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Onde estão os Gripen brasileiros? Caças F-39 ficam em alerta 24 horas por dia concentrados em esquadrão de defesa aérea que recebeu os primeiros supersônicos da FAB nos anos 1970

A base que recebeu os primeiros caças supersônicos Mirage III da Força Aérea há cinco décadas hoje abriga os Gripen do Esquadrão Jaguar em prontidão permanente

Fernando B.
Por Fernando B. 19/10/2026 às 13:21
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Onde estão os Gripen brasileiros? Caças F-39 ficam em alerta 24 horas por dia concentrados em esquadrão de defesa aérea que recebeu os primeiros supersônicos da FAB nos anos 1970
F-39 Gripen da FAB na Base Aérea de Anápolis. Foto: Saab

A Força Aérea Brasileira (FAB) já recebeu 11 caças Saab F-39 Gripen como parte do programa de modernização da defesa aérea do país, e a décima segunda aeronave deve ser incorporada à Força nos próximos meses, com a entrega da primeira unidade do F-39 E totalmente produzida no Brasil tendo realizado seu voo inaugural de testes, marcando uma nova etapa no programa iniciado em 2014.

O contrato do programa F-X2 brasileiro prevê a entrega de 36 aeronaves até 2032, com um investimento anual estimado em 2,26 bilhões de coroas suecas (R$ 1,2 bilhão). O acordo com a Saab prevê 28 caças Gripen E (monoposto) e 8 aeronaves da série F (biposto).

A partir do ritmo adquirido nas entregas e da maturidade operacional alcançada pela plataforma, o programa do Gripen no Brasil alcançou um novo patamar em 2026, com as aeronaves oficialmente assumindo a missão de Alerta de Defesa Aérea brasileira.

Isso significa que os caças agora permanecem em prontidão 24 horas por dia, preparados para decolagem imediata sempre que acionados, tendo como finalidade a missão-fim da FAB, que é garantir a soberania do espaço aéreo contra ameaças.

Todas as unidades do Gripen já operacionais no Brasil estão alocadas em uma única base aérea na região Centro-Oeste, integrando uma estrutura militar planejada para responder rapidamente a ameaças, proteger áreas sensíveis e ampliar a capacidade de defesa aérea do Brasil.

Onde estão sediados os Gripen Brasileiros?

A escolha da Base Aérea de Anápolis (BAAN), em Goiás, para concentrar a operação dos caças F-39 Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) não é por acaso, e remonta a uma estrutura que historicamente foi concebida para a operação de aviões supersônicos.

Localizada na região central do Brasil, a instalação ocupa uma posição estratégica para a defesa do espaço aéreo nacional, permitindo que aeronaves de alta performance sejam empregadas rapidamente na proteção da capital Brasília e no deslocamento para diferentes regiões do país.

Com capacidade de resposta e desempenho supersônico, atingindo até Mach 2 (aproximadamente 2.448 km/h), o F-39E de prontidão no Alerta de Defesa Aérea pode alcançar a região do Planalto Central, a cerca de 160 quilômetros, em poucos minutos, para a proteção da Capital Federal e de áreas estratégicas do País.

Estrutura da Base de Anápolis: primeira a receber o Gripen. Foto: Saab

A escolha da BAAN como sede dos novos Gripen brasileiros está ligada ao histórico do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), conhecido como Esquadrão Jaguar, sediado em Anápolis, e criado nos anos 1970 especialmente para ser uma unidade de interceptação aérea na região central do país.

O primeiro supersônico da FAB

A formação do 1º GDA (anteriormente, Primeira Ala de Defesa Aérea – 1ª ALADA) também está especialmente ligada à operação do primeiro caça supersônico da FAB: o francês Dassault Mirage III, denominado no Brasil F-103 e selecionado para equipar a unidade após a avaliação de diversas outras aeronaves.

Em 1970, a FAB adquiriu 13 unidades do Mirage, enquanto oito experientes pilotos da FAB embarcaram para a França para passarem por treinamentos para operar o supersônico. A Base Aérea de Anápolis foi planejada e construída especificamente para receber os caças Mirage.

A pista foi da BAAN dimensionada para as necessidades dos novos interceptadores, incluindo comprimento e resistência do pavimento compatíveis com a operação das aeronaves previstas.

Os caças franceses que marcaram o início da era supersônica da FAB tinham a missão específica de realizar operações aéreas de defesa aérea, de forma a negar a utilização do espaço aéreo brasileiro por forças externas para a prática de atos hostis contra o Brasil.

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Para isso, precisavam ter a capacidade de se deslocar rapidamente para pontos estratégicos do país. Os Mirage III contavam com o potente motor Snecma ATAR-09C7/038 de 13.230 libras de empuxo, levando o caça a atingir até 2.350km/h em altitude ideal.

A partir dos anos 1975, os Mirage da FAB dividiram com o Northrop F-5, outro supersônico, a missão de Alerta de Defesa Aérea, e foram aposentados gradativamente entre 2005 e 2013.

