Em 1985, o rebocador da Marinha Almirante Guillobel participou do desencalhe do Marina L, que seguia para a Holanda; dois mercantes ajudaram a retirar parte da carga para permitir a operação.
O rebocador da Marinha Almirante Guillobel trabalhou durante 31 dias na operação que libertou o cargueiro grego Marina L, encalhado nas proximidades do porto de Paranaguá, no Paraná. O desencalhe foi concluído em 1º de outubro de 1985, depois de uma mobilização que também contou com o auxílio de dois navios mercantes.
O cargueiro transportava 29.500 toneladas de soja para a Holanda quando ficou preso no Banco da Galheta, após deixar o porto. Com 185 metros de comprimento, a embarcação precisou ter parte da carga retirada durante os trabalhos de salvamento.
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A história consta no Navios de Guerra Brasileiros, catálogo que apresenta características e registros de serviço de embarcações da Marinha. O episódio permite conhecer uma atividade naval que depende de planejamento, capacidade de reboque e cooperação com embarcações civis.
O Marina L encalhou depois de sair carregado de Paranaguá
O acidente ocorreu em 23 de agosto de 1985, quando o mercante já havia iniciado a viagem de exportação. A soja embarcada seguiria para um destino europeu, mas o contato com o banco de areia interrompeu a saída e deixou o navio imobilizado próximo ao acesso portuário.
A localização é um elemento importante para entender o problema. Um navio encalhado precisa recuperar condições de flutuação e alcançar uma área com profundidade suficiente para se movimentar. A operação envolve tanto a situação do casco apoiado no fundo quanto o caminho pelo qual a embarcação poderá ser retirada.

No caso do Marina L, o trabalho exigiu a participação de um rebocador de alto-mar e apoio para reduzir o peso transportado. A combinação dessas medidas aparece no registro do salvamento e ajuda a explicar a dimensão logística da missão.
Os 31 dias de trabalho fazem parte de um encalhe mais longo
Entre a saída interrompida em agosto e o desencalhe no começo de outubro, transcorreram 39 dias. Dentro desse intervalo, o histórico atribui 31 dias à faina de desencalhe, expressão usada no meio naval para designar o trabalho executado na operação.
Preservar essa cronologia permite acompanhar duas etapas diferentes: o momento em que o mercante perdeu a capacidade de navegar e o período de atuação registrado para libertá-lo. A chegada ao resultado dependeu de uma sequência de atividades, com participação militar e civil.
O relato disponível é sintético. Ele documenta a duração da faina e a retirada parcial da carga, enquanto uma reconstrução diária exigiria registros operacionais mais detalhados. Por isso, a história pode ser contada com segurança a partir dessas etapas confirmadas, sem atribuir a cada dia uma manobra específica.
Dois mercantes ajudaram a aliviar a carga de soja
Segundo o Navios de Guerra Brasileiros, outros dois mercantes auxiliaram no alívio de parte da carga. Essa participação acrescentou ao salvamento uma tarefa de movimentação de mercadorias, necessária para alterar as condições em que o cargueiro se encontrava.
Em operações de desencalhe, retirar peso pode reduzir a parcela do navio sustentada pelo fundo. Quando a embarcação recupera a flutuação, a redução de peso também diminui seu calado, a distância vertical entre a superfície da água e a parte mais baixa do casco.
A distribuição da carga merece cuidado. Retirar material de diferentes pontos modifica o equilíbrio do navio e os esforços sobre sua estrutura. Por isso, um plano de alívio precisa considerar a estabilidade, a posição do casco e a força necessária para movimentá-lo.
Esses princípios explicam a utilidade do transbordo em um salvamento desse tipo. Para o Marina L, o dado confirmado é a retirada parcial da soja com auxílio das duas embarcações; o volume transferido permanece fora do relato utilizado.
O Almirante Guillobel tinha 63,15 metros de comprimento
Identificado pelo número de costado R-25, o Almirante Guillobel era uma embarcação especializada em reboque e apoio. Seu comprimento de 63,15 metros ajuda a visualizar a diferença de escala em relação ao cargueiro atendido no litoral paranaense.
Construído no Japão, o navio operou anteriormente com o nome Superpesa V. Sua incorporação à Marinha ocorreu em 22 de janeiro de 1981, quando passou a integrar o serviço naval brasileiro como rebocador de alto-mar.
Esse tipo de embarcação emprega sua propulsão para transmitir força ao navio rebocado por meio de cabos e dispositivos preparados para a tarefa. No desencalhe, a tração precisa ser avaliada junto com o apoio do casco no fundo, a flutuação e as condições do local.
O tamanho de um rebocador, portanto, é apenas uma das características envolvidas. A condução da operação exige avaliar como aplicar a força e como preparar a embarcação atendida para voltar a se movimentar com segurança.
Uma missão de salvamento dentro da trajetória do rebocador
O serviço do Almirante Guillobel incluiu reboques, abastecimento de postos e apoio a exercícios. Antes do episódio em Paranaguá, ele já havia transportado a plataforma Iemanjá e prestado socorro ao veleiro Piloto, atividades que demonstram a variedade de trabalhos atribuídos ao navio.
Sua carreira também passou por missões de busca e resgate. Em 2010, participou da operação relacionada ao naufrágio do veleiro canadense Concordia, em conjunto com outras unidades da Marinha. O rebocador permaneceu no serviço ativo até 22 de maio de 2019.
O salvamento do Marina L permanece como um exemplo concreto dessa trajetória: uma embarcação militar empregada para recuperar a mobilidade de um cargueiro civil, com apoio de navios que ajudaram a aliviar seu peso.
Concluída em outubro de 1985, a operação combinou o trabalho prolongado do rebocador com a retirada de parte da soja. O resultado encerrou o encalhe e passou a integrar o histórico de serviço do R-25.
Quais outras operações de salvamento realizadas por rebocadores da Marinha merecem ser recuperadas na história naval brasileira? Se você participou ou conhece registros dessas missões, compartilhe nos comentários.