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Dois aviões militares dos EUA entram no Brasil em menos de 48 horas: Hércules pousa no Galeão e avião usado por forças especiais cruza o Sul após sair do Chile, sem missão divulgada

Em menos de 48 horas, um C-130T da Marinha dos EUA pousou no Galeão e um C-146A Wolfhound, usado em operações especiais, entrou pelo Rio Grande do Sul vindo do Chile. Os voos foram rastreados, mas suas missões não foram divulgadas.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 28/10/2026 às 19:32
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Dois aviões militares dos EUA entram no Brasil em menos de 48 horas: Hércules pousa no Galeão e avião usado por forças especiais cruza o Sul após sair do Chile, sem missão divulgada
C-146A Wolfhound da Força Aérea dos EUA durante deslocamento em RAF Mildenhall, no Reino Unido, em setembro de 2026. Uma aeronave desse modelo entrou no Brasil em 28 de outubro. Foto: USAF / Senior Airman Cody J. A. Mott / DVIDS.

Dois aviões militares dos Estados Unidos circularam pelo Brasil em um intervalo inferior a 48 horas. Na noite de terça-feira, 27 de outubro, um C-130T Hércules da Marinha americana pousou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Já na tarde de quarta-feira (28), um C-146A Wolfhound, modelo empregado pela aviação de operações especiais dos EUA, entrou no espaço aéreo brasileiro pelo Rio Grande do Sul.

As duas aeronaves têm funções diferentes. O Hércules é um cargueiro de quatro motores usado no transporte militar; o Wolfhound parece um avião regional comum, mas foi adaptado para levar equipes e equipamentos de forças especiais. As finalidades específicas das duas viagens não foram divulgadas publicamente, segundo os registros e as informações disponíveis até esta quarta-feira.

O deslocamento do Hércules foi confirmado por dados do rastreador AirNav Radar. A entrada do Wolfhound pelo Sul foi noticiada pelo portal especializado AEROIN, que identificou sua procedência no Chile.

Hércules da Marinha dos EUA cruzou a Região Norte e pousou no Galeão às 19h07

O primeiro movimento começou fora do Brasil. O C-130T de matrícula militar 164762, identificado no rádio como CNV3370, partiu da Base Aérea Naval de Jacksonville, na Flórida, na segunda-feira (26). Antes de chegar ao território brasileiro, fez escalas em Porto Rico e em Bridgetown, capital de Barbados.

Na terça-feira, o cargueiro ingressou pelo Norte, com registros de passagem pelo Amapá, Pará e Maranhão. Durante o acompanhamento inicial, surgiu a possibilidade de o avião seguir para Santa Catarina. A rota registrada, porém, terminou no Rio de Janeiro.

O pouso no Galeão ocorreu às 19h07 de 27 de outubro, no horário de Brasília. O último trecho, desde Barbados, durou 8 horas e 26 minutos e percorreu cerca de 4.365 quilômetros, conforme o AirNav Radar.

Cargueiro de quatro motores deixou o Rio rumo à Bolívia no dia seguinte

A passagem pelo Galeão teve um novo capítulo na quarta-feira. O AEROIN informou que o mesmo C-130T partiu do Rio de Janeiro em direção à Bolívia, um dia depois de sua chegada. O destino seguinte amplia a rota conhecida da aeronave, mas a sequência de aeroportos ainda não revela a carga transportada nem o objetivo do deslocamento.

O modelo pertence à família Hércules, conhecida pelo transporte de militares, suprimentos e equipamentos. Segundo a Naval Air Systems Command (NAVAIR), o C-130T é empregado no transporte tático de passageiros e carga e no apoio logístico às forças navais americanas, inclusive em operações distantes de suas bases.

São quatro motores turboélice e aproximadamente 39,7 metros de envergadura. Em configuração própria para transporte de tropa, a plataforma C/KC-130T comporta até 92 militares. A configuração efetiva do avião que esteve no Galeão não foi informada.

