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General britânico avisa que a população terá de aceitar sacrifícios pela defesa, União Europeia pede estoque para 72 horas, Suécia para uma semana, e a Defesa Civil de Santa Catarina tem a própria lista

Letícia Araújo
Por Letícia Araújo 21/10/2026 às 09:47
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General britânico avisa que a população terá de aceitar sacrifícios pela defesa, União Europeia pede estoque para 72 horas, Suécia para uma semana, e a Defesa Civil de Santa Catarina tem a própria lista
Lista do kit de emergência no Plano Emergencial Familiar da Defesa Civil de Santa Catarina. Reprodução: Defesa Civil de SC.

A lista catarinense tem 13 itens e nenhuma quantidade; a conta de água que falta vem da Suécia, e o alerta da Defesa Civil chega ao celular sem cadastro antes do temporal previsto para o fim de semana.

Quem mora em Santa Catarina tem uma lista oficial da Defesa Civil com 13 itens para montar o kit de emergência em casa, mas o documento não diz quanto de água guardar nem para quantos dias. Essa conta aparece nos governos europeus: a Comissão Europeia pede reservas para pelo menos 72 horas, e a Suécia, para pelo menos uma semana.

O tema voltou ao noticiário na semana passada, quando o chefe do Exército britânico, general Sir Roly Walker, disse a cerca de 700 soldados que a população terá de aceitar sacrifícios para priorizar a defesa. Em Santa Catarina, a pergunta é mais imediata: o boletim da Defesa Civil desta quarta-feira prevê frente fria com temporais no sábado e no domingo.

O recado de Walker aos soldados em Catterick

A fala foi gravada pela BFBS, a rede de rádio e TV das Forças Armadas britânicas, durante uma visita à guarnição de Catterick, em North Yorkshire, e publicada pela Sky News em 16 de outubro. “Vocês não sabiam disso, mas o nosso país vai precisar de vocês”, disse o general, que é chefe do Estado-Maior do Exército britânico.

Walker afirmou que os líderes políticos vão começar “uma conversa franca” com os cidadãos sobre onde está o risco. Segundo ele, a população terá de “consentir com sacrifícios para priorizar a defesa e a segurança” e também fazer a sua parte na defesa do país.

A Sky News registra que a promessa de um debate nacional sobre defesa foi feita há mais de 18 meses e ainda não foi cumprida. A mesma reportagem informa que a campanha para preparar cada casa para enchentes, secas e conflito armado ainda não saiu do papel.

Quanto tempo a União Europeia pede

A regra europeia está na Estratégia da União de Preparação, lançada pela Comissão Europeia e pela Alta Representante para a Política Externa em 26 de março de 2025. O texto reúne 30 ações e um plano detalhado para enfrentar desde tensões geopolíticas e ataques cibernéticos até desastres naturais.

No capítulo sobre a população, o comunicado oficial da Comissão incentiva as pessoas a manter suprimentos essenciais para “um mínimo de 72 horas em emergências”. A estratégia também prevê aulas de preparação nas escolas e a criação de um Dia Europeu da Preparação. O comunicado não traz lista de itens nem quantidades: cada país do bloco detalha a sua.

Por que a Suécia pede uma semana

A Suécia está entre os países europeus que orientam a população a montar kits com material impresso enviado às casas. O folheto nacional “Om krisen eller kriget kommer” (Se a crise ou a guerra vier) foi mandado a todos os lares em novembro de 2024, segundo a versão municipal de Avesta.

O prazo sueco é mais que o dobro do europeu. “Planeje-se para conseguir se virar sozinho por pelo menos uma semana”, orienta o Krisinformation.se, portal oficial mantido pela agência sueca de defesa civil. A versão de Avesta pede uma caixa de crise para “pelo menos uma semana, de preferência um pouco mais”.

