Antes que um foguete deixe a lançadora, há uma cadeia de decisões que começa longe do disparo: preparar a posição, receber dados do alvo, planejar a missão, calcular o tiro, coordenar os elementos envolvidos e garantir que homens, munição e veículos estejam prontos para agir. É justamente nessa parte menos visível da artilharia que o Exército Brasileiro acaba de ampliar a formação de seus sargentos.
Segundo o Exército Brasileiro, entre 10 de agosto e 2 de outubro, militares de Artilharia passaram pelo Curso Avançado de Artilharia de Mísseis e Foguetes, realizado em Formosa, Goiás. A capacitação terminou com uma das etapas mais importantes do treinamento: missões de tiro real, nas quais os alunos precisaram aplicar no terreno aquilo que vinha sendo trabalhado em sala.
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O curso é conduzido pelo Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes, organização responsável por preparar militares para funções que vão muito além de simplesmente operar uma lançadora.
Ali são formados profissionais para atuar também no planejamento, na logística e no emprego dos sistemas de mísseis e foguetes, áreas essenciais para que uma unidade de artilharia de longo alcance consiga funcionar de maneira coordenada.
Do planejamento ao tiro real
Durante a formação, os sargentos trabalharam conteúdos relacionados à preparação da missão, planejamento e técnica de tiro dentro de um contexto tático.
A teoria foi acompanhada por exercícios no terreno, permitindo que os militares lidassem com procedimentos que depois seriam cobrados em uma situação prática.
Na etapa final, a chamada Escola de Fogo de Instrução colocou esses conhecimentos em uma missão de tiro real.
É nesse momento que diferentes partes do sistema precisam funcionar juntas. Uma bateria de mísseis e foguetes não depende apenas do veículo que dispara. Há elementos responsáveis por comando, comunicações, cálculo, logística, posicionamento e coordenação do fogo.
O sargento ocupa papel importante nessa engrenagem porque participa diretamente da execução das tarefas técnicas e da ligação entre planejamento e emprego dos meios em campo.
Segundo o próprio Exército, a finalidade do curso é ampliar e consolidar conhecimentos necessários ao apoio de fogo de longo alcance, capacidade utilizada para atingir objetivos localizados muito além da área imediata onde as tropas terrestres estão combatendo.
Formosa concentra estrutura de mísseis e foguetes
A escolha de Formosa para esse tipo de formação não é casual.
A região abriga o Forte Santa Bárbara, onde está concentrada uma parcela importante da estrutura brasileira ligada à Artilharia de Mísseis e Foguetes.
O complexo reúne organizações militares especializadas e permite integrar treinamento, emprego operacional e preparação de pessoal em uma mesma região.
É também nesse ambiente que o Sistema ASTROS ocupa posição central.
Desenvolvido no Brasil, o sistema trabalha com diferentes tipos de foguetes e integra a capacidade de fogo de longo alcance da Força Terrestre. Nos últimos anos, essa estrutura também passou a receber projetos voltados a maior precisão e alcance.
Mas a notícia mais recente do Exército aponta para uma transformação que vai além das próprias munições.
ASTROS-FOGOS ficou maior
Com a reorganização dos Programas Estratégicos do Exército, o ASTROS-FOGOS passou a incorporar iniciativas anteriormente vinculadas ao Programa Estratégico Defesa Antiaérea.
Na prática, o programa ganhou um escopo mais amplo.
Ele agora reúne esforços voltados tanto ao apoio de fogo quanto à recuperação e ao desenvolvimento de capacidades de defesa antiaérea em diferentes faixas de emprego.
Isso não significa que uma lançadora ASTROS tenha passado a funcionar como sistema antiaéreo.
A mudança ocorre no nível do programa estratégico. Sob a estrutura ASTROS-FOGOS passaram a coexistir projetos relacionados à artilharia, mísseis, foguetes e iniciativas destinadas à modernização da defesa contra ameaças aéreas.
É justamente essa diferença que torna a notícia sobre capacitação mais relevante.
O Exército não está apenas modernizando equipamentos. Precisa formar militares capazes de operar, manter, planejar e coordenar sistemas que passam a fazer parte de uma estrutura estratégica mais ampla.
Defesa antiaérea entra no mesmo programa
A ampliação acontece em um momento no qual a defesa antiaérea voltou a receber atenção especial dentro da Força.
Em agosto, durante o Exercício Sagitta Primus 2026, o Exército já havia testado uma estrutura de proteção contra drones envolvendo blindados Gepard, viaturas Guarani com metralhadoras calibre .50, radares SABER, guerra eletrônica e bloqueadores de frequência.
Agora, a própria comunicação oficial do Exército coloca o desenvolvimento dessas capacidades dentro do escopo ampliado do ASTROS-FOGOS.
Dessa forma, a palavra “ASTROS” passa a aparecer associada a algo maior que a imagem conhecida dos caminhões lançando foguetes no campo de instrução. O programa passa a reunir iniciativas ligadas tanto ao apoio de fogo de longo alcance quanto à recuperação e ao desenvolvimento das capacidades de defesa antiaérea do Exército.