Uma interceptação da Força Aérea Brasileira (FAB) a uma aeronave suspeita acabou em pouso forçado e destruição do avião abordado no interior do Mato Grosso nesta sexta-feira, 23 de outubro. Segundo comunicou a FAB, a aeronave interceptada por um caça A-29 Super Tucano vinha da Bolívia e voava de forma irregular no território brasileiro.
De acordo com a Força, o avião suspeito, um Cessna de cor branca, voava sem plano de voo e com matrícula não identificada. A operação de interceptação, coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), contou com apoio de uma aeronave de alerta aéreo antecipado E-99, mais conhecida como “avião-radar”, usado para detectar ameaças no espaço aéreo brasileiro e acionar os alertas de Defesa Aérea.
A partir da localização do avião, um A-29 Super Tucano da FAB procedeu à perseguição da aeronave, que foi interceptada em uma zona rural na região da Fazenda Monte Azul, no município de Juara, a cerca de 550km da capital Cuiabá.
Conforme o relato da FAB, ao perceber que estava sendo interceptado, o piloto do tráfego suspeito realizou um pouso forçado na área rural, incendiou a própria aeronave para destruir possíveis provas ilícitas, e fugiu do local em direção à mata.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o avião sobrevoando a região do município de Juara, e posteriormente, os destroços em chamas da aeronave Cessna já no solo.

O caso agora será apurado pela Polícia Federal e autoridades competentes.
Segunda interceptação em dois dias
O caso no interior do Mato Grosso é a segunda interceptação a aeronave não autorizada realizada pela FAB em menos de dois dias. Na manhã de quinta-feira, dia 22 de outubro, um helicóptero vindo da Venezuela que sobrevoava o território nacional sem identificação foi interceptado pela Defesa Aérea no estado de Roraima, região Norte do País.
A aeronave irregular voava em baixa altitude quando foi detectada, e o piloto do caça A-29 Super Tucano, acionado pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), realizou os procedimentos de averiguação e reconhecimento, como parte das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA).
Segundo relatou a FAB, o piloto da aeronave suspeita não colaborou com a Defesa Aérea e fez um pouso forçado a cerca de 100 km da capital Boa Vista, fugindo do local em seguida. Um helicóptero H-60 Black Hawk, do Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV) – Esquadrão Pelicano, foi mobilizado para realizar a verificação no local, onde a aeronave foi encontrada abandonada.
O helicóptero posteriormente doi destruído pelas forças de segurança. Esse é um procendimento comum quando equipamentos irregulares são apreendidos em áreas remotas, de difícil acesso ou dentro de terras indígenas, quando a remoção do local se torna inviável.
A Zona de Identificação de Defesa Aérea 41 (ZIDA 41), onde aconteceu a operação, recebe atenção especial na vigilância de Defesa Aérea, abrangendo as fronteiras com a Venezuela e a Guiana.
A-29 é usado em interceptações suspeitas
Para realizar a Defesa Aérea do território brasileiro, a A FAB combina aeronaves com diferentes níveis de desempenho, custos operacionais e capacidades para detectar, identificar e interceptar tráfegos suspeitos, proteger áreas estratégicas e responder a ameaças de naturezas distintas.
Nessa estratégia, o A-29 Super Tucano atua especialmente no policiamento do espaço aéreo e na interceptação de aeronaves de menor desempenho, incluindo aviões utilizados em rotas de tráfico e contrabando, enquanto os F-39 Gripen, os caças mais modernos da Força, estão concentrados na região central do país, de prontidão para atender a ameaças específicas.
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A frota de caças F-5M Tiger II, gradativamente substituídos pelos Gripen, também mantém uma capacidade supersônica de interceptação a partir de diferentes bases aéreas pelo teritório brasileiro.
Nem todo voo irregular a acionar o Alerta de Defesa Aérea exige um caça de última geração e de capacidade supersônica, assim como uma ameaça militar de alto desempenho demanda capacidades diferentes das necessárias para interceptar um pequeno avião.
Dessa foram, o A-29 tem papel particularmente importante nas regiões de fronteira e na Amazônia, onde aeronaves clandestinas podem voar em baixa altitude e utilizar pistas afastadas dos grandes centros.
Diferentemente dos caças supersônicos, como o F-39 Gripen, o Super Tucano é um avião turboélice de ataque leve. Ele combina custos operacionais relativamente baixos, autonomia, capacidade de operar em diferentes condições e armamentos que permitem cumprir missões de interceptação e combate.
O procedimento de interceptação inclui a aproximação da aeronave suspeita para identificar seu tipo, verificar sua matrícula e estabelecer contato visual. Os pilotos da FAB tentam obter informações e avaliar se há irregularidades no voo.
Caso sejam constatadas irregularidades, a aeronave interceptada pode receber ordens para mudar de rota, pousar em um aeródromo indicado ou cumprir outras determinações.
Se o piloto não obedecer às determinações, podem ser aplicadas as etapas previstas nos protocolos legais, incluindo tiros de aviso e, em última instância, tiro de detenção. O objetivo é interromper o voo irregular, respeitando os procedimentos previstos na legislação brasileira