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Em meio ao aperto no orçamento da Defesa, Lula vence eleição e projeto de novo avião presidencial de até R$ 2 bilhões pode voltar à mesa em 2027, após compra ser adiada por temor de desgaste eleitoral

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 27/10/2026 às 16:34
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Em meio ao aperto no orçamento da Defesa, Lula vence eleição e projeto de novo avião presidencial de até R$ 2 bilhões pode voltar à mesa em 2027, após compra ser adiada por temor de desgaste eleitoral
Avião presidencial Airbus VC-1A, conhecido como Aerolula, utilizado pela Presidência da República desde 2005. Governo discute sua eventual substituição por uma aeronave de até R$ 2 bilhões. - Créditos: Wikimedia Commons

Reeleito no domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a campanha eleitoral que havia levado o Palácio do Planalto a adiar os planos de comprar um novo avião presidencial. Avaliada em até R$ 2 bilhões, a aquisição pode voltar a ser discutida em 2027, embora ainda não exista anúncio de retomada ou autorização para a compra.

O assunto havia ganhado força entre 2024 e 2025, depois de uma série de problemas em voos oficiais e reclamações do presidente sobre as limitações da aeronave utilizada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

O Ministério da Defesa e a Aeronáutica chegaram a consultar fornecedores internacionais e apresentar cotações ao governo. O processo, porém, perdeu força quando aliados de Lula passaram a avaliar que uma compra bilionária poderia provocar desgaste político durante a campanha.

A informação foi revelada em abril pela Agência O Globo, que ouviu integrantes do governo envolvidos nas discussões.

Agora, a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 25 de outubro, encerra o período eleitoral que havia contribuído para o adiamento.

A decisão sobre o avião, entretanto, continua pendente. Além do custo elevado, qualquer tentativa de aquisição precisará enfrentar as restrições orçamentárias que atingem os programas de modernização das Forças Armadas.

Lula recebeu cotações de até R$ 2 bilhões, mas governo recuou antes da eleição

As discussões sobre um novo avião presidencial avançaram durante 2025, quando a FAB passou a consultar empresas e intermediários especializados no fornecimento de aeronaves destinadas a chefes de Estado.

A intenção era encontrar um modelo com maior autonomia de voo, espaço para reuniões e instalações adequadas para viagens internacionais de longa duração.

O custo estimado ficou entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, conforme valores levantados no mercado internacional. O governo não divulgou oficialmente os preços apresentados pelos fornecedores.

Em dezembro de 2025, a Agência O Globo já havia informado que auxiliares próximos ao presidente demonstravam preocupação com a repercussão política de uma aquisição desse tamanho.

Parte dos aliados defendia que o processo fosse deixado para 2027, quando o país já teria passado pelas eleições presidenciais.

O cenário ficou mais claro em abril de 2026.

Segundo nova reportagem da agência, o Palácio do Planalto havia decidido deixar a compra em segundo plano para evitar críticas durante a campanha de reeleição.

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A avaliação era de que o custo do avião poderia se transformar em um problema político, especialmente em um momento de pressão sobre as contas públicas e de dificuldades financeiras enfrentadas pelos próprios militares.

Com isso, as consultas realizadas pela Aeronáutica não avançaram para uma aquisição.

Avião presidencial utilizado por Lula tem mais de 20 anos e enfrentou problemas durante viagens

A discussão sobre a substituição envolve o Airbus A319CJ, identificado pela FAB como VC-1 e conhecido popularmente como Aerolula.

A aeronave foi incorporada à frota presidencial em janeiro de 2005, durante o primeiro mandato de Lula, e recebeu o nome oficial de Santos Dumont.

Desde então, transportou também os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Apesar de possuir instalações para reuniões e acomodação da comitiva, o avião apresenta limitações de autonomia em determinados trajetos internacionais, obrigando a realização de escalas para reabastecimento.

O episódio mais conhecido ocorreu em outubro de 2024, quando Lula retornava de uma visita oficial ao México.

Pouco depois da decolagem, a aeronave apresentou um problema técnico em uma das turbinas. A tripulação precisou permanecer voando nas proximidades da Cidade do México por quase cinco horas, consumindo combustível para reduzir o peso antes do pouso.

O procedimento terminou com a aeronave em segurança no aeroporto de origem. Lula e sua comitiva embarcaram posteriormente em outro avião da FAB para retornar ao Brasil.

