Ruy Lopes Ribeiro, dentista da FEB, ajudou voluntariamente no atendimento aos soldados durante o ataque de abril de 1945; sua atuação foi reconhecida com a Cruz de Combate de 1ª Classe.
O segundo-tenente Ruy Lopes Ribeiro, dentista da Força Expedicionária Brasileira (FEB), ofereceu-se para ajudar no socorro aos soldados durante o ataque a Montese, na Itália, em 14 de abril de 1945. Ferido enquanto atendia homens de seu batalhão, morreu no hospital em Pistoia. Sua ficha biográfica registra o falecimento no dia seguinte.
A decisão partiu do próprio oficial diante do grande número de feridos e das dificuldades para atendê-los rapidamente. O episódio está documentado pelo Museu Virtual da Força Expedicionária Brasileira, que disponibiliza biografias e registros sobre os brasileiros que participaram da campanha na Segunda Guerra Mundial.
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O reconhecimento atravessou décadas. Em março de 2025, o Exército concedeu seu nome à Odontoclínica Central do Exército, no Rio de Janeiro, vinculando a memória do combatente à sua especialidade profissional.
O dentista da FEB que decidiu ajudar no socorro
Ruy integrava o 11º Regimento de Infantaria, unidade envolvida no ataque a Montese. Sua formação era odontológica, mas a emergência enfrentada pelo serviço de saúde exigia auxílio no atendimento aos feridos.

A justificativa da condecoração registra que ele procurou espontaneamente o chefe da seção de saúde do batalhão para cooperar. O documento relaciona sua iniciativa à quantidade de homens que precisavam de assistência e à dificuldade de prestar socorro com rapidez.
Esse é o ponto central de sua trajetória no combate: o oficial assumiu voluntariamente uma tarefa que ultrapassava suas atribuições habituais, conforme reconhecido no próprio registro militar.
A Cruz de Combate reconheceu a iniciativa voluntária
O Museu Virtual da FEB reproduz a justificativa da Cruz de Combate de 1ª Classe concedida ao segundo-tenente. O texto destaca sua coragem e o espírito de cooperação demonstrado durante o atendimento perto de Montaurigola, na região de Montese.
Ao explicar a iniciativa, o documento afirma que Ruy se dispôs a colaborar “Embora não fosse sua atribuição”. A passagem identifica por que sua participação no socorro recebeu reconhecimento específico.
A homenagem militar, portanto, está associada a uma decisão concreta diante da necessidade dos companheiros: colocar-se à disposição do serviço de saúde durante o ataque.
Ferimentos no ataque e morte no hospital de Pistoia
A biografia informa que o oficial morreu no 16º Hospital de Evacuação, em Pistoia, em consequência dos ferimentos sofridos enquanto atendia soldados de seu batalhão.
Há uma diferença entre os registros apresentados na página. A justificativa da medalha emprega a expressão “morto em ação” ao mencionar os combates de 14 de abril; a ficha biográfica aponta 15 de abril de 1945 como data do falecimento e situa a morte no hospital.
Natural de Curvelo, em Minas Gerais, Ruy havia nascido em 8 de fevereiro de 1912. Tinha 33 anos quando morreu e foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia.
Seu nome passou à Odontoclínica Central do Exército em 2025
A Portaria nº 757, de 10 de março de 2025, concedeu à unidade sediada no Rio de Janeiro a denominação histórica “Odontoclínica Tenente Dentista Ruy Lopes Ribeiro”, segundo o registro do museu.
A escolha conecta duas partes de sua história: a profissão exercida no Exército e a iniciativa de ajudar os feridos na campanha da Itália.
A condecoração preserva o reconhecimento à conduta do oficial durante o combate. A denominação da odontoclínica leva essa memória também a uma instituição de saúde militar.
O nome de Ruy permanece ligado ao atendimento aos companheiros e à decisão voluntária que o colocou além das tarefas de sua especialidade.
Como as unidades militares podem usar homenagens como essa para ensinar às novas gerações a história dos profissionais de saúde da FEB? Compartilhe sua reflexão nos comentários.