Contrato de cessão destina à ALADA um imóvel antes ocupado pelo Comando do Campo de Provas Brigadeiro Veloso. A instalação consolida a estrutura administrativa da estatal, sem significar a conclusão de foguetes, satélites ou outros programas espaciais específicos.
A Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (ALADA) passou a contar com sede definitiva em Brasília após a formalização da cessão de uso de um imóvel da Força Aérea Brasileira. O ato estabelece uma estrutura permanente para a administração da estatal criada para atuar em projetos aeroespaciais e de defesa.
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A Força Aérea Brasileira informou que o Contrato Administrativo de Cessão de Uso nº 086/GAP foi assinado no dia 22 deste mês. O acordo destina à empresa o prédio que anteriormente abrigava a sede do Comando do Campo de Provas Brigadeiro Veloso (CPBV).
A formalização ocorreu em cerimônia realizada na Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA). Como contrapartida pela utilização do imóvel, o acordo prevê fornecimento de bens móveis de uso duradouro, prestação de serviços comuns e realização de benfeitorias na estrutura cedida.
A cessão do prédio é um marco administrativo e não corresponde à entrega de um programa espacial específico. A ALADA passa a dispor de sede permanente enquanto desenvolve sua estrutura institucional e participa de iniciativas relacionadas ao setor aeroespacial.
Sede permanente acompanha estruturação da estatal
A ALADA nasceu como subsidiária integral da NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea S.A. e integra a estrutura de empresas públicas vinculadas ao Ministério da Defesa por intermédio do Comando da Aeronáutica.
Sua constituição foi deliberada em 28 de julho de 2025, depois que a Lei nº 15.083, sancionada em janeiro daquele ano, alterou a legislação que autorizou a criação da subsidiária. A informação consta na ata de criação da ALADA.

A cronologia diferencia a etapa atual das discussões iniciadas anteriormente sobre a criação da companhia. Em 2024, o projeto ainda estava associado ao processo político e legislativo de estruturação da empresa; a autorização legal veio no início de 2025, seguida pela constituição formal e, agora, pela definição de uma sede permanente em Brasília.
O objeto social da ALADA inclui a exploração econômica da infraestrutura e da navegação aeroespaciais, além do desenvolvimento de projetos e equipamentos para o setor. A empresa também pode atuar em pesquisa, desenvolvimento, produção, comercialização, transferência e suporte logístico de tecnologias de emprego aeroespacial.
Essas atribuições não transferem para a estatal as funções militares da FAB. A Força Aérea mantém suas competências operacionais e de soberania, enquanto a ALADA foi estruturada como empresa pública voltada à gestão, contratação e comercialização de serviços e projetos inseridos no ambiente aeroespacial.
Em fevereiro deste ano, a ALADA informou ter formalizado com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) um contrato relacionado à exploração econômica da infraestrutura do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte.
Nesse modelo, a estatal ficou responsável por atividades de suporte administrativo, técnico-operacional e logístico, além da aquisição de bens e contratação de serviços. As funções técnicas, operacionais e de soberania vinculadas à instalação permaneceram sob responsabilidade do DCTA.

Alcântara integra a atuação comercial da empresa
O Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, também está entre as estruturas associadas à atuação comercial da ALADA. A empresa trabalha com serviços ligados ao acesso de clientes à infraestrutura de solo, apoio operacional, preparação, lançamento e rastreamento de veículos espaciais e cargas úteis.
A atuação comercial já alcançou contratos privados. Em julho deste ano, a estatal anunciou um acordo com a empresa sul-coreana INNOSPACE para um voo de teste do veículo suborbital SEBIT a partir de Alcântara.
Esse tipo de atividade ajuda a delimitar o papel da empresa dentro do setor. A sede de Brasília concentra a administração, enquanto instalações como Alcântara e Barreira do Inferno permanecem associadas às operações e estruturas responsáveis por cada projeto.
A definição do endereço permanente também não significa que todos os projetos aeroespaciais brasileiros serão conduzidos a partir do imóvel. A ALADA administra e comercializa determinadas atividades, enquanto centros militares, órgãos públicos e empresas contratadas preservam as responsabilidades correspondentes a cada operação.