O material de Avesta explica o motivo: num evento grande, os recursos do município podem não bastar, e a ajuda vai primeiro para quem mais precisa. Por isso a prefeitura chama a própria casa de “o melhor ponto de segurança”.

A conta da água, litro por litro

O número que falta na lista catarinense está no material sueco. O Krisinformation.se diz que cada pessoa precisa de três a cinco litros de água por dia, e a versão de Avesta repete a faixa para um adulto. A versão do município de Kinda, publicada no site da agência sueca, fala em “no mínimo três litros por dia”.

A conta é esta: para uma semana, são de 21 a 35 litros por pessoa. Uma família de quatro pessoas precisa de 84 a 140 litros, o equivalente a cinco a sete galões de 20 litros.

Para as 72 horas da regra europeia, a mesma faixa dá de 9 a 15 litros por pessoa. O cálculo usa a referência sueca, porque o comunicado da Comissão Europeia não fixa litros.

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O que a lista de Santa Catarina manda ter

O Plano Emergencial Familiar da Defesa Civil de Santa Catarina traz 13 grupos de itens. São água, chocolate e barra de cereais; sacolas plásticas; álcool em gel; fósforo e velas; cobertor leve e quente; celular e carregador portátil; e chave de casa e dos veículos.

A lista segue com apito, protetor solar e repelente, lanterna e pilhas, maleta de primeiros socorros e rádio. Uma pasta plástica deve guardar documentos, foto recente, remédios e dinheiro.

O mesmo documento pede uma conversa com a família, inclusive com as crianças, um ponto de encontro fora do bairro e rotas de fuga dentro de casa. Para tempestades e vendavais, orienta ficar em local seguro, longe de árvores e janelas, e tirar os aparelhos da tomada.

Onde o documento brasileiro fica sem número

A diferença está no prazo. A lista catarinense fala em itens, não em dias, e a ideia de um kit de emergência para 72 horas não aparece no documento estadual.

Também não há quantidade de água, de comida ou de pilhas. Quem quiser um número precisa somar por conta própria, e a referência mais concreta disponível é a sueca, de três a cinco litros por pessoa por dia.

Como o alerta chega ao celular

O aviso mais rápido não exige cadastro. O Defesa Civil Alerta usa a transmissão por celular conhecida como cell broadcast e manda a mensagem a todos os aparelhos na área de risco, por cima do que estiver na tela, informa o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Funciona assim: o celular precisa estar na rede 4G ou 5G, e o alerta não chega em modo avião, só no Wi-Fi ou sem sinal. Segundo o ministério, o serviço vem ligado por padrão nos aparelhos compatíveis, em geral os lançados a partir de 2020, e o alerta extremo toca um som de sirene mesmo no modo silencioso.

A Defesa Civil de Santa Catarina mantém outro canal: basta mandar o CEP por SMS para o número 40199. Para emergências, como sinais de movimento de terra, o telefone é o 199.

A previsão oficial para sexta, sábado e domingo

O boletim nº 294/2026 da Defesa Civil catarinense, emitido às 5h desta quarta-feira, diz que a área de baixa pressão mantém o tempo instável até sexta-feira. Há condição para chuva pontualmente intensa e temporais isolados com granizo e rajadas de vento.

Para sábado e domingo, o boletim prevê a formação de uma frente fria, com tempo instável em todas as regiões. O risco de temporais e chuva intensa é maior entre o Grande Oeste e o norte do estado, com raios, rajadas e granizo, mas o documento não traz volumes de chuva.

Quando revisar o kit

O plano catarinense pede uma revisão a cada seis meses. Nela, a família refaz a simulação das rotas de fuga e confere se alimentos, água e outros itens passaram da validade, trocando o que venceu.

Para quem ainda não montou o kit, o prazo mais curto é o de sábado, quando a frente fria chega ao estado, segundo o boletim. Com a lista catarinense e a conta sueca, uma família de quatro pessoas precisa separar pelo menos 36 litros de água para cobrir as 72 horas da regra europeia.

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