O C-390 Millennium acumula novos clientes no exterior enquanto a Embraer prepara um salto na produção do cargueiro militar brasileiro. A fabricante prevê passar de seis aeronaves em 2026 para dez por ano em 2030, aumento de quase 67% na cadência anual.
O movimento acompanha o crescimento dos negócios militares da empresa. Segundo dados divulgados pela Embraer, a carteira de Defesa & Segurança chegou a US$ 6,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior.
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Produção do C-390 crescerá ano após ano
A Embraer pretende ampliar gradualmente a capacidade do C-390 Millennium. O presidente e CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, detalhou uma sequência de seis aeronaves em 2026, sete em 2027, oito em 2028, nove em 2029 e dez em 2030.
A fabricante investe para sustentar essa cadência enquanto amplia a carteira internacional do cargueiro.
Um dos maiores avanços ocorreu nos Emirados Árabes Unidos. Em maio, o país assinou contrato para dez C-390 firmes, com opções para outros dez, no maior pedido internacional feito por um único cliente para a aeronave. O acordo também marcou a primeira seleção do modelo no Oriente Médio, segundo comunicado oficial da Embraer.
A Colômbia também assinou contrato para dois KC-390 em agosto. O país tornou-se o primeiro comprador latino-americano do cargueiro além do Brasil.
A campanha comercial também ganhou escala neste ano. O KC-390 percorreu 11 países, mais de 87 mil quilômetros e acumulou mais de 140 horas de voo durante uma série de demonstrações internacionais.
A produção avança junto com as entregas. Nesta sexta-feira (2), a Embraer informou que entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, incluindo um KC-390 Millennium e dois A-29 Super Tucano em Defesa & Segurança. Foi o melhor terceiro trimestre de entregas da história da companhia, segundo o balanço divulgado pela fabricante.
Índia pode levar C-390 a outra escala
Os dez C-390 por ano previstos para 2030 podem não representar o limite industrial do programa. Isso dependerá, porém, de novos contratos de grande porte.
A Embraer avalia oportunidades na Índia e nos Estados Unidos que, conforme o tamanho de eventuais pedidos, poderiam sustentar linhas adicionais de montagem fora do Brasil. Executivos da fabricante apresentaram essa possibilidade ao discutir a expansão futura do programa.
Na Índia, esse movimento já ganhou um endereço. Embraer e Mahindra escolheram Nagpur para uma potencial linha final de montagem do C-390, caso a aeronave seja selecionada pelo governo indiano e um contrato seja formalizado.
A dimensão da disputa ajuda a explicar por que esse mercado pode alterar a escala do programa. A Força Aérea Indiana busca 60 novos aviões de transporte militar, e o C-390 enfrenta diretamente o C-130J-30 Super Hercules, da Lockheed Martin.
Pelo desenho atual do programa, 12 aeronaves seriam fornecidas prontas e 48 produzidas na Índia. A disputa, as condições de produção local e a vantagem do concorrente norte-americano estão detalhadas na reportagem da RSM sobre os 60 cargueiros que a Índia pretende adquirir e a possível fabricação de 48 C-390 no país.