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Brasil e Índia firmam parceria para desenvolver foguete capaz de lançar satélites de 100 kg e levar tecnologia brasileira ao espaço no Vikram I

A cooperação abre caminho para reduzir a dependência brasileira de lançamentos estrangeiros e fortalecer capacidades estratégicas de comunicação, vigilância e defesa. Mas os dois projetos estão em etapas diferentes de desenvolvimento.

Brasil e Índia firmam parceria para desenvolver foguete capaz de lançar satélites de 100 kg e levar tecnologia brasileira ao espaço no Vikram I
Sequência do lançamento do foguete brasileiro VSB-30 em Alcântara, no Maranhão. Brasil e Índia avançam em parceria para desenvolver um novo lançador de satélites e testar tecnologia nacional de navegação espacial. Foto: Governo do Brasil / gov.br — CC BY-ND 3.0

Um foguete mais potente que o Microlançador Brasileiro e uma tecnologia nacional prestes a ganhar uma nova oportunidade de teste em órbita. Esses são os dois caminhos abertos por uma parceria entre empresas do Brasil e da Índia, em um setor estratégico para comunicações, vigilância territorial e operações militares.

Os entendimentos envolvem a brasileira Concert Technologies e a indiana Skyroot Aerospace, responsável pelo Vikram I, foguete que realizou seu primeiro lançamento orbital bem-sucedido em julho de 2026.

As iniciativas foram anunciadas durante o Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), na Turquia. Uma prevê estudos para desenvolver um novo lançador de satélites. A outra já conta com um contrato para testar um sistema brasileiro de navegação em uma missão indiana.

Novo projeto pode ampliar capacidade espacial brasileira

O primeiro acordo foi firmado em 7 de outubro. As empresas assinaram um memorando de entendimento para estudar um foguete capaz de transportar cargas a partir de 100 kg até a órbita baixa da Terra.

A proposta busca combinar conhecimentos dos dois países e criar uma alternativa para o mercado internacional de pequenos satélites.

A diferença de capacidade chama atenção.

O Microlançador Brasileiro (MLBR) foi projetado para transportar até 40 kg. Já o Vikram I, desenvolvido pela Skyroot, tem capacidade anunciada de até 350 kg.

O futuro veículo ocuparia uma faixa intermediária entre os dois projetos.

Segundo a CNN Brasil, o memorando prevê dois anos para aprofundar estudos técnicos e comerciais.

Ainda não existem orçamento divulgado, local de fabricação definido ou data para o primeiro lançamento. A construção dependerá de novos entendimentos entre as empresas.

Tecnologia brasileira será testada no Vikram I, foguete que já chegou à órbita

Enquanto o novo lançador permanece em fase de estudos, a segunda iniciativa apresenta um avanço mais concreto.

A Concert Technologies anunciou um contrato com a Skyroot Aerospace para testar o Sistema de Navegação Inercial integrado à navegação por satélite (SNI-GNSS) no próximo voo do Vikram I.

Desenvolvido pela Concert em parceria com a HORUSEYE TECH e a CRON Sistemas e Tecnologias, o equipamento integra uma encomenda tecnológica da Agência Espacial Brasileira (AEB).

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Sua função é determinar a posição, a velocidade e a orientação de veículos espaciais.

Em termos simples, o sistema combina sensores e sinais de satélites para acompanhar como um foguete se movimenta durante o voo.

O teste permitirá reunir novos dados e avançar na validação da tecnologia brasileira.

O Vikram I já possui uma conquista importante. Em 18 de julho de 2026, o foguete realizou seu primeiro lançamento orbital bem-sucedido a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia.

De acordo com a agência espacial indiana ISRO, a missão colocou dois satélites em órbita terrestre baixa e marcou um avanço para a indústria espacial privada do país.

Agora, um equipamento brasileiro poderá participar de um novo voo desse veículo.

O contrato foi divulgado pela Concert Technologies em comunicado sobre a parceria com a Skyroot. A data do lançamento ainda não foi anunciada.

Sistema brasileiro já passou por teste em Alcântara

O SNI-GNSS possui experiência anterior em condições reais de lançamento.

Em dezembro de 2025, o equipamento participou da missão do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, realizada no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

O veículo apresentou uma falha e perdeu a missão aproximadamente 33 segundos após a decolagem. Apesar disso, o sistema brasileiro funcionou conforme o previsto durante o período de operação, fornecendo dados importantes para sua avaliação.

A nova experiência na Índia permitirá ampliar os testes em uma plataforma orbital já utilizada com sucesso.

O que a parceria representa para a defesa do Brasil

Embora os acordos sejam comerciais e tecnológicos, o domínio de sistemas espaciais também interessa diretamente à segurança nacional.

Satélites permitem monitorar fronteiras, acompanhar atividades em regiões remotas, transmitir informações e apoiar operações das Forças Armadas.

Na Amazônia e no Atlântico Sul, essas capacidades são especialmente importantes pela extensão territorial e pelas dificuldades de vigilância permanente.

O uso dessas ferramentas na defesa brasileira já foi abordado em reportagem sobre como o Brasil amplia o uso militar de satélites na Amazônia e busca reduzir sua dependência de tecnologia estrangeira.

Mas fabricar satélites não significa possuir autonomia para lançá-los.

O Brasil desenvolve tecnologias espaciais próprias, porém ainda não conta com uma capacidade nacional regular de colocar cargas em órbita de forma independente.

A cooperação com a Índia pode ajudar a reduzir essa distância, permitindo testar equipamentos brasileiros e ampliar a experiência industrial no desenvolvimento de foguetes.

Até o momento, não há indicação de que o novo lançador seja um projeto militar ou de que as Forças Armadas participem diretamente desses acordos.

Brasil busca transformar cooperação espacial em capacidade própria

A relação espacial entre Brasil e Índia não começou agora.

Em fevereiro de 2021, o satélite brasileiro Amazônia-1 foi colocado em órbita por um foguete indiano. Naquela ocasião, o país recorreu à infraestrutura estrangeira para lançar um equipamento desenvolvido nacionalmente.

Os novos entendimentos abrem outra possibilidade: participar do desenvolvimento de um lançador e testar tecnologia própria em um foguete orbital de uma empresa parceira.

Ainda será necessário definir os investimentos e transformar o memorando em um projeto industrial efetivo.

Se as iniciativas avançarem, o Brasil poderá ampliar sua participação no mercado de lançamentos e acumular experiência com sistemas nacionais.

O próximo resultado concreto a acompanhar será o desempenho da tecnologia brasileira de navegação no futuro voo do Vikram I.

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