistados durante o desenvolvimento, as células utilizadas podem chegar a eficiência próxima de 30%, acima dos percentuais típicos de muitos painéis solares residenciais.

Técnicos do CITEDEF trabalham no nanosatélite ETNS durante a fase de integração e testes.
Técnicos do CITEDEF trabalham no ETNS durante a preparação do nanosatélite desenvolvido com participação do Exército Argentino. Crédito: Ministerio de Defensa de Argentina / CITEDEF.

Exército quer transformar experiência orbital em capacidade para futuras missões

O Ministério da Defesa argentino define o ETNS como uma plataforma de validação tecnológica, e não como um grande satélite operacional. Seu valor está no ciclo completo: projetar, integrar, testar, lançar, acompanhar e controlar um sistema próprio em órbita.

Esse processo também serve para formar especialistas. A equipe precisa lidar com energia, telecomunicações, dinâmica orbital, controle, software, tratamento de dados e operação de estações em terra, acumulando experiência que pode ser reaproveitada em projetos futuros.

Os pesquisadores já apontavam durante o desenvolvimento que parte desse conhecimento poderia ser aplicada a necessidades concretas das Forças Armadas, principalmente em comunicações e serviços satelitais. A missão também envolve tecnologias de uso dual, capazes de atender projetos militares e civis.

Vida útil prevista é de cerca de dois anos, mas resultado começa a ser medido agora

Antes do lançamento, os desenvolvedores estimavam uma vida útil em torno de dois anos, sujeita às condições reais encontradas em órbita e ao comportamento dos componentes. O primeiro objetivo é comprovar que o conjunto funciona fora do ambiente controlado dos laboratórios.

Depois da entrada em órbita, a equipe passou a aguardar e estabelecer os enlaces de comunicação necessários para iniciar a avaliação dos dados. Cada contato com o satélite permite verificar bateria, telemetria, estabilidade, comunicações e desempenho dos demais subsistemas.

Os resultados deverão orientar novas linhas de pesquisa e desenvolvimento do CITEDEF e do Ministério da Defesa. Para a Argentina, o ETNS representa um passo pequeno em tamanho físico, mas concreto: um sistema desenvolvido para a Defesa saiu do laboratório, viajou em um foguete comercial e agora precisa provar seu funcionamento entre 500 e 600 km acima da Terra.

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