Porém, mais do que marcar o salto supersônico da FAB na defesa aérea nacional, os Mirage fizeram a Base Aérea de Anápolis desenvolver uma expertise inédita de manutenção e operação de aeronaves modernas e de tecnologia complexa, outro fator que contribuiria, décadas depois, para que as instalações fossem escolhidas para receber as primeiras unidades do Gripen.

KC-390 amplia o alcance do Gripen

A concentração inicial dos Gripen em Anápolis também facilita a formação de pilotos, o treinamento das equipes de manutenção e o desenvolvimento das táticas de emprego da aeronave.

Reunir o novo caça em uma unidade especializada permite consolidar procedimentos antes de uma eventual expansão para outras bases, o que deve acontecer conforme a FAB receber mais aeronaves.

O Esquadrão Jaguar começou a operar o F-39 em dezembro de 2022. A incorporação marcou a transição para uma nova geração de capacidades de combate aéreo na FAB.

Anápolis não abriga apenas os caças Gripen. A base também recebe o Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), responsável pela operação de outra aeronave importante para a modernização da FAB, o KC-390 Millennium, e reúne estruturas que contribuem para o preparo e o emprego de diferentes aeronaves militares.

Essa concentração de capacidades permite realizar exercícios conjuntos, integrar diferentes tipos de aeronaves e aprimorar os procedimentos de comando e controle.

Em 2025, a Embraer e a FAB concluíram com sucesso a campanha de testes de voo de certificação para o reabastecimento em voo (REVO) do caça F-39E Gripen pela aeronave multimissão KC-390 Millennium. A capacidade REVO amplia o alcance dos Gripen brasileiros, tornando o caça capaz de atingir qualquer ponto do território brasileiro e alcançar regiões de fronteira.

KC-390 realiza a certificação de reabastecimento aéreo dos F-39 Gripen. Foto: Embraer

Manutenção e formação em um só lugar

Concentrar inicialmente os caças Gripen da FAB em Anápolis permite que a Força reúna pilotos, mecânicos, equipamentos de apoio e estrutura logística em torno de uma mesma plataforma. Isso facilita a consolidação da capacidade operacional, especialmente durante a fase de introdução de um novo modelo de caça.

A distribuição de aeronaves por outras regiões, que deve acontecer naturalmente, pode ampliar a cobertura territorial, mas também exige infraestrutura adequada, pessoal treinado, equipamentos específicos e uma cadeia logística capaz de sustentar as operações em cada local.

O objetivo estratégico em concentrar as operações do Gripen em Anápolis neste momento é manter uma capacidade de resposta compatível com a importância estratégica de Brasília, ao mesmo tempo em que a FAB consolida a operação do Gripen e prepara a expansão da frota prevista no contrato.

F-5 e Super Tucano reforçam a defesa áerea brasileira

Apesar da importância das operações na região central do Brasil para a nova espinha dorsal da defesa aérea nacional, isso não significa que ela esteja sujeita à disponibilidade dos F-39 Gripen. A FAB combina aeronaves com diferentes níveis de desempenho, custos operacionais e capacidades para detectar, identificar e interceptar tráfegos suspeitos, proteger áreas estratégicas e responder a ameaças de naturezas distintas.

Nesse sistema, o Gripen representa a nova geração de combate aéreo e alerta, enquanto o F-5M Tiger II mantém uma capacidade supersônica de interceptação a partir de diferentes bases aéreas, e o A-29 Super Tucano atua especialmente no policiamento do espaço aéreo e na interceptação de aeronaves de menor desempenho, incluindo aviões utilizados em rotas de tráfico e contrabando.

Na missão de proteger o espaço aéreo, a FAB emprega esses modelos em conjunto com radares, aeronaves de alerta aéreo antecipado e centros de comando e controle.

A lógica é distribuir as missões conforme a ameaça. Nem todo voo irregular exige um caça de última geração, assim como uma ameaça militar de alto desempenho demanda capacidades diferentes das necessárias para interceptar um pequeno avião.

Mesmo com a chegada do Gripen, o F-5M continua importante para a defesa aérea brasileira. A aeronave passou por um programa de modernização que incluiu atualizações de aviônicos, sistemas de comunicação e integração de armamentos, permitindo prolongar sua utilização operacional enquanto a renovação de frota prossegue com a substituição gradual para os Gripen.

Mais de 4 mil aeronaves interceptadas em cinco anos

A Força Aérea Brasileira interceptou 4.020 aeronaves suspeitas ou sem autorização no espaço aéreo nacional entre janeiro de 2019 e julho de 2024, segundo dados do Comando da Aeronáutica obtidos pela Folha de S. Paulo. Em 90 dessas operações foi necessário efetuar disparos de aviso ou detenção para que o piloto mudasse a rota ou pousasse.

O ano de 2021 marcou um pico no período de cinco anos, com 1.147 aeronaves interceptadas, com números em queda nos anos seguintes.

A FAB atribuiu a redução no volume de interceptações à melhoria das ações preventivas de inteligência e ao uso de informações de diferentes órgãos de segurança e fiscalização. A interpretação da Força é que detectar e agir preventivamente pode reduzir a necessidade de interceptações posteriores.


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