Ele começou aos 14 anos num curso técnico da Força Aérea na Base Aérea de Santos e levou o Domingo Aéreo e o KC-390 a milhões de pessoas.
A Força Aérea Brasileira publicou nota de despedida a Lito Sousa, comunicador de aviação e criador do canal Aviões e Músicas, que morreu na quinta-feira, 1º de outubro, aos 59 anos. A nota, assinada pelo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, chama Lito de uma das vozes mais queridas e respeitadas da aviação.
A história dele com a FAB começou antes da carreira civil: aos 14 anos, entrou num curso técnico mantido pela Força Aérea na Base Aérea de Santos, no Guarujá, segundo o g1. O velório foi aberto ao público nesta sexta-feira, 2, das 9h às 12h, em Santana, na Zona Norte de São Paulo.
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A nota assinada pelo comandante da Aeronáutica
“Foi com profunda tristeza que a Força Aérea Brasileira recebeu a notícia da partida do amigo Lito Sousa. Hoje, o Brasil se despede de uma das vozes mais queridas e respeitadas da aviação”, diz o início da publicação no perfil da FAB no Instagram, segundo o Metrópoles. O texto segue: “Uma voz que, durante tantos anos, falou de aviões, de segurança, de histórias e de pessoas, mas que, acima de tudo, falou de uma paixão genuína: o amor pela aviação e pela vida”.
Em outro trecho reproduzido pela Band, a Força Aérea diz que Lito conquistou um lugar especial nesse universo “pela forma generosa, espontânea e apaixonada com que transformava esse conhecimento em histórias capazes de aproximar pessoas, despertar vocações e preservar a memória da nossa aviação”. Para a FAB, o maior legado está “nas pessoas que alcançou, nas histórias que preservou, nas amizades que construiu”, segundo a Itatiaia.
A nota termina com a fórmula militar de despedida. “A Força Aérea Brasileira se despede com respeito, gratidão e carinho. Lito, receba, onde quer que esteja, a nossa continência”, segundo a reprodução da Band.
O Domingo Aéreo da AFA no canal
Lito acompanhou o Domingo Aéreo por anos. O Aviões e Músicas nasceu como blog e foi para o YouTube em 2010, segundo o Terra, e chegou a milhões de inscritos. A aviação militar brasileira apareceu cedo na programação, com a cobertura da festa na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, no interior paulista.
O episódio 22, “Domingo Aéreo 2015 na AFA”, foi ao ar em agosto de 2015, segundo o catálogo de episódios do TheTVDB. Em agosto de 2017, o episódio 199, “Domingo Aéreo: 65 anos celebrando a aviação”, mostrou a festa de aniversário da academia, e em outubro de 2018 veio “Um Domingo Aéreo especial”, o episódio 353.
Tucano, Fumaça e o carnaval imaginado da FAB
Em janeiro de 2017, o canal publicou “O T-27 Tucano bem de pertinho”, episódio 132, sobre o avião de instrução usado na formação de pilotos da FAB. Em setembro do mesmo ano, “Uma grande história de guerra” contou a trajetória de um piloto de P-47 abatido na Segunda Guerra Mundial.
Em janeiro de 2018, o episódio 253, “Exclusivo: FAB desafia Whindersson Nunes”, montou no simulador Microsoft Flight Simulator X um voo fictício entre a Esquadrilha da Fumaça e o jato do humorista. Um mês depois, “Carnaval aéreo da FAB”, o episódio 262, imaginou a Força Aérea num desfile.
Do KC-390 em live ao interior do cargueiro
O cargueiro da Embraer entrou cedo nas conversas com o público. Em novembro de 2017, a transmissão ao vivo “KC390, excesso de peso e Lito responde”, episódio 226, levou o avião militar para a sessão de perguntas dos seguidores.
Em julho de 2025, o canal publicou “Dentro do KC-390: o avião multimissão mais moderno do mundo!”, episódio 1343, com 13 minutos, segundo o TheTVDB. O vídeo mostrou por dentro o cargueiro que a Embraer fabrica para a Força Aérea.
Onde foi o velório e como ficou a cerimônia
O velório aberto ao público ocorreu nesta sexta-feira, das 9h às 12h, na Avenida Braz Leme, 2594, no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo, segundo o Correio Braziliense. No período da tarde, a cerimônia seguiu num segundo espaço, no número 3258 da mesma avenida, reservado a familiares e amigos próximos.
Segundo o mesmo jornal, esse segundo espaço recebe apenas convidados previamente incluídos numa lista. Até a publicação desta matéria, a família não tinha divulgado se haverá sepultamento ou cremação, nem o local.
A morte foi anunciada pela mulher dele, Mila Seidl, no Instagram, segundo o Correio Braziliense. “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você”, escreveu ela.
O curso técnico na Base Aérea de Santos
Lito nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 25 de janeiro de 1967, segundo o portal Terra. A família se mudou para Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá, no litoral paulista, e foi ali, na Base Aérea de Santos, que ele começou na aviação ainda adolescente, de acordo com o g1. A Band descreve Lito como piloto e mecânico de manutenção aeronáutica, as duas pontas de uma carreira que começou no chão do hangar.
Aos 19 anos, em 1986, entrou na Varig, segundo o Terra. Depois passou pela Transbrasil e chegou à United Airlines, onde trabalhou por 25 anos, de acordo com o mesmo portal e com o Jornal de Brasília.
A Anac também lamentou
A Agência Nacional de Aviação Civil divulgou nota própria. “A aviação brasileira perde hoje um de seus grandes divulgadores. Fica o legado de quem fez do conhecimento uma ponte entre a aviação e a sociedade”, diz o texto, segundo a Itatiaia e a CNN Brasil.
A agência afirmou que Lito se tornou uma das principais referências na divulgação de conhecimento sobre aviação no país. Agradeceu a contribuição dele para o fortalecimento da cultura de segurança operacional no Brasil, segundo a Itatiaia.
“Todo mundo pode ser piloto”
Por anos, Lito falou de aviação sem ter licença de piloto. Numa transmissão ao vivo, depois de um erro sobre controladores de voo, ouviu de seguidores que ele não era piloto, conta o Jornal de Brasília.
A resposta veio em 2021, quando tirou a licença. “Eu não sou piloto, então, eu vou ser piloto. E mais do que isso, eu vou mostrar pras pessoas que todo mundo pode ser piloto”, disse ele em entrevista ao programa No Lucro, da CNN Brasil, publicada em 13 de maio de 2025.
Na mesma entrevista, explicou que trocou o conteúdo técnico para profissionais por vídeos que qualquer passageiro entendesse. “O que a aviação me ensinou é isso: você vai gastar muito pra manter a qualidade do seu serviço”, afirmou.
Do hangar do Guarujá à continência da FAB
O menino que entrou aos 14 anos num curso técnico da Força Aérea, no Guarujá, trabalhou mais de três décadas em companhias aéreas. Depois levou para milhões de pessoas o Domingo Aéreo da AFA, o Tucano de instrução e o interior do cargueiro militar.
A mesma Força Aérea onde ele começou encerrou a nota com uma continência. Foi a despedida da instituição a um ex-aluno de curso técnico que, nas palavras da FAB, ajudou a despertar vocações.