Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

PF investigava fraudes no INSS e descobriu negociação clandestina de metralhadora estrangeira com silenciador no Brasil

O que começou como uma investigação sobre descontos irregulares em aposentadorias revelou negociações de armas por aplicativos de mensagens. A descoberta levou a uma nova operação da PF no interior de São Paulo.

PF investigava fraudes no INSS e descobriu negociação clandestina de metralhadora estrangeira com silenciador no Brasil
Polícia Federal investiga negociação clandestina de metralhadora estrangeira com silenciador descoberta durante apuração de fraudes no INSS. Foto: Polícia Federal

Uma investigação sobre descontos fraudulentos em aposentadorias levou a Polícia Federal a um negócio inesperado. Ao analisar materiais apreendidos, os agentes encontraram indícios de vendas clandestinas de armas, com negociações feitas por aplicativos de mensagens e pagamentos por transferências instantâneas.

Entre os armamentos negociados estava uma metralhadora de fabricação estrangeira equipada com supressor de ruído, conhecido popularmente como silenciador. Segundo a PF, não foi localizado registro de importação regular da arma no Brasil, o que levantou suspeitas sobre sua entrada no país.

A descoberta levou à Operação Double Barrel, deflagrada na quinta-feira (15 de outubro), em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão para reunir provas e tentar localizar os armamentos envolvidos.

Mensagens e transferências revelaram suspeitas de venda ilegal de armas

A investigação nasceu de provas recolhidas durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos cobrados de aposentados e pensionistas do INSS.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o compartilhamento desses materiais no âmbito da Petição nº 14.831/DF. A análise revelou indícios de que um homem teria vendido armas de fogo a pessoas já investigadas por irregularidades previdenciárias.

De acordo com a Polícia Federal, as negociações teriam ocorrido por aplicativo de mensagens, com pagamentos realizados por transferências bancárias instantâneas.

A corporação não divulgou a identidade do suspeito, os valores movimentados ou quantas armas teriam sido comercializadas.

Também não há confirmação de que recursos provenientes das fraudes contra beneficiários do INSS tenham financiado essas compras. Até agora, a ligação conhecida entre os casos está nas provas compartilhadas e nas pessoas investigadas.

Metralhadora com silenciador pode ter entrado clandestinamente no Brasil

A ausência de registro de importação regular levantou a possibilidade de que a metralhadora estrangeira tenha ingressado ilegalmente no território brasileiro.

No entanto, a PF ainda não revelou o modelo, o calibre, o fabricante ou o país de origem do equipamento. Também não informou quem teria comprado a arma nem confirmou publicamente sua apreensão durante a operação.

O episódio acrescenta um novo caso às investigações sobre a circulação clandestina de armamentos no país.

Recentemente, a Revista Sociedade Militar noticiou a prisão de um ex-militar russo suspeito de tentar fornecer armas e munições a facções criminosas brasileiras. Procurado pela Interpol, ele foi localizado em Salvador, na Bahia.

Embora os casos não tenham ligação conhecida, ambos envolvem suspeitas de comercialização irregular de armamentos e levantam questões sobre o abastecimento do mercado clandestino brasileiro.

Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Polícia Federal amplia buscas para identificar envolvidos

Os três mandados da Operação Double Barrel foram expedidos pela Vara Regional das Garantias da 5ª Região Administrativa Judiciária de São Paulo.

Com as buscas, os investigadores pretendem localizar armas ainda não encontradas, reunir novas provas e esclarecer se outras pessoas participaram das negociações.

O comércio ilegal de armamentos também aparece em investigações envolvendo agentes de segurança pública. No Rio de Janeiro, a Operação Magen colocou policiais e ex-policiais sob investigação por suspeitas de participação em um esquema de fornecimento clandestino de armas.

Na Operação Double Barrel, porém, a PF não divulgou indícios de envolvimento de militares, policiais ou facções criminosas.

Os investigados poderão responder por comércio ilegal de arma de fogo, dependendo das provas reunidas. A investigação continua para esclarecer a extensão das vendas e identificar outros possíveis envolvidos.

guest
0 Comentários