Avião quadrimotor C-130T Hercules cinza da Marinha dos Estados Unidos taxiando em pista de base aérea no Texas.
Um C-130T Hercules da Marinha dos Estados Unidos taxiando em Fort Worth, no Texas, em março de 2022. Aeronave do mesmo modelo pousou no Aeroporto do Galeão em 27 de outubro de 2026. Foto: U.S. Navy / Jose R. Jaen / DVIDS.

Wolfhound saiu do Chile e entrou no Brasil pelo Rio Grande do Sul

Enquanto o Hércules seguia viagem, uma segunda aeronave americana chamou a atenção dos observadores. O C-146A Wolfhound decolou de Santiago, no Chile, e foi identificado entrando no espaço aéreo brasileiro pelo Rio Grande do Sul na tarde de quarta-feira (28).

O AEROIN acompanhava o deslocamento em direção ao território brasileiro e apontava o Sudeste como possível destino, com Guarulhos e Galeão entre as hipóteses naquele momento. Não havia confirmação pública do aeroporto de pouso na informação consultada. A presença sobre o Sul, entretanto, já colocava um segundo avião militar dos EUA no espaço aéreo brasileiro em menos de dois dias.

A aparência do Wolfhound é bem diferente da do Hércules. O modelo deriva do Dornier 328, avião regional de fabricação alemã convertido para uso militar. Com pintura discreta e sem as marcações militares tradicionais, pode se parecer com uma aeronave civil de passageiros observada à distância.

Avião discreto transporta até 27 pessoas para operações especiais

A Força Aérea dos Estados Unidos usa o C-146A para movimentar pequenas equipes e cargas em pistas convencionais ou com infraestrutura limitada. O avião é operado pelo Air Force Special Operations Command (AFSOC), organização responsável por meios aéreos de apoio às forças de operações especiais norte-americanas.

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Segundo as especificações publicadas pelo comando americano e pela Air & Space Forces Magazine, o Wolfhound pode levar até 27 passageiros ou aproximadamente 2,7 toneladas de carga, dependendo da configuração. A tripulação padrão é formada por dois pilotos e um responsável pelo carregamento.

O compartimento interno também pode ser adaptado para retirar feridos, enquanto a capacidade de operar em aeródromos menores facilita o transporte entre localidades que não dispõem de pistas longas. O modelo começou a ser empregado em missões internacionais em 2011 e passou por modificações de comunicação, navegação e transporte.

Avião turboélice C-146A Wolfhound da Força Aérea dos EUA estacionado sobre pista de concreto, com porta e escada de embarque abertas.
C-146A Wolfhound com escada de embarque aberta em aeródromo norte-americano. O modelo é empregado no transporte de pequenas equipes e cargas por unidades de operações especiais dos EUA. Foto: U.S. Air Force / Departamento de Defesa dos EUA.

Essas características explicam por que o avião integra a frota de operações especiais. Os equipamentos e a finalidade habitual do modelo, porém, não identificam os passageiros nem o tipo de missão realizado durante a passagem pelo Brasil.

Treinamento militar em Santa Catarina gerou hipótese, mas as rotas apontam outros destinos

O voo do Hércules também despertou especulações por coincidir com o período do Exercício Operacional Carranca 2026, atividade de busca e salvamento com participação de organizações militares brasileiras e representantes estrangeiros na condição de observadores. A programação envolve a região de Florianópolis, em Santa Catarina.

A hipótese de uma ligação com o treinamento surgiu antes de o destino do C-130T ser conhecido. O rastreamento posterior registrou o pouso no Rio de Janeiro, e nenhuma comunicação oficial consultada atribuiu aquela viagem ao exercício. Também não foi divulgado vínculo entre o C-146A e essa atividade.

Até a noite desta quarta-feira (28), os fatos publicamente identificados eram o pouso do C-130T no Galeão, sua partida em direção à Bolívia e a entrada do C-146A pelo Rio Grande do Sul após sair do Chile. A sequência de dois deslocamentos militares americanos em território brasileiro é verificável; as razões operacionais continuam fora dos registros públicos disponíveis.

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