Dois aviões militares dos Estados Unidos circularam pelo Brasil em um intervalo inferior a 48 horas. Na noite de terça-feira, 27 de outubro, um C-130T Hércules da Marinha americana pousou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Já na tarde de quarta-feira (28), um C-146A Wolfhound, modelo empregado pela aviação de operações especiais dos EUA, entrou no espaço aéreo brasileiro pelo Rio Grande do Sul.
As duas aeronaves têm funções diferentes. O Hércules é um cargueiro de quatro motores usado no transporte militar; o Wolfhound parece um avião regional comum, mas foi adaptado para levar equipes e equipamentos de forças especiais. As finalidades específicas das duas viagens não foram divulgadas publicamente, segundo os registros e as informações disponíveis até esta quarta-feira.
O deslocamento do Hércules foi confirmado por dados do rastreador AirNav Radar. A entrada do Wolfhound pelo Sul foi noticiada pelo portal especializado AEROIN, que identificou sua procedência no Chile.
Hércules da Marinha dos EUA cruzou a Região Norte e pousou no Galeão às 19h07
O primeiro movimento começou fora do Brasil. O C-130T de matrícula militar 164762, identificado no rádio como CNV3370, partiu da Base Aérea Naval de Jacksonville, na Flórida, na segunda-feira (26). Antes de chegar ao território brasileiro, fez escalas em Porto Rico e em Bridgetown, capital de Barbados.
Na terça-feira, o cargueiro ingressou pelo Norte, com registros de passagem pelo Amapá, Pará e Maranhão. Durante o acompanhamento inicial, surgiu a possibilidade de o avião seguir para Santa Catarina. A rota registrada, porém, terminou no Rio de Janeiro.
O pouso no Galeão ocorreu às 19h07 de 27 de outubro, no horário de Brasília. O último trecho, desde Barbados, durou 8 horas e 26 minutos e percorreu cerca de 4.365 quilômetros, conforme o AirNav Radar.
Cargueiro de quatro motores deixou o Rio rumo à Bolívia no dia seguinte
A passagem pelo Galeão teve um novo capítulo na quarta-feira. O AEROIN informou que o mesmo C-130T partiu do Rio de Janeiro em direção à Bolívia, um dia depois de sua chegada. O destino seguinte amplia a rota conhecida da aeronave, mas a sequência de aeroportos ainda não revela a carga transportada nem o objetivo do deslocamento.
O modelo pertence à família Hércules, conhecida pelo transporte de militares, suprimentos e equipamentos. Segundo a Naval Air Systems Command (NAVAIR), o C-130T é empregado no transporte tático de passageiros e carga e no apoio logístico às forças navais americanas, inclusive em operações distantes de suas bases.
São quatro motores turboélice e aproximadamente 39,7 metros de envergadura. Em configuração própria para transporte de tropa, a plataforma C/KC-130T comporta até 92 militares. A configuração efetiva do avião que esteve no Galeão não foi informada.

Wolfhound saiu do Chile e entrou no Brasil pelo Rio Grande do Sul
Enquanto o Hércules seguia viagem, uma segunda aeronave americana chamou a atenção dos observadores. O C-146A Wolfhound decolou de Santiago, no Chile, e foi identificado entrando no espaço aéreo brasileiro pelo Rio Grande do Sul na tarde de quarta-feira (28).
O AEROIN acompanhava o deslocamento em direção ao território brasileiro e apontava o Sudeste como possível destino, com Guarulhos e Galeão entre as hipóteses naquele momento. Não havia confirmação pública do aeroporto de pouso na informação consultada. A presença sobre o Sul, entretanto, já colocava um segundo avião militar dos EUA no espaço aéreo brasileiro em menos de dois dias.
A aparência do Wolfhound é bem diferente da do Hércules. O modelo deriva do Dornier 328, avião regional de fabricação alemã convertido para uso militar. Com pintura discreta e sem as marcações militares tradicionais, pode se parecer com uma aeronave civil de passageiros observada à distância.
Avião discreto transporta até 27 pessoas para operações especiais
A Força Aérea dos Estados Unidos usa o C-146A para movimentar pequenas equipes e cargas em pistas convencionais ou com infraestrutura limitada. O avião é operado pelo Air Force Special Operations Command (AFSOC), organização responsável por meios aéreos de apoio às forças de operações especiais norte-americanas.
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Segundo as especificações publicadas pelo comando americano e pela Air & Space Forces Magazine, o Wolfhound pode levar até 27 passageiros ou aproximadamente 2,7 toneladas de carga, dependendo da configuração. A tripulação padrão é formada por dois pilotos e um responsável pelo carregamento.
O compartimento interno também pode ser adaptado para retirar feridos, enquanto a capacidade de operar em aeródromos menores facilita o transporte entre localidades que não dispõem de pistas longas. O modelo começou a ser empregado em missões internacionais em 2011 e passou por modificações de comunicação, navegação e transporte.

Essas características explicam por que o avião integra a frota de operações especiais. Os equipamentos e a finalidade habitual do modelo, porém, não identificam os passageiros nem o tipo de missão realizado durante a passagem pelo Brasil.
Treinamento militar em Santa Catarina gerou hipótese, mas as rotas apontam outros destinos
O voo do Hércules também despertou especulações por coincidir com o período do Exercício Operacional Carranca 2026, atividade de busca e salvamento com participação de organizações militares brasileiras e representantes estrangeiros na condição de observadores. A programação envolve a região de Florianópolis, em Santa Catarina.
A hipótese de uma ligação com o treinamento surgiu antes de o destino do C-130T ser conhecido. O rastreamento posterior registrou o pouso no Rio de Janeiro, e nenhuma comunicação oficial consultada atribuiu aquela viagem ao exercício. Também não foi divulgado vínculo entre o C-146A e essa atividade.
Até a noite desta quarta-feira (28), os fatos publicamente identificados eram o pouso do C-130T no Galeão, sua partida em direção à Bolívia e a entrada do C-146A pelo Rio Grande do Sul após sair do Chile. A sequência de dois deslocamentos militares americanos em território brasileiro é verificável; as razões operacionais continuam fora dos registros públicos disponíveis.