A Força Aérea dos Estados Unidos estuda contratar empresas privadas para proteger bases militares contra drones. As companhias poderiam fornecer radares, sistemas de neutralização e operadores, em um projeto inicialmente previsto para duas instalações americanas.
A consulta publicada em 13 de outubro pelo Air Combat Command (ACC) prevê detecção com alcance desejado de 8 quilômetros e equipes capazes de trabalhar por 96 horas com suporte próprio. O prazo para respostas termina em 31 de outubro. Ainda não há contrato assinado.
Empresas privadas poderão operar sistemas antidrones em bases militares
O modelo, chamado C-sUAS as a Service, prevê contratar a proteção contra pequenos drones como um serviço completo. A consulta foi publicada como sources sought, instrumento que permite avaliar a capacidade do mercado antes de uma eventual licitação. A empresa escolhida forneceria equipamentos, profissionais, treinamento, manutenção e atualizações tecnológicas durante a eventual contratação.
Segundo a Air & Space Forces Magazine, a Força Aérea busca soluções comerciais já disponíveis, que possam ser implementadas rapidamente. A ideia é testar outra forma de proteger instalações sem depender exclusivamente do desenvolvimento de novos sistemas militares.
Embora operadores privados possam trabalhar nas bases, o comando das instalações e as regras de emprego dos meios de defesa continuariam sob responsabilidade das autoridades militares americanas.

Radares e sensores deverão detectar drones antes de chegarem às pistas
O aviso FA4890-261013 estabelece alcance mínimo de três milhas, aproximadamente 4,8 quilômetros, e objetivo de cinco milhas, cerca de 8 quilômetros, para localizar e acompanhar drones próximos às áreas protegidas.
Os sensores deverão identificar desde pequenos quadricópteros até aparelhos maiores, incluindo ameaças da categoria Grupo 3. Os dados de diferentes equipamentos deverão ser reunidos para oferecer aos operadores uma visão integrada do espaço aéreo. Isso permitiria acompanhar vários contatos simultaneamente e escolher a resposta adequada para cada situação.
A detecção antecipada é fundamental: quanto mais perto um drone estiver da pista, menor será o tempo disponível para avaliar a ameaça e proteger aeronaves estacionadas, depósitos e outras estruturas sensíveis.
Interferência eletrônica, lasers e micro-ondas estão entre as respostas previstas
Identificar um aparelho suspeito é apenas a primeira etapa. A proposta considera medidas autorizadas de neutralização, incluindo interferência em sinais de rádio, interceptadores físicos e tecnologias de energia dirigida.
Entre as alternativas aparecem lasers e micro-ondas de alta potência. A interferência eletrônica busca interromper comunicações; interceptadores físicos e sistemas de energia dirigida utilizam outros mecanismos. A escolha dependerá das autorizações militares, das condições de segurança e dos equipamentos apresentados pelos fornecedores. Nenhum conjunto definitivo de armas foi contratado para o projeto.
Empresas terão de manter a proteção funcionando durante quatro dias
Uma exigência é operar com autonomia logística por 96 horas consecutivas. A contratada precisaria manter pessoal, suprimentos e capacidade de manutenção disponíveis, mesmo sem receber apoio imediato da instalação militar. Essa autonomia seria importante em situações de interrupção do abastecimento ou dificuldades de comunicação durante uma ameaça.
O plano também prevê comunicações resistentes a falhas externas e integração das informações dos sensores com os centros responsáveis pela segurança das bases. Ainda não foram divulgados nomes de fornecedores nem valores para o possível contrato.

Duas bases americanas poderão receber os testes iniciais
A fase experimental está prevista para duas instalações situadas nos Estados Unidos continentais. O documento não identifica quais serão escolhidas nem estabelece uma data definitiva para o início das operações.
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Os testes servirão para medir a eficácia operacional, antes que o Air Combat Command decida sobre uma possível ampliação a outras unidades. Bases com riscos diferentes exigiriam quantidades distintas de sensores, profissionais e equipamentos.
Força Aérea prepara equipes próprias com cerca de 20 militares
O estudo de fornecedores privados ocorre enquanto a instituição desenvolve sua estrutura interna de proteção. Os chamados point defense flights reúnem aproximadamente 20 militares, preparados para reforçar bases ameaçadas por drones.
A Força Aérea também trabalha na criação de uma especialidade profissional dedicada à defesa de instalações. A divisão de responsabilidades entre equipes militares e eventuais contratados ainda precisará ser definida.
Sobrevoos de drones em instalações americanas aumentaram a preocupação
A movimentação ocorre após episódios envolvendo drones não identificados sobre instalações militares, como os registrados na Base Aérea de Langley, na Virgínia, em 2023. Pequenos aparelhos podem ameaçar aeronaves e instalações estratégicas.
Uma reportagem sobre a defesa das bases americanas detalhou a organização de equipes especializadas e o uso de sistemas SUADS, que combinam detecção e guerra eletrônica. O novo modelo comercial seria mais uma alternativa em avaliação.
Prazo de 31 de outubro encerra consulta, mas contratação segue indefinida
As empresas interessadas devem apresentar suas capacidades ao Air Combat Command até 31 de outubro. As respostas ajudarão a definir se haverá uma concorrência e quais requisitos serão exigidos dos fornecedores.
Por enquanto, a iniciativa continua sendo uma pesquisa de mercado. Não foram anunciados contrato, vencedora, custo do serviço ou nomes das duas bases. Qualquer implantação dependerá de decisões posteriores da Força Aérea americana.