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Brasil comprou oito dos 11 Gripen F encomendados no mundo, superando Colômbia e Tailândia juntas, mas ficha oficial da Saab revela que canhão de 27 mm não aparece na versão de dois lugares

Brasil encomendou oito Gripen F bipostos, mas ficha oficial da Saab registra canhão BK27 de 27 mm no Gripen E e um traço no F. Ambos mantêm 10 suportes externos; o primeiro F já voou na Suécia com piloto da FAB.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 24/10/2026 às 09:04
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Brasil comprou oito dos 11 Gripen F encomendados no mundo, superando Colômbia e Tailândia juntas, mas ficha oficial da Saab revela que canhão de 27 mm não aparece na versão de dois lugares
Gripen E monoposto da Força Aérea Brasileira em voo. Na ficha da Saab, esta versão aparece com canhão BK27 de 27 mm, enquanto o Gripen F biposto tem outra indicação. Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República / CC BY-SA 4.0.

O Brasil encomendou oito caças Gripen F de dois lugares, mas uma diferença na ficha oficial da Saab separa essa versão do Gripen E monoposto: o canhão Mauser BK27 de 27 milímetros aparece indicado no modelo E e fica sem indicação na coluna do F. O fabricante confirma, ao mesmo tempo, dez pontos externos para armamentos e equipamentos em cada uma das versões.

A comparação envolve parte dos 36 caças encomendados pela Força Aérea Brasileira em 2014: 28 Gripen E e oito Gripen F. O primeiro modelo de dois assentos para o Brasil foi apresentado na Suécia em junho de 2026 e realizou seu voo inaugural em agosto, com um piloto brasileiro a bordo.

Engenheiros brasileiros ajudaram a desenvolver o Gripen F para duas funções: treinar pilotos no novo caça e executar missões operacionais com dois tripulantes. O canhão interno e os suportes para armamentos externos são equipamentos diferentes: a tabela do fabricante preserva a mesma quantidade de dez pontos externos nas duas versões.

Saab indica canhão Mauser BK27 no Gripen E, mas apresenta um traço para o Gripen F

Na ficha técnica oficial da família Gripen E-series, a Saab compara as configurações de um e dois assentos. Na linha identificada como “Mauser BK27 mm gun”, aparece “Yes” para o Gripen E; no campo do Gripen F, um traço ocupa a mesma posição.

O BK27 é um canhão interno de calibre 27 milímetros, diferente de mísseis ou equipamentos transportados externamente. Na ficha da Saab, o canhão está associado ao monoposto, enquanto a célula correspondente do biposto mostra apenas um traço.

As configurações de armamento que poderão ser empregadas por cada operador dependem da integração realizada e dos equipamentos aprovados. A ficha deixa visível a diferença do canhão e mantém os dez suportes externos para as duas aeronaves.

Vista frontal próxima de um caça Gripen E da FAB em voo, com nariz cinza, cabine monoposto fechada e asas sobre o céu azul.
Gripen E da Força Aérea Brasileira visto de frente durante voo. A versão monoposto aparece na ficha da Saab com canhão Mauser BK27 de 27 mm. Foto: SO Johnson Barros / FAB / CC BY-SA 2.0.

Gripen F conserva dez pontos de armas e pode realizar missões de combate com dois tripulantes

Os dez pontos de fixação externos, chamados hardpoints, são posições onde o caça pode transportar armas e equipamentos de missão compatíveis. A quantidade aparece idêntica nas duas colunas técnicas da Saab, mesmo com o campo do canhão diferente.

A fabricante apresenta o Gripen E com radar AESA, sensor infravermelho IRST, guerra eletrônica e capacidade de utilizar mísseis ar-ar, entre eles Meteor e IRIS-T. A variante F compartilha a arquitetura da família e foi concebida para combinar treinamento de conversão de pilotos e combate operacional.

O segundo tripulante pode trabalhar com os sistemas, monitorar informações táticas e apoiar a coordenação da missão enquanto o piloto da frente conduz a aeronave. A divisão de funções permite usar a cabine traseira em treinamento e em missões operacionais, conservando as dez posições para cargas externas.

Versão de dois lugares é 70 centímetros maior, mas mantém peso máximo e empuxo do Gripen E

O Gripen F mede 15,9 metros de comprimento, enquanto o Gripen E tem 15,2 metros. São 70 centímetros a mais no avião com segundo assento, segundo os dados publicados pela própria fabricante.

