Hoje, 6 de outubro de 2026, a França realizou o primeiro lançamento de aceitação do míssil balístico submarino M51.3. A operação se deu no submarino nuclear lançador de mísseis balísticos Le Vigilant, na costa da Bretanha.
O teste ocorre meses após Macron defender o reforço da dissuasão nuclear francesa junto a aliados europeus, em meio ao agravamento da percepção de ameaça no continente.
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O teste, sem ogiva nuclear, fez parte da certificação do submarino após grande manutenção. O exercício aconteceu em área interdita no Atlântico Norte, a centenas de quilômetros de qualquer litoral.
O presidente Emmanuel Macron acompanhou o lançamento a bordo da fragata multimissão Auvergne da Marinha francesa e, em seguida, publicou uma mensagem no site x.com.
Embora o Ministério da Defesa francês tenha enquadrado o exercício como rotineiro e em estrito cumprimento das obrigações internacionais, o teste ganhou leitura geopolítica imediata.
Teste do M51.3 ganha peso em meio à tensão nuclear com a Rússia
Uma semana antes, o presidente russo, Vladimir Putin, alertou o Ocidente de que a Rússia estaria disposta a usar armas nucleares para defender o enclave de Kaliningrado, caso houvesse tentativa de isolá‑lo.
Nesse contexto, analistas e veículos internacionais associaram o teste francês a um sinal de credibilidade dissuasória, ainda que Paris evite mencionar Moscou em seus comunicados.
Macron apresenta M51.3 como prova da credibilidade nuclear francesa
Macron disse que “muito poucas nações possuem tal know-how“. O presidente francês parabenizou “a todos os envolvidos neste sucesso excepcional: DGA, CEA, Ariane Group, Naval Group e Marine nationale.”
Segundo ele, o “sucesso técnico” do lançamento “é uma nova demonstração da credibilidade da nossa dissuasão, cuja perenidade está assegurada.”
Macron afirmou que a França vem modernizando sua capacidade de defesa desde 2017, salientando que “o orçamento militar deve dobrar em dez anos”.
O presidente francês também citou novos submarinos estratégicos em construção e o lançamento de um programa de mísseis hipersônicos e manobráveis para a dissuasão aérea.
“Para ser livre, é preciso ser temido. E, para ser temido, é preciso ser poderoso. Nossa dissuasão nuclear nos protege e continuará a nos proteger. Viva a República e viva a França.” – assim terminou sua postagem no x.com.
O que é o M51.3 e como funciona a força nuclear submarina da França
O M51.3 é a versão mais recente da família M51, míssil balístico lançado por submarino (SLBM). Esses meios compõem a Força Oceânica Estratégica (FOST), braço submarino da dissuasão nuclear francesa.
A França mantém duas pernas nucleares. A primeira delas é a aérea, com esquadrões de Rafale da Força Aérienne Estratégica.
A segunda é a submarina, baseada em quatro SSBNs da classe Le Triomphant, cada um com 16 mísseis M51.
- o M51, em suas versões de base, tem alcance intercontinental da ordem de 10.000 km e capacidade de carregar múltiplas ogivas independentes.
- o M51.3, posto em serviço a partir de 2025, traz melhorias em confiabilidade, precisão e resistência a contramedidas, segundo análises de defesa.
O lançamento de 6/10/2026 foi o primeiro do M51.3 a partir de um submarino, marcando a qualificação operacional plena da versão, após testes anteriores a partir de bases terrestres.
O arsenal francês e a dissuasão avançada na segurança da Europa
Documentos do Parlamento Europeu indicam que a França mantinha em 2025 um arsenal estimado em cerca de 290 ogivas. Além dessas, seriam cerca de 80 ogivas aposentadas aguardando desmantelamento, totalizando aproximadamente 370 armas.
Paris afirma publicamente que seu arsenal é de menos de 300 ogivas, posicionando‑se como a quarta maior potência nuclear entre os P5, atrás de Rússia, EUA e China.
Em março de 2026, Macron anunciou o conceito de “forward deterrence” (dissuasão avançada), propondo maior cooperação estratégica nuclear com parceiros europeus, sem financiar a segurança de terceiros, mas aprofundando diálogo e cooperação prática em um ambiente de segurança deteriorado.
Nesse quadro, testes como o do M51.3 cumprem dupla função: validar a prontidão técnica da força e enviar sinal de credibilidade dissuasória a eventuais adversários.