A Marinha do Brasil colocou um simulador desenvolvido no âmbito do Corpo de Fuzileiros Navais no centro de um exercício de emergência nuclear em Angra dos Reis. Entre 18 e 20 de agosto de 2026, o sistema SAGRES-N foi usado para conduzir um cenário simulado envolvendo resposta a incidente grave na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, com participação de dezenas de órgãos civis e militares.
O treinamento foi realizado no Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear, em Angra dos Reis, e colocou os participantes diante de situações que exigiam análise, compartilhamento de informações e decisões coordenadas entre instituições. A atividade integrou o EXPAR-2026, exercício parcial do sistema responsável pela proteção do programa nuclear brasileiro.
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Segundo a Marinha, o SAGRES-N, Simulador para Auxílio ao Gerenciamento de Respostas à Emergência e Segurança Nucleares, foi empregado para organizar o desenvolvimento do exercício, acompanhar as ações e registrar as interações produzidas ao longo do cenário.
Simulador colocou equipes diante de uma crise nuclear sem mobilização de campo

O EXPAR-2026 foi conduzido na modalidade Tabletop Exercise, conhecida como exercício de mesa. Em vez de deslocar grandes contingentes para uma operação de campo, as instituições trabalharam em centros de emergência com um cenário evolutivo, recebendo situações sucessivas e decidindo como responder a cada etapa.
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear informou que, nos anos pares, o SIPRON realiza exercícios parciais na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. A dinâmica de 2026 simulou um incidente grave para verificar e treinar a capacidade de resposta dos centros de emergência envolvidos com a instalação.
O treinamento teve como referência o Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro, o Plano de Emergência Municipal de Angra dos Reis e os planos complementares das instituições participantes. Os procedimentos previstos nesses documentos foram submetidos a decisões sob pressão de tempo, coordenação e troca de informações.
Informações divulgadas durante o exercício apontaram que Angra 1 estava no foco das atividades de 2026 e que os centros de emergência da central e o escritório central foram ativados para o simulado. Também entraram no treinamento procedimentos de comunicação, segurança física e cibersegurança.
Mais de 60 instituições foram reunidas para testar decisões em Angra dos Reis
A Secretaria de Estado de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro informaram que o exercício reuniu mais de 60 instituições ligadas ao sistema de proteção nuclear. A mobilização envolveu órgãos federais, estaduais e municipais, além de estruturas de segurança, fiscalização, saúde, inteligência e defesa civil.
Entre os participantes estavam Eletronuclear, Comissão Nacional de Energia Nuclear, Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Agência Brasileira de Inteligência, Ibama e Ministério da Saúde.
A abertura ocorreu em 18 de agosto no Colégio Naval. Os dias 19 e 20 foram destinados ao simulado. A ANSN participou das atividades nos dois últimos dias e informou que possui assento em todos os centros de emergência usados nesse tipo de resposta.
O SAGRES-N permitiu acompanhar o cenário e registrar as interações entre os órgãos, criando uma trilha organizada das decisões tomadas durante o exercício. Esses registros podem ser usados na avaliação dos procedimentos e na identificação de pontos que precisam de ajuste antes de uma situação real.

Plano nuclear é testado todos os anos, alternando exercícios parciais e gerais
O sistema de resposta a emergências nucleares de Angra segue uma rotina periódica de treinamento. Segundo a Defesa Civil fluminense, os exercícios são realizados anualmente e alternam duas modalidades: parcial nos anos pares e geral nos anos ímpares.
A Eletronuclear explica que o Plano de Emergência Externo organiza medidas de proteção fora da área sob responsabilidade direta da central. Nessa faixa, o Governo do Estado do Rio de Janeiro coordena as ações com apoio da Defesa Civil de Angra dos Reis e de outros órgãos públicos e privados.
A aplicação do SAGRES-N em 2026 levou uma capacidade de simulação desenvolvida no ambiente do Corpo de Fuzileiros Navais para uma atividade que exige coordenação civil-militar e resposta interagências. Planos, centros de emergência e dezenas de instituições passaram a operar dentro do mesmo cenário controlado.
Com a alternância anual entre exercícios parciais e gerais, os procedimentos de Angra voltam periodicamente a ser submetidos a novas simulações. O resultado de cada edição serve de base para ajustes nos planos e para preparar as equipes que teriam de atuar diante de uma emergência real na central nuclear.