O Exército realizou, pela 1ª vez, um exercício de adestramento de tiro embarcado que combinou o sistema de armas Remax, desenvolvido no Brasil, e o blindado Guarani durante a travessia de um curso d’água. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 27 de outubro.
O treinamento faz parte de uma estratégia maior da Força: preservar a vida dos militares em combate e produzir sistemas de armas nacionais, em vez de depender de outros países.
Como foi o exercício com o blindado Guarani

Na prática, durante o adestramento, os militares executaram diversos disparos embarcados. Ou seja, permaneceram dentro das viaturas blindadas Guarani enquanto recebiam, em tempo real, as imagens captadas pelo visor do atirador. Ao mesmo tempo, realizaram a travessia do obstáculo aquático.
Segundo o Exército, o exercício exige coordenação, atenção e domínio técnico.
“A atividade contribuiu para o desenvolvimento das habilidades necessárias ao emprego eficiente dos sistemas de armas em diferentes situações, reforçando a preparação dos militares para atuar em ambientes operacionais desafiadores”, disse a Força.
Disparo de dentro do blindado protege a vida dos militares
Esse tipo de sistema de armas é muito útil para aumentar a capacidade das Forças Armadas de preservar a vida dos militares, já que eles fazem o disparo do interior das viaturas, sem se expor ao fogo inimigo.
O Remax (Reparo de Metralhadora Automatizado) é um sistema de armas controlado remotamente e faz parte do pacote de evolução tecnológica do Exército para incrementar as capacidades da tropa e aumentar o poder de combate e a velocidade de reação no cenário militar.
As pesquisas e o desenvolvimento do Remax foram feitos pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) em parceria com a empresa ARES, que integra a base industrial de defesa do Brasil e também contribuiu com outro sistema de armas controlado remotamente, a TORC30 (Torre Operada Remotamente e Estabilizada para Canhão 30 mm).
Apesar de serem particularmente úteis em combinação com a nova família de blindados Guarani, os 2 sistemas podem ser acoplados a qualquer tipo de viatura operacional.
O Exército defende que o investimento em tecnologia nacional, aliado ao adestramento permanente, fortalece a prontidão e a capacidade dissuasória da Força Terrestre e contribui para a defesa do território nacional.
Exército quer reduzir a dependência externa
Nos bastidores, o Exército tenta driblar a grande dependência as Forças Armadas brasileiras têm de sistemas de armamentos de outros países, em especial EUA, França, Suécia, Alemanha e Itália. O caminho é fomentar o domínio das capacidades estratégicas e o desenvolvimento de soluções nacionais, de fato adaptadas à demanda local.
A partir da guerra da Ucrânia, também ficou claro não só para as Forças Armadas brasileiras, mas para as de todo o mundo, que hoje são necessários rápida adaptação tecnológica e uso massivo de drones, inteligência artificial e sistemas autônomos.
Em artigo publicado no blog do Exército em 22 de julho, o General de Divisão Tales Eduardo Areco Villela, o Capitão Matheus Bozza e o Coronel Dornelles argumentam que as novas tecnologias hoje surgem e se disseminam no campo de batalha com velocidade sem precedentes.
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“Depender exclusivamente de empresas ou de importações significa correr atrás do prejuízo em vez de liderar o processo de desenvolvimento. Para acompanhar essa evolução, o Exército precisa investir de forma contínua na modernização do seu Sistema de Fabricação, garantindo não apenas a manutenção da produção nacional, mas também a capacidade de inovar e integrar novas tecnologias aos seus equipamentos”, dizem os autores.
Nos últimos anos, são exemplos de projetos nacionais do Exército a própria viatura blindada de transporte de pessoal MSR Guarani, o Sistema Astros 2020, que contempla o míssil tático de cruzeiro MTC-300, e o obuseiro 105 mm autorrebocado.