Soldado da FEB tentava localizar uma metralhadora inimiga durante o ataque a Montese, em abril de 1945. Atingido pela explosão, morreu horas depois, aos 27 anos.
Oswaldo Lellis estava gravemente ferido quando avisou ao tenente que o terreno estava minado. O soldado da Força Expedicionária Brasileira havia sido atingido por uma mina durante o avanço para as posições de Paravento, na Itália, em 14 de abril de 1945. Sua missão era localizar uma metralhadora inimiga que impedia a progressão do pelotão durante o ataque a Montese.
Mesmo após a explosão, Lellis conseguiu transmitir o alerta. Com o inimigo ainda próximo, também procurou conter as manifestações de dor para evitar chamar a atenção. Os ferimentos provocaram sua morte horas depois, naquele mesmo dia.
O relato foi preservado no decreto que lhe concedeu a Cruz de Combate de 1ª Classe, reproduzido pelo Museu Virtual da Força Expedicionária Brasileira. O documento descreve a missão recebida pelo militar e seu comportamento depois de ser atingido.
A missão para localizar a metralhadora
Integrante da 9ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria, Lellis participava da progressão brasileira em direção a Paravento. O deslocamento havia sido interrompido pelo fogo de uma metralhadora, cuja posição precisava ser identificada.
O soldado recebeu a ordem de avançar até um ponto de onde pudesse localizar a arma. Tratava-se de uma tarefa de observação em uma área sob ameaça inimiga. Antes de prosseguir, o pelotão precisava descobrir de onde vinham os disparos que o detinham.
Metralhadoras permitem concentrar fogo sobre uma passagem, um acesso ou uma faixa de terreno. Para a infantaria que avança, identificar a posição de uma dessas armas faz parte do trabalho necessário para organizar a reação. A missão atribuída a Lellis estava diretamente ligada a esse obstáculo enfrentado por seus companheiros.

No caminho, ele encontrou um campo minado. Segundo o decreto da condecoração, atravessou a área para cumprir a tarefa, mas foi atingido por um dos explosivos. O ferimento interrompeu seu avanço antes que pudesse concluir a missão nos termos em que havia sido determinada.
O alerta depois da explosão
Foi após sofrer os ferimentos que Lellis avisou ao tenente sobre a presença das minas. Assim, além da metralhadora que já bloqueava o movimento, o oficial recebeu a informação de que havia explosivos no percurso.
Em um campo minado, o perigo permanece no terreno mesmo quando não há disparos. A passagem de outros homens pelo mesmo caminho pode provocar novas detonações. A informação transmitida por Lellis dizia respeito, portanto, ao trajeto usado pela tropa e às condições encontradas durante sua tentativa de avançar.
O soldado procurava suportar a dor sem atrair a atenção adversária. O inimigo continuava próximo, e a explosão não havia encerrado a situação de combate ao seu redor.
O ataque a Montese
A ação ocorreu durante a ofensiva aliada da primavera de 1945, nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial na Europa. As forças brasileiras combatiam na Itália, onde posições alemãs nos Apeninos dificultavam o avanço em direção à planície do rio Pó.
Montese fazia parte desse sistema defensivo. O ataque brasileiro envolveu infantaria, apoio de artilharia e a conquista de posições em uma região montanhosa. Para os soldados que avançavam, a operação exigia enfrentar o fogo adversário e os obstáculos distribuídos pelo terreno.
Nesse cenário, a missão individual de Lellis era reconhecer a posição de uma arma que impedia o deslocamento de uma fração da tropa.
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De São Paulo ao combate na Itália
Oswaldo Lellis nasceu em São Paulo em 13 de fevereiro de 1918. Era filho de Feliciano Lellis e Almerinda Lellis. Sua ficha militar registra o embarque em 23 de novembro de 1944, menos de cinco meses antes da morte em Montese.
Após morrer em combate, foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia, na quadra B, fileira 12, sepultura 133.
Além da Cruz de Combate de 1ª Classe, sua biografia relaciona a Medalha de Campanha e a Medalha Sangue do Brasil. O registro da condecoração mantém documentado o aviso transmitido ao tenente em sua última missão, em 14 de abril de 1945.
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