A Marinha do Brasil firmou um novo acordo para ajudar fuzileiros navais que deixam a carreira militar a encontrar oportunidades de emprego na iniciativa privada. A parceria foi assinada em 30 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, e pretende facilitar a entrada desses profissionais em atividades ligadas à indústria naval, logística, portos e outros setores da economia marítima.
A iniciativa chama a atenção pelos resultados de um programa que já funciona dentro da Força. Segundo dados oficiais, 1.239 profissionais foram recolocados no mercado de trabalho entre 2023 e agosto de 2026, enquanto 2.453 capacitações foram registradas e 71 empresas passaram a integrar a rede de parceiros.
Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
Marinha e Governo do RJ assinam acordo para ampliar oportunidades de emprego
O Protocolo de Intenções nº 01/2026 foi firmado entre o Comando do Pessoal de Fuzileiros Navais (CPesFN) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro (SEDES/RJ).
O documento estabelece uma cooperação voltada à capacitação, qualificação, certificação profissional e empregabilidade de militares transferidos para a reserva, licenciados do serviço ativo e veteranos que procuram uma nova profissão.
A proposta é aproveitar a experiência adquirida durante o serviço militar e aproximar esses profissionais das empresas, especialmente nos segmentos associados à chamada Economia Azul, que reúne atividades econômicas relacionadas ao mar.
Programa da Marinha já conseguiu recolocar 1.239 profissionais no mercado de trabalho
O novo acordo amplia uma iniciativa que já apresenta resultados. O Programa de Recolocação Profissional do Corpo de Fuzileiros Navais (PReP-CFN), integrante do programa ADSUMUS SEMPRE, atua em todo o território nacional.
De acordo com o levantamento atualizado pela Marinha em agosto de 2026, foram registradas 82 recolocações profissionais em 2023. No ano seguinte, esse número aumentou para 403, chegando a 509 em 2025.
Somente entre janeiro e 20 de agosto de 2026, outras 245 recolocações foram contabilizadas. A soma dos quatro períodos alcança 1.239 profissionais que conseguiram ingressar ou retornar ao mercado de trabalho.
Esses números são anteriores ao acordo assinado em setembro e não representam contratações realizadas por meio da nova parceria com o Governo do Rio de Janeiro.
Mais de 3 mil inscritos e 71 empresas parceiras ajudam militares a encontrar oportunidades
Além das recolocações, o PReP-CFN já contabiliza 2.453 registros de capacitação profissional desde 2023. O programa também reúne mais de 3 mil inscritos distribuídos por todos os estados brasileiros.
A rede de empresas parceiras cresceu consideravelmente. Em 2023, eram apenas seis organizações participantes. O número aumentou para 39 em 2024, chegou a 65 em 2025 e alcançou 71 em agosto de 2026.
O funcionamento é relativamente simples: empresas apresentam oportunidades de trabalho, o programa identifica candidatos com perfil compatível e encaminha os profissionais para os processos seletivos. A seleção e a eventual contratação continuam dependendo dos empregadores.
Quem pode participar do programa de recolocação profissional da Marinha
A iniciativa não atende exclusivamente militares que acabaram de deixar o serviço ativo. Também contempla integrantes da reserva, fuzileiros ainda em atividade que desejam planejar a transição de carreira, ex-integrantes da Força e dependentes diretos.
A inscrição é voluntária e pode ser realizada por meio dos canais oficiais do CPesFN. Os interessados passam por uma análise institucional conduzida pela Comissão de Promoção de Praças, que considera a trajetória profissional e disciplinar dos candidatos.
O objetivo é formar um banco de profissionais aptos a participar de oportunidades oferecidas pelas empresas parceiras, respeitando as qualificações exigidas para cada função.
Cursos podem preparar veteranos para trabalhar em portos, estaleiros e plataformas
Uma das possibilidades previstas na cooperação é a aproximação com iniciativas estaduais de formação profissional, incluindo o programa Empregos Azuis – Um Mar de Oportunidades, coordenado pela Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (SEENEMAR).
O programa oferece cursos gratuitos em atividades como soldagem, caldeiraria, eletricidade de embarcações, operação de empilhadeiras, movimentação de cargas, montagem de andaimes e serviços de almoxarifado offshore.
O Governo do Rio de Janeiro estabeleceu uma meta de capacitar aproximadamente 6 mil profissionais até o final de 2026. Esse objetivo se refere ao programa estadual como um todo, e não a uma quantidade reservada exclusivamente aos fuzileiros navais.
A formação técnica pode ser particularmente importante para militares que possuem experiência em organização, manutenção, segurança e logística, mas precisam obter certificados específicos para exercer determinadas atividades civis.
Programa dos fuzileiros já recebeu dois prêmios do Ministério da Defesa
O trabalho desenvolvido pelo PReP-CFN também recebeu reconhecimento nacional. A Marinha conquistou os prêmios de Melhor Gestão do Projeto Soldado Cidadão referentes a 2024 e 2025, concedidos pelo Ministério da Defesa.
As premiações reconheceram os resultados de capacitação e recolocação profissional, além da atuação conjunta com instituições como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o Senai e o Instituto Mar e Portos.
O reconhecimento destaca uma mudança importante na assistência prestada aos militares: além da preparação para as atividades operacionais, a instituição mantém ações voltadas à vida profissional daqueles que deixam suas fileiras.
Como consultar vagas de emprego e realizar a inscrição
Os interessados podem acessar o portal do Comando do Pessoal de Fuzileiros Navais, onde estão disponíveis informações sobre o PReP-CFN, inscrições, cursos de capacitação, empresas parceiras e oportunidades profissionais.
A página oficial também disponibiliza contatos institucionais para esclarecimento de dúvidas. Como as vagas dependem das empresas participantes, a inscrição no programa não representa garantia de contratação.
No caso do acordo firmado em setembro, ainda não foram divulgados oficialmente um número específico de vagas, um cronograma de turmas exclusivas ou valores de investimento associados à parceria.
A expectativa institucional é que a cooperação amplie os caminhos disponíveis para fuzileiros navais que encerram sua trajetória nas Forças Armadas e precisam construir uma nova carreira, agora no mercado de trabalho civil.