Os dois caças têm 8,6 metros de envergadura, peso máximo de decolagem de 16.500 quilos e empuxo máximo de 98 quilonewtons. Ambos contam com reabastecimento em voo, permitindo ampliar a duração de missões conforme o apoio disponível.

A Saab informa ainda 15 a 25 minutos de preparação de combate entre missões nas condições indicadas pela ficha. O Gripen F mantém esse dado e acrescenta o segundo posto de operação dentro da cabine.

Brasil participou do projeto da cabine traseira e encomendou oito Gripen F para a FAB

Na cerimônia de 2 de junho de 2026, em Linköping, na Suécia, a Saab apresentou o primeiro Gripen F para a Força Aérea Brasileira. O Brasil foi o cliente lançador do modelo e participou do desenvolvimento da versão de dois assentos.

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A cabine traseira é independente e permite que um instrutor acompanhe o treinamento de um piloto num caça operacional. Em missões de combate, os dois tripulantes também podem dividir o trabalho com sensores, navegação, comunicações e coordenação de tarefas.

No Brasil, o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen, em Gavião Peixoto (SP), reuniu equipes da Saab e da Embraer. Os profissionais trabalharam em estruturas, aviônicos, interfaces, comunicação e integração de sistemas. Inaugurado em 2016, o centro concluiu em dezembro de 2025 sua etapa principal de transferência de tecnologia.

Caça F-39 Gripen E cinza da FAB exposto em hangar, com cabine aberta e visitantes civis e um militar ao redor da aeronave.
Caça Gripen E da FAB com cabine aberta durante a 7ª Mostra BID Brasil, em dezembro de 2022. O projeto brasileiro contou com engenheiros da Embraer e da Saab. Foto: Marinha do Brasil / CC BY-SA 2.0.

Gripen F voou durante 40 minutos na Suécia com piloto de testes da FAB

O primeiro voo do caça de dois assentos ocorreu em 28 de agosto de 2026, no aeródromo da Saab em Linköping. A aeronave decolou às 9h40, no horário local, e permaneceu 40 minutos no ar, conforme o comunicado do fabricante.

Estavam na aeronave Jakob Högberg, piloto-chefe de testes da Saab, e o tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB. A missão avaliou o funcionamento dos sistemas principais e as primeiras características de voo do Gripen F.

A campanha prossegue com verificações de velocidade, altitude, carga G, ângulo de ataque e funções táticas da cabine traseira. Depois dos ensaios previstos, a aeronave seguirá os procedimentos de aceitação e preparação para entrega à FAB.

Gripen E fabricado em São Paulo é montado com unidade específica de canhão

A descrição oficial da fábrica de montagem do Gripen E em Gavião Peixoto informa que a união das estruturas envolve quatro conjuntos: fuselagens dianteira e traseira, seção central da asa e uma unidade de canhão. Depois entram sistemas elétricos, aviônicos, radar, motor e equipamentos de cabine.

A linha brasileira foi inaugurada em 9 de maio de 2023 e tem previsão de produzir 15 caças Gripen E sob o programa atual. Em 6 de outubro de 2026, o primeiro exemplar fabricado no país realizou o voo inicial de aceitação em Gavião Peixoto, segundo a Saab.

O Gripen F apresentado em junho, por sua vez, iniciou sua campanha de voo na Suécia. O monoposto montado no Brasil e o primeiro biposto em testes na Suécia seguem etapas diferentes, dentro do contrato brasileiro de 28 Gripen E e oito Gripen F.

Entrega dos oito Gripen F depende da conclusão dos ensaios e da aceitação pela FAB

A Saab iniciou os testes de sua variante de dois assentos, incluindo a avaliação dos sistemas operados pelo segundo tripulante. O primeiro exemplar seguirá o processo de aceitação antes da entrega à Força Aérea Brasileira, que receberá os oito Gripen F previstos no contrato.

O Gripen F segue os testes com dois postos de operação e dez posições externas para armamento, enquanto o Gripen E mantém seu canhão interno BK27 indicado na ficha da Saab. Essa combinação acompanhará os próximos ensaios e a incorporação da variante à aviação de combate brasileira.

Você considera mais útil para a FAB um segundo tripulante para treinamento e coordenação de combate ou o canhão interno de 27 milímetros do Gripen E? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem com quem acompanha a aviação militar brasileira.

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