O Departamento de Estado dos Estados Unidos atualizou, em 31 de agosto de 2026, o aviso de viagem sobre o Brasil e manteve o país no nível 2 de uma escala que vai até 4, com orientação de maior cautela. O documento, divulgado pela Embaixada dos EUA, coloca favelas e faixas de fronteira no nível 4, o grau máximo, onde a recomendação é não viajar. Um relatório complementar de segurança, publicado em fevereiro de 2025, detalha os motivos e aponta até as limitações da polícia brasileira.
Os dois documentos formam o retrato que Washington oferece a seus cidadãos que pretendem viajar e servidores que trabalham no Brasil. O aviso lista criminalidade e sequestro como fatores de risco. O relatório de segurança, que serve de base às empresas americanas no país, desce aos números de homicídios, às facções criminosas e às falhas do sistema de justiça criminal.
Escala de 1 a 4 e o indicador “C”
O sistema americano tem quatro patamares: precauções normais, maior cautela, reconsiderar a viagem e não viajar. O Brasil está no segundo degrau, mas com recortes geográficos no último. A classificação é uma orientação, não uma proibição, e funciona como referência para empresas, seguradoras e órgãos de governo.

O aviso traz a marca “C”, de crime. Segundo o relatório de segurança, esse indicador significa que pode haver crime violento generalizado ou crime organizado no país, ou que as autoridades policiais locais podem ter capacidade limitada para responder a crimes graves. É a forma técnica de dizer que o risco não depende só do comportamento do viajante, mas também da estrutura de segurança disponível.
Polícia lenta, baixa condenação e presídios lotados
O relatório é direto ao tratar da resposta do Estado. Afirma que o sistema de justiça criminal brasileiro sofre com baixas taxas de condenação e que a falta grave de vagas em presídios, somada às saídas temporárias de detentos, contribui para o ciclo de violência. Em roubos a residências, o texto registra que empresas privadas de alarme costumam chegar primeiro e que a polícia pode demorar horas.
A mesma limitação aparece em outros trechos. Nos arrastões, mais comuns no Rio de Janeiro e em São Paulo, o documento diz que a polícia tem dificuldade para reagir e capturar os autores. Nos ataques a bancos com explosivos, observa que o poder de fogo das quadrilhas pode sobrecarregar a polícia, principalmente em cidades do interior, onde há relatos de reféns usados como escudos humanos.
O relatório também classifica as cidades com presença diplomática americana. Brasília e Belo Horizonte aparecem com risco alto de crimes contra interesses do governo dos EUA. Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo estão no patamar crítico.
Homicídios em queda, mas facções em expansão
O documento reconhece avanços. Segundo os dados citados, o Brasil registrou 37.639 homicídios em 2023, queda de 3,3% sobre 2022, com taxa de cerca de 18,5 por 100 mil habitantes, a menor em mais de uma década. Os latrocínios caíram 22,7% e os ataques a bancos, caixas eletrônicos e carros-fortes recuaram cerca de 40%, para 131 ocorrências.
O texto pondera que Norte e Nordeste seguem com taxas acima da média e que a disputa territorial entre facções e forças de segurança pesa nos índices. Cita o Primeiro Comando da Capital (PCC), com sede em São Paulo, como a maior organização criminosa do país, e o Comando Vermelho (CV), com base no Rio de Janeiro e presença em 23 estados.
Favelas no nível 4, nem com guia turístico
O aviso de 2026 recomenda não entrar em favelas e comunidades por nenhum motivo, nem mesmo em visitas guiadas, porque nem agências de turismo nem a polícia conseguem garantir a segurança do visitante. O relatório acrescenta que muitas dessas áreas carecem de presença estatal robusta, são controladas por grupos criminosos e registram tiroteios frequentes.
Essas áreas são proibidas a servidores do governo americano sem autorização especial. A Embaixada mantém mapas de assentamentos informais no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília e em Salvador, mas o próprio relatório admite que não são exaustivos. O texto lembra ainda que favelas muitas vezes ficam ao lado de bairros de classe média e alta.
Ônibus desaconselhados a qualquer hora
Os dois documentos desaconselham servidores americanos a usar ônibus municipais. O relatório vai além do aviso: estende a recomendação a todo o Brasil e a qualquer hora do dia, citando estatísticas de risco elevado de roubo e agressão a passageiros. No metrô, a orientação é atenção a batedores de carteira nos horários de pico, e o texto menciona relatos frequentes de assédio sexual no transporte público.
Servidores também precisam de autorização para circular perto das fronteiras terrestres, exceto em Foz do Iguaçu e no Pantanal, e nas regiões administrativas de Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá, no Distrito Federal, entre 18h e 6h.
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Bebidas adulteradas, Pix e casas noturnas
O aviso cita agressões com sedativos colocados em bebidas, especialmente no Rio de Janeiro. O relatório nomeia a escopolamina, estende o alerta a São Paulo e aos aplicativos de namoro e registra casos que terminaram em agressão sexual e até em morte. Em casas noturnas paulistanas, relata cobranças ocultas que chegaram a US$ 1.000 por garrafa, com seguranças agredindo clientes e retendo cartões.
O sequestro relâmpago, com saques forçados ou transferências por Pix, é descrito como ameaça constante. O relatório soma golpes de sequestro virtual, clonagem de cartões com os chamados chupa-cabras e roubos por motociclistas em semáforos e congestionamentos. Recomenda ainda cautela extra em dezembro e janeiro, período de saídas temporárias de presos, policiais em férias e mais dinheiro circulando com o 13º salário.
Não reagir é a orientação central
A recomendação que atravessa os dois documentos é não resistir. O relatório afirma que a maioria dos criminosos age armada e não hesita em usar violência diante de reação, mas que, na maioria dos casos, vítimas que cooperaram saíram ilesas. Também ressalta que não há indício de que americanos sejam alvo por sua nacionalidade, e sim pela percepção de riqueza e pouca familiaridade com o local.
O aviso pede inscrição no programa de alertas da Embaixada, seguro com cobertura de evacuação e plano de comunicação com a família. Entre a queda dos homicídios e a polícia que pode levar horas para chegar, o recado de Washington é que o Brasil segue aberto ao visitante americano, desde que ele saiba que, em boa parte do mapa, a própria segurança fica por sua conta.
Eles estão certos, quem dera que o nosso país tivesse a mesma preocupação em orientar os cidadãos que viajam para o exterior.
Eles nao tomam conta da casa deles e querem tomar conta da casa dos outros??? Nem eles fazendo lá dará direito deles se meterem no pais dos outros!! Só se o Presidente permitir que eles transforme aqui uma colonia deles , ai SEREMOS novamente escravos.
No caso, faltou interpretação sua. O Brasil também emite relatórios para brasileiros viajarem para outros países, listando os locais de alertas e os crimes comuns naquele país.
Não estão mandando em nada.
Errados não estão.
Estar no lugar errado, na hora errada e com pessoas erradas.
É sobre prevenção em minimizar se envolver em encrencas, Sobretudo àqueles que estão turistando por outros motivos (drogas e sexo).
Ainda sim, proporcionalmente, o número de turistas que se encrencam (roubados, agredidos, mortos) é muito menor ao número daqueles que nada sofrem.
Até que pegaram leve! Relato bem leve em relação a atual situação nas principais Capitais no Brasil!