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Duas fragatas brasileiras participaram do resgate de 64 pessoas após veleiro canadense naufragar a cerca de 300 milhas do Rio de Janeiro

Thaís Souza
Por Thaís Souza 06/10/2026 às 16:27
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Duas fragatas brasileiras participaram do resgate de 64 pessoas após veleiro canadense naufragar a cerca de 300 milhas do Rio de Janeiro

O resgate do Concordia mobilizou Constituição, Liberal, Almirante Guillobel, aeronave da FAB e navios mercantes; todos os ocupantes sobreviveram ao naufrágio ocorrido em fevereiro de 2010.

As fragatas Constituição e Liberal e o rebocador de alto-mar Almirante Guillobel participaram da operação que trouxe de volta ao continente os 64 sobreviventes do veleiro canadense Concordia, em fevereiro de 2010. A embarcação naufragou a cerca de 300 milhas náuticas do litoral do Rio de Janeiro, aproximadamente 555 quilômetros.

O episódio consta no Acervo Arquivístico da Marinha do Brasil, que disponibiliza registros históricos da instituição. O histórico do rebocador registra sua participação nos dias 19 e 20 de fevereiro, ao lado das duas fragatas, de mercantes e de uma aeronave da Força Aérea Brasileira.

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A sobrevivência de todos os ocupantes passou por várias etapas: abandono do veleiro, localização das balsas, retirada dos náufragos por embarcações comerciais e transporte até o Rio. Cada participante cumpriu uma parte dessa sequência.

O Concordia naufragou durante a viagem entre Recife e Montevidéu

O veleiro de bandeira canadense pertencia ao West Island College International e realizava uma travessia entre Recife e Montevidéu, no Uruguai. A bordo estavam estudantes e profissionais envolvidos na viagem de formação.

O naufrágio ocorreu em 17 de fevereiro de 2010. Os ocupantes conseguiram abandonar a embarcação e passaram a aguardar socorro em balsas salva-vidas. A emergência interrompeu uma viagem cuja chegada a Montevidéu estava prevista para o dia 23.

fragatas Constituição e Liberal
Fragatas Constituição e Liberal.

Segundo o relato dos sobreviventes divulgado pela Marinha à época, o navio enfrentou fortes ventos, virou e afundou. A partir daquele momento, a operação precisava encontrar pessoas distribuídas em pequenas estruturas flutuantes, longe do litoral.

Aeronave da FAB ajudou a localizar os sobreviventes e orientar os mercantes

O sinal de emergência acionado pelo veleiro levou o serviço de busca e salvamento brasileiro a solicitar uma investigação aérea. Na noite de 18 de fevereiro, uma aeronave localizou embarcações de sobrevivência na área do naufrágio.

O Acervo Arquivístico da Marinha do Brasil registra que os mercantes Hokuetsu Delight e Crystal Pioneer foram orientados por uma aeronave da FAB, sob coordenação do Salvamar Sudeste. Esse direcionamento colocou embarcações comerciais na operação de socorro.

A contribuição aérea foi a localização e a orientação dos navios. A retirada dos sobreviventes exigiu a aproximação dos mercantes e o embarque de pessoas que estavam nas balsas, em condições de mar que dificultavam a transferência.

Dois navios mercantes retiraram os 64 náufragos das balsas

O Hokuetsu Delight recolheu 44 pessoas, enquanto o Crystal Pioneer resgatou outras 20. As duas embarcações realizaram o recolhimento direto dos sobreviventes na madrugada e na manhã de 19 de fevereiro.

O mar agitado dificultou a subida a bordo. No Hokuetsu Delight, parte dos náufragos precisou aguardar o amanhecer para completar o embarque. Pessoas que tinham dificuldade para subir pela escada foram içadas com uma rede usada na movimentação de cargas.

Quando os grupos já estavam nos mercantes, foi possível conferir os ocupantes e confirmar que todos haviam sobrevivido. A missão passou então à etapa de encontro com os meios navais e retorno ao continente.

Constituição recebeu 13 sobreviventes e Liberal escoltou os mercantes

A fragata Constituição empregou seu helicóptero AH-11A Super Lynx para transferir o comandante do Concordia e outros 12 sobreviventes para bordo, em 19 de fevereiro. O transporte aéreo levou esse grupo dos mercantes ao navio militar.

A Liberal escoltou o Hokuetsu Delight e o Crystal Pioneer até a Base Naval do Rio de Janeiro, levando os demais náufragos. A chegada ocorreu em 20 de fevereiro, quando os sobreviventes foram recebidos em terra.

O Almirante Guillobel integrou a mobilização naval de busca e resgate. Seu histórico confirma a participação conjunta, enquanto os registros da operação identificam a transferência por helicóptero na Constituição e a escolta realizada pela Liberal.

Incorporação do Rebocador Almirante Guillobel à Marinha em Natal (Imagem: Arquivo da Marinha)

O salvamento combinou busca aérea, recolhimento por mercantes e apoio de navios militares. A participação das fragatas aparece tanto no transporte de parte dos sobreviventes quanto no acompanhamento das embarcações comerciais até a base naval.

Encerrada com todos os ocupantes em segurança, a operação de fevereiro de 2010 permanece registrada na trajetória do rebocador e das unidades que participaram da resposta ao naufrágio.

Na preparação para salvamentos longe da costa, o que merece mais atenção: a busca aérea, o treinamento de resgate ou a coordenação com navios mercantes? Compartilhe sua análise nos comentários.

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