Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Com a vitória de Lula, general Tomás Paiva pode deixar o comando do Exército para assumir o GSI, enquanto presidente avalia trocas na Marinha e Aeronáutica em 2027

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 27/10/2026 às 19:45
Compartilhar
Com a vitória de Lula, general Tomás Paiva pode deixar o comando do Exército para assumir o GSI, enquanto presidente avalia trocas na Marinha e Aeronáutica em 2027
General Tomás Paiva (à esq.), comandante do Exército, ao lado do presidente Lula e do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. O militar é cotado para assumir o GSI em 2027. (Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto)

A possível saída dos três comandantes das Forças Armadas faz parte das mudanças avaliadas para o novo mandato. José Múcio também deve deixar o Ministério da Defesa, enquanto generais, brigadeiros e almirantes aparecem entre os cotados para assumir os postos em janeiro.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 pode provocar uma mudança simultânea no comando das três Forças Armadas. O general Tomás Paiva, atual comandante do Exército Brasileiro, é cotado para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, enquanto Lula avalia substituições também na Marinha e na Aeronáutica.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, os atuais comandantes das três Forças já sinalizaram às tropas a intenção de deixar os cargos após quatro anos. A expectativa é que a transição ocorra em janeiro de 2027, no início do novo mandato presidencial.

A reorganização também deve alcançar o Ministério da Defesa. José Múcio Monteiro, que ocupa o cargo desde janeiro de 2023, está decidido a deixar a pasta.

General Tomás Paiva pode assumir o GSI, enquanto quatro nomes aparecem na disputa pelo comando do Exército

Campanha arrecadou R$ 17 milhões.
O comandante do Exército, general Tomás Paiva, ao lado do presidente Lula, que avalia sua possível indicação para chefiar o GSI em 2027. (Foto: Agência Brasil)

A possível transferência de Tomás Paiva para o GSI abre espaço para uma disputa entre oficiais-generais de quatro estrelas pelo comando do Exército.

De acordo com O Globo, o nome mais citado entre integrantes da Força é o do general Francisco Montenegro Júnior, atual chefe do Estado-Maior do Exército. Próximo de Tomás Paiva, Montenegro aparece como possível sucessor, embora não esteja entre os três oficiais mais antigos do Alto Comando.

Pelo critério de antiguidade, outros três generais são considerados para o posto: Luciano Guilherme Pinheiro, Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento.

A escolha cabe ao presidente da República, que não é obrigado a seguir a ordem de antiguidade apresentada pelo Ministério da Defesa.

Caso Montenegro Júnior seja escolhido, os oficiais mais antigos deverão ser transferidos para a reserva, conforme o cenário descrito pelo jornal.

A movimentação tem um significado que ultrapassa a substituição de um comandante. A escolha determinará quem conduzirá o Exército durante o próximo ciclo presidencial, incluindo a relação institucional da Força com o Palácio do Planalto.

Marinha e Aeronáutica também podem ter novos comandantes em janeiro de 2027

Na Força Aérea Brasileira, a possível saída do tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno coloca dois oficiais entre os principais nomes considerados para a sucessão.

O primeiro é Walcyr de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica e oficial mais antigo da Força.

O segundo é Ary Soares Mesquita, secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica, que ocupa a segunda posição na ordem de antiguidade.

Na Marinha do Brasil, a eventual saída do almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen também movimenta a sucessão.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Entre os cotados estão Arthur Fernando Bettega, submarinista e chefe do Estado-Maior da Armada, segundo mais antigo da instituição, e Carlos Chagas Vianna Braga, oficial mais antigo e comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais.

Segundo interlocutores ouvidos por O Globo, os atuais comandantes consideram cumpridas suas missões e entendem que chegou o momento de permitir a renovação dos postos.

A expectativa é que os nomes dos sucessores sejam divulgados em novembro, permitindo uma transição organizada no início de 2027.

José Múcio deve deixar o Ministério da Defesa e dois nomes são cogitados para substituí-lo

As mudanças avaliadas por Lula não se limitam aos comandos militares.

José Múcio Monteiro, que assumiu o Ministério da Defesa em janeiro de 2023, pretende encerrar sua passagem pela pasta.

Durante o mandato, o ministro chegou a colocar o cargo à disposição do presidente em diferentes ocasiões, mas foi convencido a permanecer.

Segundo O Globo, Múcio indicou como possível sucessora Cinara Wagner Fredo, servidora pública de carreira e atual secretária-geral do Ministério da Defesa.

Cinara já representa o ministro em reuniões no Palácio do Planalto e conhece a estrutura administrativa da pasta.

Outro nome considerado é Márcio Elias Rosa, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Com experiência na administração pública e conhecimento de assuntos relacionados à Defesa, Rosa também aparece entre as alternativas avaliadas para o cargo.

A intenção, segundo a reportagem, é manter um civil à frente do Ministério da Defesa.

Lula deve definir os nomes em novembro, antes da transição de janeiro

A eventual substituição simultânea dos três comandantes ocorrerá após um período marcado pela tentativa de recomposição das relações entre o governo federal e as Forças Armadas.

O cenário também envolve os desdobramentos judiciais da tentativa de golpe de Estado e as medidas adotadas durante o atual mandato para preservar a atuação institucional dos militares.

Diferentemente do ambiente de tensão observado no início de 2023, a expectativa apresentada por interlocutores ao jornal é de uma transição sem grandes incertezas.

A definição dos novos comandantes dependerá da decisão de Lula, assim como a escolha do próximo ministro da Defesa.

Se confirmadas, as mudanças colocarão novos oficiais à frente do Exército, da Marinha e da Aeronáutica a partir de janeiro de 2027, enquanto Tomás Paiva poderá permanecer no governo em uma função diretamente vinculada à Presidência da República.

guest
0 Comentários