A Argentina colocou a YPF no centro de um novo acordo para garantir combustível, lubrificantes e serviços às Forças Armadas em todo o país, sustentar a Campanha Antártica e ampliar a cooperação na proteção de infraestrutura energética crítica. O convênio foi anunciado pelo Ministério da Defesa em 1º de outubro e une a pasta comandada pelo tenente-general Carlos Alberto Presti à maior empresa de energia do país.
Defesa e YPF passarão a trabalhar juntas na identificação e proteção de instalações e redes de fornecimento consideradas essenciais ao funcionamento nacional. Ao mesmo tempo, a empresa ampliará sua participação nas licitações do setor militar e nos processos de abastecimento das Forças Armadas.
Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
As duas estruturas têm presença nacional: as Forças Armadas argentinas atuam nas 24 províncias, e a YPF também opera em todo o território. O convênio usa essa capilaridade para sustentar deslocamentos, consumo de combustíveis, lubrificação de meios e serviços necessários às operações militares.
YPF entra mais fundo nas compras militares e no abastecimento das 24 províncias
O Ministério da Defesa informou que a YPF deverá aprofundar sua participação nos processos licitatórios da pasta, inclusive no Programa de Abastecimento Consolidado de Insumos para a Defesa, o PACID. Esse mecanismo concentra demandas de diferentes componentes militares e aparece em processos de compra destinados a manter veículos, embarcações, aeronaves e outras estruturas em condições de operação.
A relação entre a empresa de energia e a Defesa argentina já aparece em normas anteriores. O Decreto nº 1.189/2012 determinou que órgãos da Administração Pública Nacional contratassem com a YPF o fornecimento de combustíveis e lubrificantes para frotas oficiais de automóveis, embarcações e aeronaves, salvo exceções previamente autorizadas.

Essa regra ajuda a explicar por que a companhia aparece repetidamente na logística militar. Em 2023, por exemplo, as três Forças solicitaram lubrificantes pelo PACID. O processo oficial registrou pedidos do Exército, da Armada e da Força Aérea e apontou uma lista definitiva de 45 lubrificantes analisados tecnicamente.
Nem todos podiam ser comprados da YPF. Parte dos produtos tinha especificações militares, normas técnicas ou características que a empresa não comercializava. O governo então autorizou uma exceção para permitir a aquisição por outras vias, mostrando que o sistema de abastecimento precisa combinar a preferência institucional pela YPF com exigências técnicas específicas de cada equipamento.
Os antecedentes oficiais também mostram que o abastecimento energético militar argentino envolve diferentes tipos de meios. A regra de 2012 alcança automóveis, embarcações e aeronaves, enquanto o PACID organiza demandas específicas das três Forças. Isso dá ao novo convênio uma base logística já existente, agora ampliada por serviços, licitações e cooperação sobre ativos críticos.
Campanha Antártica ganha prioridade e já teve contrato milionário com a YPF

Um dos pontos destacados no novo acordo é o abastecimento da Campanha Antártica Argentina. A operação logística mantém bases habitadas durante todo o ano e exige transporte de combustível, alimentos, equipamentos e pessoal em uma região marcada por longas distâncias, isolamento e condições ambientais severas.
O vínculo entre a YPF e essa operação não começou agora. Em 2017, o Ministério da Defesa realizou uma contratação direta interadministrativa para comprar óleo diesel a granel destinado aos navios que participariam da Campanha Antártica de Verão 2017/2018. O gasto estimado naquele processo foi de 145,58 milhões de pesos argentinos, segundo a decisão administrativa publicada no Boletim Oficial.
A contratação foi solicitada pela área de Logística Antártica e financiada pelo programa de Sustentação Logística Antártica do Estado-Maior Conjunto. O dado mostra que o abastecimento polar já exigia uma cadeia própria de contratação, orçamento e distribuição de combustível anos antes do atual convênio.
Agora, o governo argentino volta a colocar o tema entre os eixos centrais da parceria. A Defesa afirma que garantir combustível nessas condições é fundamental para a continuidade da presença argentina no continente. O novo instrumento amplia o relacionamento ao combinar fornecimento, serviços, participação em licitações e coordenação institucional.
Forças Armadas e YPF vão identificar e proteger instalações de energia consideradas críticas

O trecho mais sensível do convênio está na infraestrutura energética crítica. Defesa e YPF pretendem cooperar na identificação e proteção de instalações e redes de fornecimento essenciais ao funcionamento da Argentina. O comunicado oficial apresenta essa missão de forma ampla e não divulga uma lista de locais, instalações ou planos operacionais específicos.
O tema ganha peso porque a YPF atua em diferentes etapas do setor energético, enquanto as Forças Armadas dispõem de meios de deslocamento, comunicações, engenharia e presença territorial. O acordo cria uma base institucional para que as duas estruturas coordenem planejamento e ações relacionadas a ativos considerados essenciais, sem que o anúncio, por si só, signifique a criação de uma nova operação militar.
A assinatura ficou a cargo de Carlos Alberto Presti, ministro da Defesa, e de Horacio Daniel Marín, presidente e CEO da YPF. O governo apresentou o instrumento como uma forma de fortalecer as capacidades operacionais militares e dar maior previsibilidade ao abastecimento necessário para missões regulares e operações de maior complexidade.
O acordo reúne três frentes que até então apareciam dispersas em contratos e processos administrativos: a logística diária das Forças Armadas nas 24 províncias, o fornecimento para a Campanha Antártica e a cooperação para proteger redes e instalações energéticas consideradas essenciais.
Os próximos efeitos concretos deverão aparecer nas licitações, nos processos do PACID e em projetos específicos entre Defesa e YPF. O comunicado de outubro não informa valor global para o convênio nem detalha quais instalações serão incluídas na frente de infraestrutura crítica, pontos que dependerão de medidas posteriores.