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Do quartel para o mercado de trabalho: Exército prepara mais de 270 militares com SENAI para atuar em marcenaria, pintura, empilhadeiras e indústria

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 01/10/2026 às 16:30
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Do quartel para o mercado de trabalho: Exército prepara mais de 270 militares com SENAI para atuar em marcenaria, pintura, empilhadeiras e indústria
Militares participam de capacitação profissional do Projeto Soldado Cidadão, iniciativa do Ministério da Defesa voltada à preparação de jovens das Forças Armadas para o mercado de trabalho. Crédito:Foto: Divulgação / Ministério da Defesa

Para mais de 270 militares temporários do Exército, a preparação para deixar o quartel ganhou uma etapa diferente da rotina de instruções militares. Em parceria com o SENAI Pernambuco, eles passaram por cursos de marcenaria, pintura, operação de empilhadeira, lubrificação e automação pneumática industrial, áreas que podem abrir caminhos profissionais quando chegar o momento de retornar à vida civil.

Os certificados foram entregues em 29 de setembro pelo Comando da 7ª Região Militar, dentro do Projeto Soldado Cidadão. A iniciativa é direcionada principalmente aos militares temporários e busca transformar parte do período nas Forças Armadas em uma ponte para o emprego depois do licenciamento.

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Ao longo de 2026, a parceria com o SENAI Pernambuco ampliou a oferta de capacitações voltadas a atividades industriais, logísticas e de serviços. Não se trata de formação exclusivamente ligada ao ambiente militar. Pelo contrário, os cursos foram escolhidos justamente por terem aplicação direta fora dos quartéis.

Da farda para uma nova profissão

A questão ganha peso porque boa parte dos jovens incorporados às Forças Armadas não seguirá carreira militar. Para esse grupo, o fim do período de serviço também significa voltar a procurar espaço no mercado de trabalho, muitas vezes em uma idade em que a experiência profissional ainda é pequena.

É nesse intervalo que entram capacitações como operador de empilhadeira, marcenaria e pintura. No caso da automação pneumática industrial e da lubrificação, a formação também aproxima os militares de atividades encontradas em fábricas, oficinas e setores de manutenção.

O Projeto Soldado Cidadão funciona justamente com essa lógica. Segundo o Ministério da Defesa, os cursos são realizados durante o período de serviço e correm paralelamente às atividades militares. A carga horária média é de 160 horas, com formação oferecida em áreas que vão de logística e construção civil a informática, mecânica, refrigeração, transporte e telecomunicações.

Ao final, o militar recebe uma certificação profissional que poderá apresentar quando disputar uma vaga fora das Forças Armadas.

Isso não significa emprego garantido. No caso dos mais de 270 militares capacitados em Pernambuco, o material divulgado não informa quantos já conseguiram trabalho nem prevê contratação automática por empresas.

O resultado concreto, até agora, é a formação técnica adicional entregue antes do desligamento.

Projeto já passou de 300 mil militares

A ação da 7ª Região Militar faz parte de uma estrutura bem maior. O Ministério da Defesa informa que o Projeto Soldado Cidadão já qualificou mais de 300 mil egressos do Serviço Militar em cerca de duas décadas.

A escolha dos cursos também pode considerar o mercado existente em cada região. De acordo com as regras do projeto, as organizações militares contratam instituições de ensino e definem as capacitações levando em conta tanto as demandas locais de trabalho quanto suas próprias necessidades administrativas e operacionais.

Na prática, isso ajuda a explicar por que aparecem formações tão diferentes entre si. Em uma região, o militar pode sair qualificado para operar uma empilhadeira; em outra, pode receber preparação para elétrica, logística, manutenção predial ou atividades industriais.

Um exemplo apareceu neste ano no Rio de Janeiro. Em abril, a 1ª Divisão de Exército informou ter capacitado 140 cabos e soldados com o SENAI nas áreas de logística, construção e manutenção predial. Os cursos haviam sido realizados entre outubro de 2025 e março de 2026.

Outro grupo foi ainda mais longe na aproximação com empresas. Vinte e oito cabos e soldados concluíram um curso básico de eletricista, e o Exército informou que eles seriam inseridos no mercado após o licenciamento, com previsão de contratação pela empresa PSE Energia.

Defesa amplia preparação para o pós-quartel

Em 2026, o Ministério da Defesa também decidiu dar uma estrutura maior a esse processo. Uma portaria publicada em março instituiu o Sistema de Reposicionamento Profissional para Militares Temporários das Forças Armadas, ligado ao Projeto Soldado Cidadão.

A proposta não fica restrita aos cursos. O sistema prevê ações de apoio ao militar que procura uma vaga, aproximação com empresas e associações interessadas em capacitação e contratação, parcerias com escolas técnicas e universidades e incentivo ao empreendedorismo.

O movimento também começou a envolver feiras voltadas diretamente à empregabilidade. Em Recife, uma experiência realizada anteriormente reuniu cerca de 2 mil militares da Marinha, Exército e Força Aérea que estavam próximos do licenciamento, com oferta de oportunidades profissionais, capacitações e orientações sobre empreendedorismo.

O Ministério da Defesa informou que a experiência serviria de referência para iniciativas em outras capitais.

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