Na ocasião, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, defendeu publicamente a substituição do VC-1.

O militar afirmou que o Brasil precisava de uma aeronave maior, com capacidade para realizar viagens internacionais mais longas e transportar o presidente com maior autonomia.

Outro incidente ocorreu em outubro de 2025, durante uma viagem presidencial ao Pará.

Dessa vez, o problema envolveu um C-105 Amazonas, utilizado para um deslocamento até a Ilha do Marajó. Uma anormalidade foi identificada durante os procedimentos de acionamento dos motores, ainda em solo, e a FAB decidiu substituir a aeronave por precaução.

O C-105 não era o avião presidencial VC-1, mas o episódio também contribuiu para reacender a discussão sobre as condições dos meios utilizados no transporte de autoridades.

Compra bilionária enfrenta dificuldades enquanto FAB mantém programas de modernização

A eventual substituição do avião presidencial também envolve uma disputa por recursos públicos.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 prevê aproximadamente R$ 147,68 bilhões para o Ministério da Defesa, incluindo despesas com pessoal, funcionamento das organizações militares, manutenção e investimentos.

Na Aeronáutica, uma das principais prioridades continua sendo a aquisição dos caças F-39 Gripen, para a qual o projeto orçamentário reserva R$ 2,89 bilhões.

O valor máximo estimado para um novo avião presidencial, de R$ 2 bilhões, equivale a aproximadamente 69% dessa previsão anual para os Gripen.

A comparação ajuda a dimensionar a aquisição, embora os dois projetos tenham finalidades diferentes e não exista uma dotação confirmada para a compra de uma nova aeronave presidencial.

Além dos caças, a FAB mantém compromissos relacionados ao KC-390 Millennium, à modernização de aeronaves de ataque, aos sistemas de vigilância e à manutenção de sua frota.

O orçamento de 2027 ainda está em tramitação no Congresso Nacional e poderá sofrer alterações antes da aprovação.

No caso do avião presidencial, o governo precisaria definir o modelo, a origem dos recursos e as condições de contratação.

Nova aeronave poderia levar anos para ser entregue ao Brasil

Mesmo que Lula decida retomar as negociações em 2027, a chegada de um novo avião não seria imediata.

A pesquisa de mercado realizada pela Aeronáutica identificou dificuldades para encontrar aeronaves que atendessem às exigências da Presidência.

Um dos problemas é a disponibilidade limitada de modelos de grande porte preparados para o transporte de chefes de Estado.

Além da aquisição, seria necessário considerar adaptações internas, sistemas de comunicação, equipamentos de segurança e outras modificações exigidas para missões oficiais.

Em reportagem publicada pela Agência O Globo em dezembro de 2025, o advogado André Soutelino, especialista em Direito Aeronáutico, explicou que a compra e a adaptação de uma aeronave desse tipo poderiam levar de dois a três anos, dependendo da disponibilidade no mercado.

Isso significa que uma eventual decisão tomada em 2027 poderia resultar na entrega do avião apenas nos anos seguintes.

A duração do processo dependeria do modelo escolhido, das condições contratuais e da necessidade de modificações antes de sua incorporação à frota da FAB.

Documento da FAB prevê continuidade da manutenção do atual avião presidencial em 2026

Enquanto a substituição permanece sem decisão anunciada, a Aeronáutica mantém o planejamento de suporte logístico do atual VC-1.

Uma portaria da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico, publicada em março de 2026, aprovou o Plano de Suporte Logístico de Médio Prazo de Projetos Aeronáuticos e Bélicos.

O documento identifica o Airbus presidencial e registra que seu contrato de suporte logístico havia sido prorrogado excepcionalmente em 2025, por mais 12 meses.

Para 2026, o planejamento prevê uma nova contratação de suporte logístico para o VC-1, incluindo fornecimento de materiais e mão de obra especializada.

A portaria também contempla o desenvolvimento de capacidade própria para reformar mobiliários das cabines de aeronaves VIP, com atividades previstas nas instalações do Grupo Logístico de Brasília, sob supervisão técnica do Parque de Material Aeronáutico do Galeão.

Essas medidas fazem parte do planejamento de manutenção da frota presidencial e não representam a autorização para adquirir outro avião.

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2 Comentários
jose lupatini
jose lupatini
27/10/2026 18:14

Isso aqui é um tabloide político?

Robson Augusto
Admin
Robson Augusto
27/10/2026 18:22
Responder para  jose lupatini

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